A Planet Tracker demonstrou a materialidade financeira das mudanças climáticas para a indústria de frutos do mar em pesquisas anteriores, incluindo In Hot Water (atum da Indonésia), Pollockonomics (EUA/Rússia, polaca do Alasca) e Fishful Thinking (pesca em águas distantes na China). Esses riscos impactam tanto a aquicultura quanto a pesca extrativa. Suas manifestações físicas, econômicas e financeiras se propagam pelas cadeias de valor, afetando economias, meios de subsistência, estruturas sociais, segurança alimentar e geopolítica. Esses riscos impulsionados pelo clima são agravados por outros fatores de perda de biodiversidade no contexto de uma crescente demanda por frutos do mar.

A saúde da indústria de frutos do mar depende da produtividade oceânica, da abundância de espécies e da estabilidade do ecossistema. As mudanças climáticas estão pressionando esses recursos naturais, colocando em risco os investimentos financeiros na economia de frutos do mar.
Suas manifestações físicas, econômicas e financeiras se propagam pelas cadeias de valor e afetam economias, meios de subsistência, estruturas sociais, segurança alimentar e geopolítica. Investimentos em adaptação são necessários.
Estrutura deste relatório
Este relatório ilustra a urgência de mitigar e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas, caracterizando as diferentes maneiras pelas quais as mudanças climáticas afetam financeiramente empresas, governos, comunidades e investimentos na indústria de frutos do mar.

Primeiramente, apresentamos os principais riscos para a produção de frutos do mar, ilustrados por estudos de caso que demonstram como esses riscos já estão se materializando. Em seguida, discutimos seu impacto na economia em geral e no sistema financeiro. Demonstramos então como os riscos físicos podem se traduzir em riscos financeiros, descrevendo como as mudanças em variáveis físicas, como temperatura da água do mar, salinidade ou prevalência de doenças, podem impactar a lucratividade.
Concluímos mostrando como os investimentos em adaptação podem mitigar esses riscos.

Ao longo deste relatório, usamos o termo “indústria de frutos do mar” para nos referirmos à pesca industrial e à aquicultura, bem como às etapas subsequentes da cadeia de suprimentos (processamento, atacado, armazenamento e varejo).
As referências a “produtores de frutos do mar” abrangem apenas a pesca e a aquicultura.
Uma descrição financeira da indústria de frutos do mar pode ser encontrada aqui.
Embora os riscos climáticos também impactem a pesca não industrial e a aquicultura, este relatório se concentra na indústria de frutos do mar, nas instituições financeiras e nos governos envolvidos em seu financiamento e gestão.
Retivemos apenas os riscos relacionados às mudanças climáticas que se originam no oceano. Questões como interrupções no abastecimento de água doce ou na disponibilidade de ração à base de ingredientes terrestres não são abordadas neste relatório.

- Isso demonstra que a indústria de frutos do mar é significativamente afetada pelas mudanças climáticas, com perdas na receita da pesca que podem chegar a US$ 15 bilhões até 2050 em cenários de altas emissões, enquanto os investimentos em adaptação permanecem mínimos.
- Apresenta uma tipologia de 83 riscos decorrentes das mudanças climáticas para a indústria de frutos do mar, demonstrando, por meio de estudos de caso, que muitos desses riscos já estão destruindo bilhões de dólares em valor financeiro.
- Mapeia os caminhos pelos quais os riscos físicos se transformam em riscos financeiros.
- Argumenta que variáveis biofísicas como a temperatura do mar, eventos climáticos extremos ou biomassa de peixes são fatores-chave para o desempenho financeiro presente e futuro.

A organização sem fins lucrativos Planet Tracker, sediada em Londres, divulgou um relatório que descreve como os efeitos das mudanças climáticas, incluindo o aquecimento dos oceanos, a acidificação e a alteração das correntes marítimas, ameaçam a indústria global de frutos do mar. Segundo o estudo, se as emissões permanecerem altas e os investimentos baixos, as perdas na receita da pesca poderão chegar a US$ 15 bilhões anualmente até 2050.
A organização afirmou que as mudanças climáticas amplificam uma complexa rede interligada de riscos físicos, econômicos, financeiros e sistêmicos, impactando tanto a aquicultura quanto a pesca extrativa. Suas manifestações físicas, econômicas e financeiras se propagam pelas cadeias de valor e afetam economias, meios de subsistência, estruturas sociais, segurança alimentar e geopolítica.

A Planet Tracker é um think tank financeiro (organização que cria e dissemina conhecimento sobre os mais variados temas) que fornece análises para alinhar os mercados de capitais aos limites planetários. Seu estudo apresenta uma tipologia de 83 riscos impulsionados pelas mudanças climáticas para a indústria de frutos do mar, demonstrando, por meio de estudos de caso, que muitos desses riscos já estão destruindo bilhões de dólares em valor financeiro.
O estudo também mapeia os caminhos pelos quais os riscos físicos se transformam em riscos financeiros e argumenta que variáveis biofísicas, como a temperatura do mar, eventos climáticos extremos ou biomassa de peixes, são fatores-chave para o desempenho financeiro presente e futuro.
O estudo observa que o aquecimento das águas já está alterando a distribuição das espécies, causando proliferação de algas e águas-vivas, acidificação dos oceanos e desoxigenação. Por exemplo, espécies de águas quentes, como o robalo e a anchova, migraram para áreas ao redor do Reino Unido que antes seriam consideradas frias demais para elas ou para suas presas.

Outras espécies, como o bacalhau, o tamboril e a solha, migraram para águas mais profundas e latitudes mais altas para se manterem em temperaturas mais amenas. Por exemplo, o bacalhau do Atlântico, no Mar do Norte, é tradicionalmente encontrado a 200-300 metros abaixo do nível do mar, em águas com temperaturas de até 15°C, mas está migrando para latitudes mais altas e águas mais profundas.
“Até 2100”, diz o relatório, “a biomassa de espécies valiosas de água fria, como arenque, bacalhau e arinca, deverá diminuir entre 10% e 20% no Mar do Norte, em cenários de aquecimento moderado”.
Essas mudanças podem produzir uma série de efeitos, incluindo disputas sobre direitos de pesca, perda de empregos e questões geopolíticas.






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