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O cultivo do amendoim no Brasil acaba de ganhar um novo aliado estratégico. Produtores rurais, técnicos agrícolas e profissionais ligados à cadeia produtiva passam a contar com um sistema de produção atualizado, detalhado e alinhado às transformações recentes do setor. A nova publicação técnica, lançada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), reúne décadas de pesquisa aplicada e traduz o conhecimento científico em orientações práticas, capazes de apoiar decisões no campo e reduzir riscos produtivos.
Mais do que um manual, o documento funciona como um mapa completo da cultura do amendoim, abordando desde os fatores ambientais que condicionam o sucesso da lavoura até os desafios de mercado e rentabilidade. O objetivo é claro: oferecer subsídios técnicos para que o produtor consiga planejar melhor a safra, elevar a produtividade, garantir qualidade e responder a um mercado cada vez mais exigente.
A publicação percorre todo o ciclo produtivo, passando por clima, solo, escolha de cultivares, produção de sementes, preparo da área, plantio, adubação, manejo de plantas daninhas, pragas e doenças, colheita, pós-colheita e estratégias de comercialização. Ao reunir esses temas em um único sistema, a Embrapa consolida um modelo de produção que dialoga com a realidade atual da agricultura brasileira.
O lançamento do novo sistema de produção ocorre em um momento de expansão expressiva da cultura no país. Historicamente concentrado no estado de São Paulo — responsável pela maior parte da produção nacional — o amendoim vem ganhando espaço em outras regiões, como Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins. Esse avanço revela uma combinação de fatores: melhoria genética das cultivares, mecanização mais eficiente e aumento da demanda interna e externa por alimentos ricos em proteína e óleo vegetal.
De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2024/2025 deve ultrapassar a marca de 1 milhão de toneladas, representando um crescimento de cerca de 60% em relação à safra anterior.
Esse salto não é fruto do acaso. Ele reflete investimentos contínuos em pesquisa, transferência de tecnologia e profissionalização da cadeia produtiva. O novo sistema de produção surge, portanto, como resposta a um setor que deixou de ser complementar para assumir papel estratégico na diversificação agrícola e na pauta de exportações brasileiras.
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Um dos pontos centrais da publicação é a valorização das cultivares modernas, especialmente as do tipo rasteiro, conhecidas como runner. Desenvolvidas para maior adaptação à colheita mecanizada, essas variedades permitiram ganhos significativos de eficiência, redução de perdas e padronização do produto final. O avanço genético, aliado ao manejo adequado do solo e à nutrição equilibrada das plantas, tem sido decisivo para a competitividade do amendoim brasileiro.
Os editores técnicos da obra — os pesquisadores Augusto Costa, Dartanhã Soares e Taís Suassuna, da Embrapa Algodão — destacam que o aprimoramento do sistema produtivo vai além da lavoura.
Segundo eles, protocolos rigorosos de controle de qualidade, especialmente nas etapas de colheita e pós-colheita, são fundamentais para consolidar a reputação do amendoim nacional. As cultivares alto oleicas, por exemplo, apresentam grãos com maior estabilidade oxidativa, característica valorizada pela indústria alimentícia e pelos mercados internacionais.
Esse conjunto de fatores explica por que o amendoim brasileiro tem sido reconhecido pela qualidade e segurança alimentar. Em um cenário global cada vez mais atento à rastreabilidade e aos padrões sanitários, o sistema de produção atualizado reforça práticas que atendem tanto às exigências do consumidor quanto às normas internacionais de comércio.
Além do desempenho econômico, a nova publicação contextualiza o amendoim dentro de uma agenda mais ampla, que envolve segurança alimentar e sustentabilidade. Rico em óleo, proteínas, vitaminas e minerais, o amendoim é uma leguminosa de alto valor nutricional, capaz de contribuir para dietas mais equilibradas e acessíveis. Sua adaptação a diferentes condições de clima e solo faz da cultura uma alternativa viável em diversas regiões do país e do mundo.
Os pesquisadores ressaltam que a versatilidade do amendoim permite sua inserção em sistemas de rotação de culturas, favorecendo a saúde do solo e a diversificação da produção agrícola. Quando bem manejada, a cultura pode integrar estratégias de uso mais racional da terra, alinhadas às demandas por produtividade e conservação ambiental.
Nesse sentido, o novo sistema de produção não se limita a apresentar técnicas isoladas. Ele propõe uma visão integrada, na qual eficiência produtiva, qualidade do alimento e sustentabilidade caminham juntas. Ao disponibilizar esse conhecimento de forma acessível, a Embrapa reforça seu papel como ponte entre a pesquisa científica e a realidade do produtor rural.
O guia técnico já está disponível para acesso público e se consolida como uma ferramenta estratégica para quem busca compreender o presente e planejar o futuro da cultura do amendoim no Brasil. Em um setor em plena transformação, informação qualificada torna-se tão valiosa quanto a própria semente.
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