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Bioimpressão 3D cria fígado funcional em 72 horas revolucionando a medicina regenerativa

Em um avanço revolucionário na medicina regenerativa, pesquisadores da Universidade de Tel Aviv conseguiram criar um fígado humano funcional em miniatura usando tecnologia de bioimpressão 3D. O estudo inovador, publicado na revista Science Advances, detalha como a equipe conseguiu produzir um órgão vascularizado e funcional em apenas 72 horas, marcando um ponto de virada no campo de engenharia de tecidos e transplantes de órgãos.

Células-tronco humanas com hidrogel biocompatível nanoestruturado

A equipe, liderada pelo Professor Tal Dvir do Centro de Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa da universidade, utilizou uma abordagem inovadora que combina células-tronco humanas com um hidrogel biocompatível nanoestruturado. “Nossa tecnologia permite a criação de tecidos personalizados e complexos que podem substituir órgãos danificados,” explica Dvir.“É um passo gigantesco em direção à solução da escassez global de órgãos para transplante.”

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O processo de criação do fígado envolve várias etapas revolucionárias:

  1. Células-tronco do paciente são reprogramadas para se tornarem células hepáticas, células endoteliais e células de suporte.
  2. Estas células são misturadas com o hidrogel biocompatível para criar uma “biotinta”.
  3. A biotinta é então impressa em 3D em uma estrutura complexa que imita a arquitetura do fígado, incluindo vasos sanguíneos.
  4. O órgão impresso é cultivado em um biorreator especializado que simula as condições do corpo humano.

O resultado é um fígado em miniatura de aproximadamente 5 centímetros de diâmetro, capaz de realizar funções hepáticas essenciais, incluindo a produção de proteínas e a desintoxicação.”O mais impressionante é a velocidade e a precisão do processo,” comenta a Dra. Sarah Thompson, especialista em medicina regenerativa da Universidade de Cambridge, não envolvida no estudo.

Bioimpressão

“Criar um órgão tão complexo em apenas 72 horas era impensável até agora.”Os testes iniciais em modelos animais têm sido extremamente promissores. Fígados bioimpressos foram transplantados com sucesso em coelhos com insuficiência hepática, restaurando a função do órgão e prolongando significativamente a sobrevida dos animais.

As implicações desta tecnologia são vastas:

  • Potencial para eliminar as listas de espera para transplantes de órgãos.
  • Redução do risco de rejeição, já que os órgãos são criados com as próprias células do paciente.
  • Plataforma para testar novos medicamentos, reduzindo a necessidade de testes em animais.
  • Possibilidade de criar “órgãos em um chip” para estudos personalizados de doenças.

Salto quântico na bioengenharia de órgãos

O Dr. Anthony Atala, diretor do Instituto Wake Forest de Medicina Regenerativa, elogia o avanço: “Este trabalho representa um salto quântico na bioengenharia de órgãos. Estamos nos aproximando rapidamente de um futuro onde órgãos personalizados estarão disponíveis ‘sob demanda’.”Apesar do entusiasmo, os pesquisadores alertam que ainda há desafios a serem superados antes que a tecnologia possa ser usada clinicamente em humanos:

  1. Escalar o processo para criar órgãos de tamanho completo.
  2. Garantir a funcionalidade a longo prazo dos órgãos impressos.
  3. Navegar pelos complexos processos regulatórios e éticos.

Impacto potencial da tecnologia

“Estamos otimistas, mas realistas,” diz Dvir. “Estimamos que os primeiros ensaios clínicos em humanos possam começar dentro de 5 a 7 anos. “O impacto potencial desta tecnologia vai além dos transplantes de fígado. A equipe já está trabalhando na adaptação da técnica para outros órgãos, incluindo coração, pulmões e rins. Além disso, a tecnologia abre novas possibilidades para o estudo de doenças e o desenvolvimento de tratamentos personalizados.

A indústria farmacêutica está particularmente interessada nas aplicações desta tecnologia para testes de medicamentos. “Órgãos impressos em 3D poderiam revolucionar o processo de desenvolvimento de drogas, tornando-o mais rápido, mais barato e mais preciso,” observa Dr. Elena Rodriguez, diretora de P&D de uma grande empresa farmacêutica.O avanço também levanta questões éticas e regulatórias importantes.

“Precisamos de um diálogo sério sobre as implicações desta tecnologia,” argumenta o Dr. Jonathan Moreno, bioeticista da Universidade da Pensilvânia. “Como garantiremos acesso equitativo? Como regulamentaremos a produção e o uso desses órgãos?”

Desafios mais prementes da humanidade

À medida que a pesquisa avança, o potencial para transformar a medicina e salvar incontáveis vidas torna-se cada vez mais claro. A bioimpressão 3D de órgãos funcionais não é apenas um triunfo da engenharia e da biologia; é um testemunho do poder da inovação interdisciplinar para enfrentar alguns dos desafios mais prementes da humanidade.

Com cada avanço, nos aproximamos de um futuro onde a escassez de órgãos para transplante pode se tornar uma coisa do passado, onde tratamentos personalizados são a norma, e onde a medicina regenerativa realiza seu pleno potencial. O fígado bioimpresso da Universidade de Tel Aviv não é apenas um órgão; é um vislumbre de um futuro médico revolucionário.

Redação Revista Amazônia

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