Consumo de gás natural no Pará mais que dobra em 2025


Gás natural no Pará: consumo em forte aceleração

O ano de 2025 marcou um ponto de virada no uso de gás natural no Pará. Dados consolidados pela Companhia Gás do Pará (GdP) apontam que o consumo de gás natural no estado mais que dobrou no período, refletindo uma combinação de expansão industrial, novos mercados e investimentos em infraestrutura energética. Esse crescimento extraordinário — superior a 105% em relação ao ano anterior — é um indicador claro de que o Pará está se integrando de forma mais profunda às cadeias energéticas modernas do Brasil.

Foto: Alex Ribeiro / Ag. Pará

A trajetória começou em 2024, quando a GdP iniciou efetivamente o atendimento ao setor industrial. No primeiro ano de operações, foram movimentados mais de 344 milhões de metros cúbicos de gás natural. Um ano depois, esse volume mais que se duplicou: em 2025, mais de 708 milhões de metros cúbicos passaram pelas malhas de distribuição da companhia. Esse salto reflete não apenas a adesão de novos consumidores industriais, mas também a consolidação da matriz energética local baseada em gás natural, combustível que muitos setores veem como alternativa mais limpa, eficiente e competitiva frente a combustíveis fósseis tradicionais.

O consumo acelerado coloca o Pará em uma rota de transição energética consistente, impulsionando novas oportunidades de produção, atração de investimentos e inclusão de segmentos econômicos que antes não eram atendidos por uma infraestrutura robusta de gás natural.

Termelétrica Novo Tempo: energia que expande fronteiras

Um dos marcos mais relevantes desse novo ciclo energético no estado é o início do atendimento ao primeiro cliente do segmento termelétrico: a Usina Termelétrica (UTE) Novo Tempo, localizada em Barcarena, município da Região Metropolitana de Belém. Movida a gás natural fornecido pela Gás do Pará, a termelétrica está conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o principal arranjo de transmissão de energia elétrica do Brasil.

A UTE Novo Tempo é a maior usina térmica do estado e projeta um impacto substancial no abastecimento energético regional. A capacidade instalada é suficiente para atender a demanda energética de aproximadamente 10% de toda a região Norte do país e 25% do território paraense. Esse aporte representa um reforço considerável ao sistema elétrico nacional, ao mesmo tempo em que confere ao estado maior autonomia e confiabilidade no fornecimento de energia.

Embora a energia proveniente de termelétricas movidas a combustíveis fósseis seja frequentemente vista como menos sustentável que a de fontes renováveis, no contexto paraense a UTE Novo Tempo traz consigo um potencial de transição energética: ao utilizar gás natural — um combustível com menor emissão de carbono por unidade de energia gerada do que o óleo combustível ou o carvão —, a usina contribui para uma matriz mais limpa e eficiente, especialmente em uma fase de expansão econômica onde a demanda por energia é crescente.

Foto: Augusto Miranda / Ag. Pará
Foto: Augusto Miranda / Ag. Pará

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Infraestrutura e novos mercados para o gás natural

O dinamismo do setor de gás natural no Pará não se limita à industrialização e a grandes geradores de energia. A Companhia Gás do Pará tem planos ambiciosos para ampliar a presença do gás natural no cotidiano da população e das empresas no estado.

Um dos projetos que começam a ganhar forma em 2026 é a implementação de um gasoduto virtual para atender a Região Metropolitana de Belém. Esse sistema permitirá uma rota contínua de fornecimento a partir da malha de distribuição em Barcarena até polos consumidores em Ananindeua, Benevides e Castanhal. A expectativa é que essa estratégia torne o acesso ao gás natural mais eficiente, estável e competitivo, suportando não só a indústria, mas também empreendimentos comerciais e serviços que dependem de energia contínua e de qualidade.

Além disso, o Pará vive a expectativa pela chegada do gás natural veicular (GNV), também por meio da GdP. O GNV representa uma alternativa de abastecimento mais econômica para motoristas de transporte individual e coletivo, além de potencial redução de emissões no setor de transporte. O pré-lançamento do GNV está previsto para o primeiro trimestre de 2026, e deve ampliar ainda mais o volume de gás natural movimentado no estado, além de diversificar as aplicações do combustível na economia local.

Visão estratégica e futuro energético do estado

Para o diretor-presidente da Companhia Gás do Pará, Fernando Flexa Ribeiro, o avanço registrado em 2025 representa um ano de consolidação da empresa no papel de distribuidora de gás natural no estado. A estratégia traçada, respaldada por determinação política do governador Helder Barbalho e da vice-governadora Hana Ghassan, é expandir o atendimento em 2026 para abranger novos mercados, investidores e segmentos da sociedade paraense.

A expansão do consumo de gás natural no Pará não se configura apenas como um dado econômico ou um indicador de crescimento do setor energético local. Ela insere o estado num contexto mais amplo de transição energética, em linha com tendências globais de substituição de combustíveis mais poluentes por alternativas que, embora ainda fósseis, oferecem menor intensidade de carbono e maior eficiência energética.

Esse movimento revela ainda um Pará mais integrado à economia nacional, capaz de oferecer infraestrutura energética competitiva e diversificada. Ao mesmo tempo, a perspectiva de introdução do GNV e a ampliação da rede de distribuição sinalizam que o gás natural pode se tornar um elemento-chave não apenas da matriz energética industrial, mas também da vida cotidiana de empresas e cidadãos.

A consolidação da infraestrutura de gás natural no estado cria um cenário favorável para atrair investimentos, gerar empregos e reduzir custos de energia na produção local. À medida que o Pará amplia o uso do gás natural em setores estratégicos, o estado reforça sua posição no mapa energético do Brasil, navegando de forma ousada entre desafios ambientais e oportunidades de modernização econômica.