Um ciclone que já parte, mas deixa riscos no caminho
Mesmo com o afastamento gradual do ciclone extratropical em direção ao oceano, os efeitos do sistema atmosférico seguem impondo riscos reais a parte do Sul e do Sudeste do Brasil. A instabilidade provocada pelo fenômeno ainda sustenta a formação de tempestades intensas, especialmente ao longo da faixa litorânea de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Diante desse cenário, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja, indicando perigo para chuvas volumosas e ventos fortes.

O aviso sinaliza que, embora o núcleo do ciclone já não esteja sobre o continente, a atmosfera permanece altamente instável. Esse tipo de sistema costuma deixar um rastro de instabilidade prolongada, com nuvens carregadas, rajadas de vento e precipitações concentradas em curto espaço de tempo. O risco, portanto, não se encerra com a dissipação visual do fenômeno, mas persiste enquanto houver condições favoráveis à intensificação das tempestades.
Chuvas intensas e ventos extremos exigem atenção redobrada
De acordo com o alerta do Inmet, as chuvas podem atingir volumes próximos de 100 milímetros em apenas 24 horas, um índice elevado o suficiente para provocar alagamentos, enxurradas e deslizamentos em áreas vulneráveis. Somam-se a isso rajadas de vento que podem variar entre 60 e 100 quilômetros por hora, capazes de derrubar árvores, danificar estruturas e comprometer redes elétricas.
As recomendações das autoridades meteorológicas e de proteção civil reforçam a necessidade de cautela. Em situações de vento intenso, a orientação é evitar abrigo sob árvores, não estacionar veículos próximos a torres de transmissão ou placas de publicidade e reduzir o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada. São medidas simples, mas que podem evitar acidentes graves em contextos de tempo severo.
Eventos como esse expõem a fragilidade das áreas urbanas diante de extremos climáticos cada vez mais frequentes. Chuvas concentradas e ventos intensos deixam de ser exceção e passam a integrar o cotidiano de cidades que nem sempre estão preparadas para lidar com esse tipo de impacto.

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Estragos acumulados no Sul e a resposta das autoridades
O ciclone extratropical começou a se formar na sexta-feira (9), atingindo inicialmente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ao longo do fim de semana, o sistema ganhou força e provocou uma série de danos, exigindo resposta coordenada de órgãos federais, estaduais e municipais. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional promoveu uma reunião de preparação com agentes de proteção e defesa civil e instituições federais para alinhar ações de monitoramento e resposta.
No Rio Grande do Sul, ao menos 18 municípios registraram impactos diretos das chuvas e dos ventos. Houve queda de árvores, alagamentos, enchentes e destelhamento de residências, afetando a rotina de milhares de pessoas. Em Santa Catarina, a Defesa Civil estadual informou que 15 municípios contabilizaram danos até a manhã de segunda-feira, com prejuízos em 91 residências e cinco estruturas públicas.
Esses números revelam como eventos meteorológicos intensos afetam de forma desigual os territórios, atingindo com mais força áreas onde a ocupação urbana avança sobre regiões suscetíveis a alagamentos ou onde a infraestrutura é mais frágil. A recorrência desses episódios reforça a importância de políticas preventivas e de planejamento urbano integrado ao risco climático.
Tornado no Paraná evidencia a força dos fenômenos extremos
Entre os episódios mais graves associados à passagem do ciclone está a ocorrência de um tornado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (10). O fenômeno foi analisado e classificado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) como categoria F2 na escala Fujita, que vai até F5. Nessa classificação, os ventos podem alcançar velocidades próximas de 180 quilômetros por hora, suficientes para causar danos estruturais significativos.
Segundo a Defesa Civil do Paraná, cerca de 1,2 mil pessoas foram impactadas diretamente pelo tornado, com 350 residências atingidas. Duas pessoas sofreram ferimentos leves. O episódio chama atenção para a diversidade de fenômenos associados a sistemas de baixa pressão, que podem ir além de chuvas intensas e incluir eventos raros, mas extremamente destrutivos.
A ocorrência do tornado também reforça o papel dos sistemas de monitoramento e alerta precoce. Embora não seja possível evitar fenômenos naturais dessa magnitude, a antecipação de riscos e a comunicação clara com a população são fatores decisivos para reduzir perdas humanas e materiais.
Enquanto o ciclone extratropical se afasta definitivamente do continente, o alerta permanece como lembrete de que os efeitos do clima não respeitam fronteiras administrativas nem calendários. A convivência com eventos extremos exige informação de qualidade, resposta rápida do poder público e uma sociedade cada vez mais consciente dos riscos que acompanham as mudanças no padrão climático.






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