
A engrenagem que dita o ritmo da vida e do comércio nas águas do Amazonas está prestes a girar novamente em favor dos pescadores e dos consumidores de uma das espécies mais icônicas da região. Após exatos seis meses de silêncio nas redes e anzóis específicos, o período de defeso do tambaqui chega oficialmente ao fim nesta terça-feira, 31 de março de 2026. A partir do primeiro minuto de abril, os rios e lagos do estado voltam a ecoar o movimento da pesca extrativista, devolvendo às mesas uma das maiores iguarias da culinária nortista.
A pausa forçada, que teve início em 1º de outubro do ano passado, não foi um mero capricho burocrático, mas uma estratégia vital de sobrevivência da espécie. Durante esse meio ano, o tambaqui teve a paz necessária para realizar suas migrações reprodutivas e garantir que as futuras gerações do peixe povoassem as bacias hidrográficas. O timing para o encerramento da proibição não poderia ser mais perfeito para a economia local: ocorre às vésperas da Semana Santa, período em que a busca pelo pescado atinge o ápice do ano nas feiras e mercados manauaras.
A reposição dos estoques e o alívio para a Semana Santa
O período de defeso funciona como uma espécie de poupança biológica para a Amazônia. Ao proibir a captura do tambaqui em seu ambiente natural durante a época de desova, os órgãos ambientais garantem que os peixes consigam completar seu ciclo de vida sem a pressão predatória humana. O resultado prático dessa paciência ecológica é sentido diretamente no bolso do consumidor e na rede do pescador.
Segundo a diretoria do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a liberação da pesca neste momento garante um abastecimento farto e sustentável para as celebrações religiosas que se aproximam. Com os estoques naturais recompostos, a tendência é que o mercado receba um volume expressivo de peixes grandes e saudáveis, evitando a inflação abusiva nos preços do quilo do tambaqui que costuma assombrar as famílias ribeirinhas e urbanas durante a quaresma.

Regras do jogo: Tamanho mínimo e fiscalização rigorosa
Apesar do clima de celebração com a reabertura da temporada de pesca, o Ipaam faz um alerta enfático: o fim do defeso não significa um “liberou geral” predatório. Para garantir que a espécie continue prosperando nos próximos anos, a legislação ambiental impõe regras rígidas de captura que continuam valendo mesmo fora do período de defeso. A principal delas é o tamanho mínimo do peixe: é proibido capturar, transportar ou comercializar tambaquis que meçam menos de 55 centímetros.
Essa medida visa assegurar que o animal já tenha passado por pelo menos um ciclo reprodutivo antes de ser retirado do rio. Quem for flagrado desrespeitando essa ou outras normas de ordenamento pesqueiro estará cometendo um crime ambiental grave. As punições previstas na legislação federal são pesadas e incluem:
Multas pesadas que variam de R$ 700 a R$ 100 mil, acrescidas de R$ 20 por quilo de pescado irregular;
Apreensão imediata de todo o peixe capturado;
Retenção de redes, varas, motores e até das embarcações utilizadas no crime;
Processos nas esferas administrativa e penal para os infratores.

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O mercado da piscicultura e os canais de denúncia
Vale ressaltar que, durante todos os últimos seis meses em que os rios estiveram “fechados” para a pesca do tambaqui, os consumidores não ficaram completamente desassistidos. A legislação brasileira excetua do defeso os peixes criados em cativeiro. Os tambaquis provenientes de pisciculturas e fazendas aquícolas regularizadas puderam ser comercializados normalmente durante todo o semestre, funcionando como um motor econômico alternativo e poupando a pressão sobre as populações selvagens.
Agora, com o retorno da pesca nos ambientes naturais, a fiscalização do Ipaam continuará atenta para garantir que ninguém tente lavar peixes ilegais ou fora do tamanho permitido fingindo que são de cativeiro. Para ajudar a proteger esse patrimônio natural, o órgão ambiental mantém um canal aberto com a população. Qualquer cidadão que presenciar a captura de peixes abaixo do tamanho permitido ou outras irregularidades pode fazer uma denúncia anônima para a Gerência de Fiscalização Ambiental (Gefa) através do WhatsApp: (92) 98557-9454.










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