
Na preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), marcada para 10 a 21 de novembro em Belém, a ciência brasileira reafirma seu papel central na agenda climática, reconhecendo a relevância dos saberes de povos tradicionais. Para Luiz Antonio Elias, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o conhecimento ancestral, acumulado por comunidades indígenas e quilombolas, pode ser integrado às pesquisas científicas para enfrentar os desafios do aquecimento global e das mudanças climáticas.
A Finep, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tem como função principal financiar pesquisa e inovação em todo o país. Nos últimos anos, a instituição ampliou sua atuação, oferecendo instrumentos reembolsáveis e não reembolsáveis para laboratórios, universidades e empresas que atuam em projetos estratégicos. Entre suas áreas de foco estão a biodiversidade, o Complexo Industrial da Saúde (Ceis), minerais estratégicos, energias renováveis, hidrogênio verde e iniciativas de descarbonização, reforçando a dimensão socioambiental da pesquisa nacional.
Durante uma entrevista à Agência Brasil, Elias destacou que a ciência fornece parâmetros essenciais para políticas públicas e para decisões estratégicas, seja no setor urbano, no agronegócio ou na preservação ambiental. “A ciência nos dá elementos de construção das políticas que vão afetar o clima, a qualidade de vida e a saúde da sociedade, inclusive no Brasil”, afirmou.
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Lindsay Levin diz que Brasil conduziu COP30 com habilidade em cenário tensoO presidente da Finep ressaltou ainda que os saberes tradicionais desempenham papel decisivo nesse processo. “Efetivamente, podemos aprender com a ancestralidade. Comunidades tradicionais nos ajudam a identificar elementos da biodiversidade aplicáveis à saúde e à inovação tecnológica. É fundamental que os códigos de propriedade intelectual reconheçam esses direitos e compartilhem benefícios com essas comunidades”, disse Elias.

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O encontro com representantes do setor científico reforçou a ideia de soberania e identidade da ciência brasileira, mostrando que o país tem capacidade de liderar transições ecológicas e energéticas, utilizando seu território e biomas como referência global. Nesse contexto, a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) também é citada como ferramenta de integração regional, reunindo países amazônicos para o desenvolvimento sustentável.
Sobre orçamento e recursos, Elias informou que a Finep vive um momento de expansão. Com a aprovação da Lei 15.184/2025, a instituição passou a contar com superávit financeiro liberado pelo governo federal, ampliando em R$ 22 bilhões o crédito disponível para inovação e pesquisa. Esse reforço financeiro, segundo o presidente, permitirá políticas mais estruturadas e sustentáveis, transformando a Finep em uma política de Estado e não apenas em um instrumento pontual de fomento.
Para Elias, a participação da Finep na COP30 não é apenas institucional, mas estratégica. A integração entre ciência formal e saberes tradicionais permite desenhar soluções inovadoras, ampliar a conscientização sobre mudanças climáticas e consolidar o Brasil como protagonista na agenda ambiental global. Ele lembra que, conforme o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou na ONU, “sem ciência, não há inovação; sem inovação, o Brasil não se desenvolve”.
A entrevista reforça a importância de um diálogo contínuo entre ciência e tradição, essencial para enfrentar os desafios globais de forma inclusiva, sustentável e respeitosa às comunidades locais. A COP30 surge, assim, como oportunidade para mostrar que inovação e ancestralidade podem caminhar juntas, fortalecendo políticas públicas e consolidando o país como referência em soluções climáticas.
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