Governo do Maranhão inaugura agroindústria quilombola de babaçu em Rosário

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Agroindústria de babaçu fortalece identidade quilombola em Rosário

O Maranhão dá um passo decisivo na consolidação de sua economia solidária com a inauguração, neste sábado (14), de uma agroindústria comunitária voltada ao beneficiamento do babaçu. Localizada na comunidade quilombola Boa Vista, no município de Rosário, a unidade é fruto de uma ação articulada entre a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e a Secretaria de Estado de Governo. A iniciativa visa transformar o trabalho ancestral das quebradeiras de coco em um processo industrial sustentável, garantindo que o valor agregado da floresta permaneça no território que a protege.

A estrutura foi projetada para atender às necessidades específicas da Associação Quilombola de Boa Vista, oferecendo um suporte tecnológico que vai muito além da simples extração. Com um conjunto de equipamentos que inclui amassadeiras, câmaras de crescimento e seladoras industriais, a agroindústria permite que o grupo transforme o mesocarpo do babaçu em produtos de panificação e confeitaria. Essa modernização retira o peso do esforço manual exaustivo e insere a produção local em um novo patamar de competitividade e segurança alimentar.

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A tecnologia a serviço da ancestralidade

O parque industrial entregue pelo governo estadual foca na diversificação da pauta produtiva. Mais do que extrair o óleo, as 19 mulheres beneficiadas diretamente agora possuem as ferramentas para elaborar biscoitos, pães, bolos de macaxeira e o mesocarpo em pó — um superalimento altamente nutritivo. A presença de equipamentos como estufas e modeladoras garante que a produção siga padrões rigorosos de qualidade, facilitando o acesso a mercados institucionais e feiras regionais sob o selo da agricultura familiar.

Segundo o secretário da SAF, Bira do Pindaré, o investimento é uma estratégia de desenvolvimento territorial que respeita a identidade quilombola. Ao dotar a comunidade de meios próprios de produção, o Estado promove a autonomia econômica e a dignidade das trabalhadoras. A agroindústria funciona como um centro de convergência entre o saber tradicional e a eficiência técnica, provando que é possível industrializar o campo sem apagar as raízes culturais que dão sentido ao manejo do babaçu.

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Impacto socioeconômico e conservação

A implantação desta unidade em Rosário repercute em todo o ecossistema da economia verde no Maranhão. O fortalecimento da cadeia produtiva do babaçu é um dos pilares da sociobiodiversidade, pois incentiva a preservação das palmeiras nativas ao transformá-las em fonte direta de renda e sustento. Para as quebradeiras de coco, a agroindústria representa a quebra de um ciclo de dependência de atravessadores, permitindo que a associação gerencie desde a colheita até a embalagem final dos subprodutos.

Além da geração de renda imediata, o projeto tem um forte componente de fixação do homem — e especialmente da mulher — no campo com qualidade de vida. A oferta de pães e derivados de milho e babaçu produzidos localmente melhora a dieta da própria comunidade e estimula o comércio de proximidade. O Governo do Maranhão reafirma, assim, seu compromisso com os territórios tradicionais, enxergando na agricultura familiar a base para um desenvolvimento que é, ao mesmo tempo, economicamente viável e socialmente justo.

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