Operação Tamoiotatá 2025 expõe o avanço da fiscalização ambiental no sul do Amazonas
O balanço da Operação Tamoiotatá 2025 revela a dimensão do esforço do Estado para conter o avanço do desmatamento e de outros crimes ambientais no sul do Amazonas, uma das regiões mais pressionadas pela expansão ilegal sobre a floresta. Ao longo de nove fases realizadas durante o ano, a ação integrada coordenada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas resultou na aplicação de R$ 144,7 milhões em multas ambientais, além de embargos, apreensões e interdições de áreas exploradas de forma irregular.

Mais do que números expressivos, os resultados indicam uma estratégia de fiscalização cada vez mais estruturada, baseada em inteligência territorial, monitoramento remoto e atuação direta em campo. Em um estado onde as distâncias são vastas e o acesso é difícil, a operação se consolida como uma das principais frentes de enfrentamento aos ilícitos ambientais que ameaçam a integridade da floresta amazônica.
Multas, embargos e áreas interditadas: o retrato de 2025
Segundo o balanço divulgado pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a operação acumulou R$ 144.719.048 em multas aplicadas ao longo do ano. Além disso, foram lavrados autos de infração e emitidos 164 termos de embargo ou interdição, atingindo diretamente atividades ilegais que avançavam sobre áreas de floresta nativa.
Ao todo, 16.176,09 hectares foram interditados por desmatamento ou exploração irregular, uma extensão que evidencia o impacto ambiental das práticas combatidas pela fiscalização. As principais irregularidades identificadas incluem desmatamento sem autorização ambiental, queimadas ilegais, exploração e transporte clandestino de produtos florestais e a reincidência em áreas que já estavam sob embargo.
As ações se concentraram em municípios estratégicos do sul do estado, como Apuí, Boca do Acre, Canutama, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Maués, Novo Aripuanã e Tapauá. Essas localidades figuram de forma recorrente nos alertas de desmatamento e queimadas, tornando-se prioridade nas operações de campo.
De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, os resultados refletem o fortalecimento da presença do poder público nas áreas mais críticas. Para ele, a fiscalização ambiental se afirma como instrumento central na proteção do patrimônio natural do Amazonas e na responsabilização de quem atua à margem da legislação.

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Inteligência ambiental e atuação integrada no território
Um dos diferenciais da Operação Tamoiotatá está na forma como as ações são planejadas. A fiscalização não ocorre de maneira aleatória, mas orientada por análises técnicas, imagens de satélite e cruzamento de dados que permitem identificar os pontos mais sensíveis do território.
Segundo o gerente de Fiscalização do Ipaam, Marcelo Barroncas, a operação foi estruturada com base no monitoramento por polígonos e no planejamento operacional detalhado. Esse modelo aumenta a precisão das autuações e otimiza o uso dos recursos humanos e logísticos disponíveis, ampliando o alcance territorial das equipes.
Na prática, isso significa que as frentes de fiscalização terrestre atuam em áreas previamente mapeadas como críticas, reduzindo a margem de evasão dos infratores e fortalecendo a presença do Estado em regiões historicamente vulneráveis à grilagem, às queimadas e à exploração ilegal de recursos naturais.
A atuação integrada entre diferentes órgãos também é um elemento central da operação. A Tamoiotatá reúne forças ambientais, de segurança pública e de resposta a emergências, criando uma rede de cooperação que potencializa os resultados em campo e garante maior segurança às equipes envolvidas.
Recursos revertidos ao meio ambiente e reforço institucional
Os valores arrecadados com as multas aplicadas durante a Operação Tamoiotatá têm destinação específica: são direcionados ao Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema), instrumento de financiamento de ações e projetos voltados à proteção ambiental no Amazonas. O fundo é vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente, responsável por articular políticas públicas ambientais no âmbito estadual.
Essa destinação garante que os recursos oriundos da responsabilização por crimes ambientais retornem à sociedade na forma de investimentos em conservação, fiscalização, educação ambiental e fortalecimento institucional. Trata-se de um mecanismo que reforça a lógica de que quem degrada o meio ambiente deve contribuir para sua recuperação e proteção.
A Operação Tamoiotatá é uma ação integrada do Governo do Amazonas e envolve, além do Ipaam, a Secretaria de Estado de Segurança Pública, a Secretaria Executiva-Adjunta de Planejamento e Gestão Integrada, o Centro Integrado de Comando e Controle, a Polícia Civil do Amazonas, o Batalhão de Policiamento Ambiental da Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.
Ao final de 2025, a Tamoiotatá se consolida como uma das principais estratégias de combate aos ilícitos ambientais no estado. Seus resultados demonstram que a combinação entre inteligência, planejamento e atuação contínua é capaz de frear o avanço do desmatamento ilegal e reafirmar o compromisso do Amazonas com a proteção de seu patrimônio natural.
















































