Hipopótamo Ramon chega ao Zoo de São Paulo após 20 anos sozinho e ganha companheira

Transferido do litoral paulista, Ramon inicia adaptação ao lado de Colônia em programa de conservação genética da EAZA

Hipopótamo em recinto de zoológico cercado por água e vegetação
Hipopótamo Ramon inicia adaptação no Zoológico de São Paulo / Divulgação

Transferido do litoral paulista, o macho inicia adaptação ao lado de Colônia, fêmea de 35 anos, em programa internacional de conservação da espécie

Neste artigo
  1. Adaptação segue protocolo internacional
  2. Por que a transferência é importante
  3. Conexão com a conservação no Brasil
  4. Próximos passos

O hipopótamo Ramon, que viveu por duas décadas no Parque Ecológico de Voturúa, em São Vicente, na Baixada Santista, foi transferido para o Zoológico de São Paulo com uma missão especial: formar casal com a fêmea Colônia e contribuir para a conservação genética da espécie, classificada como vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Adaptação segue protocolo internacional

Desde o final de março de 2026, Ramon permanece em um recinto adjacente ao de Colônia, uma fêmea de 35 anos que vive no zoológico desde 1997. A estratégia permite o contato indireto por meio de estímulos visuais e olfativos, etapa considerada fundamental antes de qualquer convivência no mesmo espaço.

Hipopótamo-comum em recinto de zoológico ao lado de lago
Ramon viveu duas décadas no Parque Ecológico de Voturuá, em São Vicente / Divulgação

Segundo a equipe técnica do Zoo SP, o processo de aproximação segue protocolos adotados por instituições de conservação no mundo todo, que incluem avaliação de saúde, análise comportamental e verificação de compatibilidade genética.

Nos primeiros dias, Ramon se mostrou receoso e observador. Três semanas depois, já explora o ambiente com mais confiança. A expectativa é que, se o progresso continuar, os dois dividam o mesmo recinto em breve.

Por que a transferência é importante

O hipopótamo-comum (Hippopotamus amphibius) é o terceiro maior mamífero terrestre do planeta, podendo pesar entre 1,5 e 4,5 toneladas. Apesar do tamanho, a espécie enfrenta declínio populacional na África devido à perda de habitat e à caça ilegal.

Segundo a IUCN, o hipopótamo-comum é classificado como “vulnerável” desde 2006, com populações em queda em diversas regiões do continente africano.

Com a chegada de Ramon, o Zoológico de São Paulo amplia sua participação no studbook europeu da espécie, coordenado pela Associação Europeia de Zoológicos e Aquários (EAZA). Esse registro genético internacional permite planejar cruzamentos que mantenham a diversidade genética em cativeiro, essencial para a sobrevivência a longo prazo.

Conexão com a conservação no Brasil

Embora o hipopótamo não seja nativo da fauna brasileira, o caso de Ramon ilustra como zoológicos do país participam ativamente de redes globais de conservação ex situ. No Brasil, programas semelhantes são aplicados para espécies amazônicas ameaçadas, como a ariranha, o peixe-boi amazônico e a harpia.

Entenda o caso

Ramon viveu cerca de 20 anos no Parque Ecológico de Voturúa, em São Vicente (SP). Em março de 2026, foi transferido para o Zoológico de São Paulo para formar casal com Colônia, fêmea que vive no local desde 1997. A aproximação segue protocolos internacionais de conservação genética, e o casal integra o studbook da EAZA.

Próximos passos

A equipe do Zoo SP monitora diariamente o comportamento de Ramon e Colônia. Caso a adaptação evolua de forma positiva, a fase seguinte será a convivência no mesmo recinto, com acompanhamento veterinário contínuo. Um eventual filhote representaria ganho significativo para a conservação da espécie em cativeiro na América do Sul.

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