Agricultura familiar fortalece segurança alimentar em Afuá com apoio da Emater e do PAA
No coração do arquipélago do Marajó, a agricultura familiar volta a ocupar um papel central na política de segurança alimentar e no desenvolvimento local. No município de Afuá, produtores assentados da reforma agrária e agroextrativistas tradicionais estão se organizando para abastecer, a partir de fevereiro, a cesta-básica distribuída pela prefeitura a famílias em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa conta com o apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) e com recursos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), política pública federal que conecta produção local e assistência social.

O acordo firmado prevê a compra, ao longo de 2026, de alimentos como açaí, banana e farinha d’água, produzidos nos assentamentos federais Entorno e Santana e na comunidade ribeirinha Araramã. Os produtos irão complementar a alimentação de pelo menos 120 famílias cadastradas nos programas sociais do município, fortalecendo uma cadeia que começa no campo e termina na mesa de quem mais precisa.
Segundo estimativas técnicas da Emater em Afuá, o contrato do PAA, com recursos que somam R$ 175 mil, pode representar um aumento de até 300% na renda dos agricultores familiares quando comparado à comercialização convencional, geralmente marcada pela dependência de atravessadores e pela instabilidade de preços.
PAA garante renda, dignidade e alimentos de qualidade
Para o engenheiro agrônomo Alfredo Rosas, chefe do escritório local da Emater em Afuá, o impacto do PAA vai além da renda imediata. “Não se trata apenas de lucro. O programa fortalece as cadeias produtivas locais, valoriza a cultura alimentar amazônica, assegura práticas sustentáveis e garante alimentos saudáveis para pessoas em insegurança alimentar. É um ciclo completo, que se retroalimenta”, afirma.
A experiência de Afuá reflete uma lógica consolidada em diversas regiões do país: políticas públicas que estimulam a compra institucional da agricultura familiar não apenas combatem a fome, mas também promovem desenvolvimento territorial, fixam as famílias no campo e reduzem desigualdades históricas entre produtores e grandes cadeias de comercialização.
Programas como o PAA e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) transformaram o Estado em um cliente estratégico do pequeno produtor, oferecendo previsibilidade, preços justos e estímulo à diversificação produtiva. Em Afuá, essa engrenagem ganha contornos ainda mais relevantes, dada a importância do extrativismo e da agricultura de base familiar para a economia local.
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A força invisível que alimenta o Brasil
Apesar de muitas vezes invisibilizada no debate econômico, a agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos diariamente no Brasil. Feijão, mandioca, arroz, hortaliças, frutas, leite, aves e suínos têm origem, em sua maioria, em pequenas propriedades e comunidades rurais espalhadas pelo país.
Dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) indicam que o setor responde por aproximadamente 67% das ocupações no campo e por cerca de 23% do valor bruto da produção agropecuária nacional. Em termos globais, a agricultura familiar brasileira figura entre as maiores produtoras de alimentos do mundo.
Além do peso econômico, há um papel social decisivo. Ao gerar trabalho e renda onde a oferta de empregos é escassa, a agricultura familiar reduz o êxodo rural, preserva vínculos comunitários e mantém vivas práticas culturais associadas ao território. No Norte do país, esse modelo se entrelaça ao extrativismo sustentável, especialmente na coleta de produtos como o açaí, fundamental para a identidade alimentar amazônica.
Crédito, assistência técnica e futuro sustentável
O fortalecimento da agricultura familiar está diretamente ligado ao acesso a políticas públicas estruturantes. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), principal linha de crédito do setor, recebeu no Plano Safra 2025/2026 um volume recorde de recursos, ampliando o acesso a financiamentos para custeio, investimento, agroindustrialização e práticas sustentáveis.
Linhas como Pronaf Agroecologia, Pronaf Bioeconomia e Pronaf Floresta estimulam sistemas produtivos que conciliam geração de renda e conservação ambiental. Já a Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), oferecida por órgãos públicos como a Emater, é fundamental para orientar o manejo do solo, a diversificação produtiva e a organização dos agricultores em associações e cooperativas.
Em Afuá, essa combinação de crédito, assistência técnica e mercado garantido cria condições para que a agricultura familiar avance como estratégia de desenvolvimento sustentável. Ao integrar produção local, políticas sociais e preservação ambiental, o município se torna exemplo de como o campo pode responder, de forma concreta, aos desafios da fome, da pobreza e das mudanças climáticas.





