A COP30, que será realizada em novembro em Belém (PA), promete contar com a maior participação indígena já registrada nas conferências climáticas da ONU. Para receber representantes de diferentes regiões do Brasil e do mundo, será montada a Aldeia COP na Universidade Federal do Pará (UFPA), com capacidade para cerca de 3 mil pessoas.

Representação indígena histórica
Segundo a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, a meta é reunir mil indígenas credenciados na Zona Azul — espaço oficial de negociações da COP — sendo metade do Brasil e a outra metade de outros países. “Queremos ampliar não só a quantidade de representantes, mas também a qualidade da participação, para dialogar diretamente com atores internacionais”, afirmou a ministra.
Além da Zona Azul, lideranças indígenas também devem participar da Zona Verde, voltada à sociedade civil, e da Cúpula dos Povos, evento paralelo com foco em justiça climática.
Amazônia no centro das discussões
Representantes de povos da Bacia Amazônica também marcarão presença. Para Patricia Suárez Torres, porta-voz regional, a COP30 será decisiva: “Talvez esta seja uma das últimas oportunidades para colocar a situação da Bacia Amazônica na agenda mundial. Estamos num momento crítico de ponto de não retorno e sabemos como contribuir para mitigar os impactos”.
Organização e articulação internacional
A Comissão Internacional de Povos Indígenas, responsável pela Aldeia COP, integra o Círculo dos Povos — criado pela presidência da Conferência para ampliar a escuta de demandas de indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes. Entre as propostas discutidas estão o uso de tecnologias digitais e a criação de um espaço indígena na Zona Verde.
Desafios de hospedagem
A crise de hospedagem em Belém preocupa organizadores e delegações, especialmente as de países mais pobres. A organização brasileira reafirmou que a conferência será “ampla, inclusiva e acessível” e descartou a possibilidade de transferir o evento para outra cidade.
Uma força-tarefa formada pela Secretaria de Segurança Pública do Pará e órgãos como o Procon está fiscalizando hotéis para evitar preços abusivos. O plano de acomodação será implementado em fases, priorizando países com participação direta nas negociações.






































