O segredo para identificar a cobra coral venenosa na Amazonia

O segredo para identificar a cobra coral venenosa na Amazonia

Encontrar uma cobra intensamente colorida rastejando no quintal de casa, no sítio da família ou durante uma caminhada na trilha do fim de semana sempre rende um bom susto e muita apreensão. No entanto, o grande detalhe que pouquíssima gente sabe é que a famosa rima estrangeira sobre a ordem das cores vermelha e amarela simplesmente não funciona para identificar todas as espécies que habitam a nossa região norte. A cobra-coral é dona de um dos venenos neurotóxicos mais potentes de todo o território nacional, superando até mesmo a temida jararaca no quesito toxicidade. Apesar de carregar essa fama perigosa, ela é um animal extremamente tímido que sempre prefere tentar fugir para o meio do mato. Entender de vez os sinais visuais desse réptil fascinante pode salvar a sua vida, evitar acidentes graves e ainda proteger a nossa rica fauna local de mortes desnecessárias.

O perigo silencioso das folhagens

Quando nós falamos sobre a vasta biodiversidade do Norte do país, o grupo das serpentes do gênero micrurus Amazônia merece um destaque todo especial. Essas são as corais verdadeiras e letais da nossa região, e elas adoram viver em ambientes com muita umidade, escondidas sob grossas camadas de folhagens secas acumuladas no chão escuro das matas e muito próximas das margens dos nossos igarapés. Diferente de outras serpentes venenosas famosas, as corais possuem presas de veneno fixas e muito curtas, o que significa que elas precisam “mastigar” a pele da vítima por alguns segundos para conseguir injetar a peçonha. Justamente por terem a estrutura da boca muito pequena, os acidentes graves são bastante raros nas estatísticas do Ministério da Saúde, ocorrendo quase sempre quando alguma pessoa tenta pegar o animal silvestre com as mãos desprotegidas.

O desafio da identificação na floresta

O grande desafio para os moradores do Pará e do Amazonas é justamente desvendar o enigma da coral falsa e verdadeira Brasil no ambiente selvagem. Várias cobras inofensivas copiaram com perfeição o padrão de anéis vermelhos, pretos, brancos e amarelos ao longo de milhares de anos para enganar os predadores naturais. O problema prático é que confiar apenas na ordem dos anéis coloridos não é uma estratégia segura na nossa floresta.

diferença entre as cobras coraisEntão sempre fica a dúvida sobre a cobra-coral venenosa como identificar de forma segura sem precisar ser um especialista. A resposta prudente é sempre tratar toda e qualquer cobra colorida com anéis como se fosse a versão verdadeira. Mas os especialistas apontam características físicas notáveis. As corais verdadeiras costumam ter olhos minúsculos e a cabeça não tem formato triangular. Outro ponto vital é que os anéis da cobra verdadeira dão a volta completa na barriga do animal, parecendo alianças perfeitas. Já a grande maioria das corais falsas possuem a barriga inteira branca ou manchada, quebrando o desenho dos anéis.

Como proteger o seu quintal e a sua família

Para quem mora nas áreas mais arborizadas de Belém ou nos belos municípios do interior do nosso estado, o encontro com esses animais pode acontecer durante a limpeza de terrenos ou no manejo de plantações. A umidade constante do nosso clima equatorial cria o berçário perfeito para a reprodução delas.

Veja atitudes fáceis para evitar acidentes na sua propriedade:

  • Mantenha o seu quintal sempre limpo, roçado e totalmente livre de montinhos de folhas secas acumuladas.

  • Evite deixar restos de materiais de construção, telhas velhas e tijolos amontoados pelos cantos úmidos.

  • Use sempre botas de cano alto resistentes e luvas de couro grossas sempre que for limpar terrenos sujos.

  • Ao caminhar por trilhas em matas fechadas, preste atenção onde coloca o pé e nunca coloque as mãos nuas em buracos escuros.

O que fazer no momento do encontro

Se o encontro visual acontecer mesmo com todos esses cuidados rigorosos, lembre que o desespero e a correria são os seus piores inimigos. Não tente bater com pedaços de madeira ou capturar para tirar fotos.

Saiba exatamente o que fazer de forma prática:

  • Afaste-se bem devagar do local, andando para trás lentamente e sem fazer movimentos bruscos.

  • Isole toda a área do quintal ou da casa para que as crianças pequenas e os animais de estimação não se aproximem.

  • Se o animal estiver dentro de casa, chame imediatamente as equipes do Corpo de Bombeiros do Pará através do número de emergência 193.

  • Em caso de acidente, lave o local apenas com água e sabão e procure atendimento médico. No Pará, o Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), em Belém (Rua dos Mundurucus, 4487, Guamá, atendimento 24h para emergências), é a referência para o tratamento com o soro antielapídico.

Dica Extra Muitas pessoas das nossas comunidades acreditam fielmente que a cobra-coral tem a capacidade de dar saltos venenosos de muito longe, mas isso é um grande mito popular que precisa acabar. Elas rastejam de forma lenta e não possuem habilidade física para projetar o corpo velozmente para frente. Portanto, apenas manter a distância mínima de segurança de um metro e meio já é mais do que suficiente para você sair dessa situação totalmente seguro.

Compartilhe agora mesmo este texto no grupo da família no WhatsApp para que todos os seus parentes e vizinhos saibam exatamente como agir de forma correta e garantam a segurança de quem a gente mais ama!

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