Calcário substitui fogo no campo e fortalece agricultura sustentável no Amazonas


Calcário no campo: política pública une produção agrícola e preservação ambiental no Amazonas

A entrega de seis toneladas de calcário dolomítico no município de Itacoatiara, no interior do Amazonas, marca mais do que uma ação pontual de apoio à agricultura familiar. Ela simboliza uma mudança concreta na forma como o Estado articula produção rural, conservação ambiental e combate às queimadas e ao desmatamento. A iniciativa integra o projeto “Não Faça Queimadas, Use Calcário!”, coordenado pela Secretaria de Estado de Energia, Mineração e Gás do Amazonas (Semig), e beneficiará diretamente cerca de 150 agricultores vinculados à Cooperativa Agropecuária dos Produtores Rurais da AM-010 (Coopram).

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Realizada no sábado, 17 de janeiro, a entrega ocorreu na sede da cooperativa, localizada no quilômetro 143 da rodovia AM-010. O insumo distribuído é amplamente reconhecido como ferramenta estratégica para a correção da acidez do solo, aumento da produtividade agrícola e redução de práticas nocivas ao meio ambiente, como o uso do fogo para abertura de novas áreas de cultivo. Em um estado onde a pressão sobre a floresta ainda convive com a necessidade de geração de renda no campo, a calagem surge como solução técnica com impacto ambiental e social relevante.

Agricultura sem fogo: calcário como alternativa ao desmatamento

Ao apresentar o projeto em Itacoatiara, o secretário de Estado de Energia, Mineração e Gás, Ronney Peixoto, destacou que a iniciativa busca oferecer soluções práticas e acessíveis aos produtores rurais, especialmente da agricultura familiar. Segundo ele, o uso do calcário reduz a necessidade de queimadas, melhora a fertilidade do solo e amplia a produtividade sem exigir a expansão das áreas cultivadas.

Essa lógica dialoga diretamente com uma das principais causas do desmatamento na Amazônia: a abertura de novas áreas agrícolas em solos empobrecidos. Ao corrigir a acidez e neutralizar elementos tóxicos, como o alumínio, o calcário torna áreas já utilizadas mais produtivas, diminuindo a pressão sobre florestas preservadas. A prática permite que o produtor colha mais na mesma área, com menor impacto ambiental.

O secretário executivo de Mineração da Semig, Oziel Mineiro, reforçou que o projeto é parte de uma política pública estruturante para o interior do estado. Para ele, o calcário dolomítico é um insumo estratégico porque alia ganhos agronômicos à conservação ambiental, contribuindo para a sustentabilidade da produção agrícola no Amazonas.

FOTO: Divulgação/Semig
FOTO: Divulgação/Semig

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Política pública e impacto direto nas comunidades rurais

A entrega em Itacoatiara é a terceira ação do projeto “Não Faça Queimadas, Use Calcário!”, que conta com recursos da Emenda Parlamentar nº 44/2025, de autoria do deputado estadual Sinésio Campos (Assembleia Legislativa do Amazonas). Em dezembro de 2025, agricultores dos municípios de Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva também foram beneficiados, com a distribuição de seis e oito toneladas de calcário, respectivamente, alcançando aproximadamente 200 produtores.

Para os agricultores, os resultados são perceptíveis no dia a dia. O representante da Coopram, Joaquim Martins, relatou que o uso do calcário tem refletido em lavouras mais vigorosas e colheitas mais consistentes. A melhoria da estrutura do solo, segundo ele, permite melhor retenção de água, maior desenvolvimento radicular e redução de perdas, especialmente em períodos de estiagem.

Esses efeitos são amplamente reconhecidos por instituições técnicas e científicas. O calcário aumenta a porosidade do solo, melhora a infiltração de água e reduz processos erosivos, um problema que afeta solos agrícolas em diversas regiões do país. Além disso, ao potencializar a absorção de nutrientes, diminui a dependência de fertilizantes químicos, reduzindo custos de produção e impactos ambientais associados.

Calcário, solo vivo e sustentabilidade de longo prazo

Do ponto de vista agronômico, o calcário dolomítico é uma rocha moída rica em carbonato de cálcio e magnésio, dois macronutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas. O cálcio atua na formação da estrutura celular, enquanto o magnésio é elemento-chave da fotossíntese. A correção do pH cria um ambiente mais equilibrado para a microbiota do solo, favorecendo processos naturais de ciclagem de nutrientes.

Além dos ganhos produtivos, a calagem tem papel relevante na mitigação das mudanças climáticas. Ao reduzir a necessidade de abertura de novas áreas agrícolas, contribui indiretamente para a diminuição das emissões de carbono associadas ao desmatamento. Estudos também apontam que solos bem manejados, com maior teor de matéria orgânica, têm maior capacidade de retenção de carbono, reforçando o papel da agricultura sustentável no enfrentamento da crise climática.

Empresas do setor mineral, como o Grupo JOFEGE (JOFEGE), que atua na extração de calcário calcítico e dolomítico, destacam que o uso correto do insumo reduz a aplicação de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, protegendo a qualidade do solo e dos recursos hídricos. Essa lógica reforça a importância de políticas públicas que integrem mineração responsável, agricultura familiar e conservação ambiental.

Ao levar o projeto “Não Faça Queimadas, Use Calcário!” ao interior do Amazonas, o Governo do Estado aposta em uma estratégia que vai além do discurso ambiental. Trata-se de uma ação concreta, baseada em conhecimento técnico, que fortalece a produção rural, protege o meio ambiente e oferece alternativas reais para que o produtor permaneça no campo com dignidade, renda e responsabilidade ambiental.