Indústria paraense apresenta diretrizes de baixo carbono em evento global em Nova York

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A indústria da Amazônia deu um passo inédito rumo à transição sustentável. Durante a Semana do Clima de Nova York, um dos mais relevantes encontros internacionais sobre ação climática, a Federação das Indústrias do Pará (FIEPA), por meio da Jornada COP+, lançou oficialmente as Diretrizes para uma Indústria de Baixo Carbono. O documento reúne propostas estratégicas que apontam para um novo modelo de desenvolvimento econômico amazônico, equilibrando geração de riqueza, preservação ambiental e inclusão social.

Divulgação - FIEPA

O anúncio ocorreu no SBCOP High Level Event, realizado na sede da Bloomberg em Nova York, diante de um público composto por líderes globais, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU), autoridades brasileiras e executivos de grandes corporações. O presidente da FIEPA e da Jornada COP+, Alex Carvalho, destacou que o guia é fruto de meses de trabalho coletivo em comitês multissetoriais. “Passamos da sociobioeconomia à infraestrutura; da comunicação à governança; da transição energética à transformação digital. São eixos que convergem para um modelo econômico mais resiliente e conectado ao futuro”, afirmou.

Sustentabilidade como estratégia de desenvolvimento

O governador do Pará, Helder Barbalho, ressaltou a importância de alinhar a proteção da floresta à criação de empregos verdes e anunciou a inauguração, ainda em setembro, do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém. Segundo ele, o espaço será um marco para a região e deixará um legado de inovação tecnológica aliado à sustentabilidade.

A visão de integração entre meio ambiente e qualidade de vida também foi defendida pelo ministro das Cidades, Jader Filho, que apontou a necessidade de incluir a agenda urbana nas discussões climáticas. Para ele, investimentos internacionais devem ser direcionados não apenas para preservar biomas, mas também para modernizar o saneamento, garantir abastecimento de água e melhorar a mobilidade urbana nas cidades brasileiras.

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Divulgação – FIEPA

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A perspectiva da indústria global

Entre os apoiadores da Jornada COP+ está a multinacional Hydro, que mantém operações no Pará e tem investido em processos de descarbonização. O CEO da empresa, Anderson Baranov, reforçou que a Semana do Clima é a última grande vitrine internacional antes da COP30, em Belém, e representa uma oportunidade para o Brasil mostrar ao mundo tanto suas soluções ambientais quanto os desafios enfrentados pela Amazônia. “É o momento de divulgar nossa cultura, mas também de evidenciar o que precisamos superar em termos de investimentos e sustentabilidade”, afirmou.

A programação contou ainda com mesas redondas organizadas pelo jornal Valor Econômico em parceria com a Amcham Brasil e com a Câmara de Comércio Americana, reunindo ministros, diplomatas e executivos para alinhar compromissos rumo à conferência de Belém.

Lideranças brasileiras em destaque

Representando o Brasil e a Amazônia, estiveram presentes Tatiana Rosito, secretária do Ministério da Fazenda; Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil nos Estados Unidos; Dan Ioschpe, Campeão Climático de Alto Nível da COP30; Marcella Novaes, vice-presidente da FIEPA e da Jornada COP+; e Ricardo Mussa, presidente da Sustainable Business COP30 (SB COP).

Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou que a participação da FIEPA em Nova York reforça a presença qualificada do setor industrial brasileiro nas negociações climáticas globais. “É a oportunidade de consolidar o engajamento da indústria e mostrar que estamos dispostos a oferecer soluções de alcance internacional”, disse.

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Divulgação – FIEPA

Dez recomendações estratégicas

O documento lançado apresenta dez recomendações prioritárias para orientar a economia verde na Amazônia:

  • descarbonizar a matriz energética com biomassa sustentável

  • ampliar a rastreabilidade das cadeias produtivas

  • consolidar a economia circular como eixo estruturante

  • estruturar a sociobioeconomia amazônica

  • fortalecer o protagonismo de mulheres e povos tradicionais

  • atrair investimentos verdes

  • expandir a inclusão e infraestrutura digital

  • garantir integração regional por meio de infraestrutura estratégica

  • construir unidade pela reputação da Amazônia

  • capacitar empresários e equipes em práticas de baixo carbono

Mais de 180 especialistas, ligados a 153 organizações de mais de 30 setores, contribuíram com o processo, liderado por onze grupos temáticos.

As diretrizes integram a construção do documento Legados da Sustainable Business COP30, que será entregue em novembro durante a COP30 em Belém. A expectativa é que esse material reforce a posição do Brasil como ator-chave na transição global para uma economia de baixo carbono e apresente a Amazônia não apenas como área de risco ambiental, mas como um território de soluções, inovação e oportunidades sustentáveis.