O Segredo da Árvore que Anda Revelado pela Ciência
Na imensidão verde da floresta amazônica, não faltam histórias que beiram o fantástico. Entre as mais intrigantes está a de uma árvore que, supostamente, é capaz de se mover. Estamos falando da Socratea exorrhiza, uma palmeira peculiar conhecida por um comportamento que a fez ganhar o apelido de “árvore que anda”.
Esse apelido é mais do que um simples nome popular — ele reflete um fenômeno que fascina cientistas e moradores da floresta. A ideia de uma planta que muda de lugar sozinha parece mágica, mas há muita biologia por trás disso. Neste artigo, mergulhamos no que é fato, o que é mito e como a ciência explica esse mistério da botânica amazônica.
A Socratea exorrhiza é uma palmeira típica das florestas tropicais da América Central e América do Sul, especialmente abundante na Amazônia. Ela se destaca não apenas pela sua forma esguia e elegante, mas principalmente por um detalhe anatômico inusitado: suas raízes-escora, também chamadas de raízes adventícias.
Essas raízes se projetam acima do solo, formando uma estrutura semelhante a um tripé ou a pernas de aranha. Em vez de crescerem diretamente do caule subterrâneo, elas se espalham lateralmente a partir do tronco, o que dá a impressão de que a planta está “andando” lentamente pela floresta.
A crença popular de que a Socratea exorrhiza é uma árvore que anda de verdade vem da observação de que, ao longo do tempo, suas raízes parecem se mover em direção a locais mais estáveis ou com melhor iluminação.
Segundo moradores locais e guias da floresta, essa palmeira seria capaz de “caminhar” até 2 ou 3 centímetros por dia, mudando de lugar ao longo dos meses para escapar da sombra de outras árvores ou de solos instáveis. Mas será que isso realmente acontece?
Do ponto de vista botânico, não há consenso de que essa palmeira realize movimento locomotivo verdadeiro. O que ocorre, na realidade, é um processo de substituição de raízes. Quando o solo onde a palmeira está se torna instável ou a luminosidade diminui, ela pode desenvolver novas raízes em outra direção, abandonando as antigas.
Essa substituição dá a impressão de que a palmeira se desloca, mas na verdade ela está apenas realocando sua base para se manter ereta e viva em um ambiente que muda constantemente. Esse comportamento é uma adaptação sofisticada, mas não equivale ao ato de caminhar como um ser vivo com músculos e sistema nervoso.
Pesquisadores como John H. Bodley, nos anos 80, documentaram a estrutura única das raízes dessa palmeira. Mais recentemente, biólogos como Gerardo Avalos, da Costa Rica, estudaram o mito com mais profundidade. Avalos realizou estudos detalhados em campo e afirmou categoricamente:
No entanto, os cientistas reconhecem que o crescimento direcional das raízes é uma estratégia de sobrevivência incomum entre as palmeiras. Essa capacidade de adaptação pode ser confundida com movimento locomotivo, especialmente se observada em longos períodos.
A floresta amazônica é um ambiente dinâmico. Árvores caem, clareiras se abrem, o solo alaga, seca ou se desloca com facilidade. Nesse contexto, ter raízes elevadas e capazes de “mudar de lado” dá à Socratea exorrhiza uma vantagem evolutiva.
Essa morfologia reduz a competição por luz, aumenta a estabilidade em solos instáveis e permite uma certa mobilidade estrutural. Em outras palavras, essa árvore não anda como os animais, mas tem uma estratégia própria de permanência adaptativa.
O fascínio pela Socratea exorrhiza mostra como a botânica pode ser surpreendente. Embora não haja provas científicas de que essa árvore “anda” no sentido literal, sua forma de crescer e adaptar-se ao ambiente é impressionante o suficiente para justificar o mito.
Como muitas histórias da floresta, a verdade sobre a “árvore que anda” está no meio do caminho entre o real e o imaginário. E talvez seja justamente isso que a torna tão especial. A palmeira amazônica Socratea nos ensina que até mesmo uma árvore pode parecer desbravadora — desde que saibamos olhar com curiosidade e atenção.
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