Calor sem precedentes incendeia a Cidade Maravilhosa
A segunda-feira de 12 de janeiro de 2026 entrou para a história meteorológica do Rio de Janeiro. Os termômetros instalaram um novo patamar de calor quando a estação de medição em Santa Cruz, na zona oeste da cidade, marcou 41,4 °C — a maior temperatura registrada na capital fluminense nos primeiros dias do ano. Essa marca foi confirmada pelo Sistema Alerta Rio, apontando um cenário intenso de radiação solar e ar quente estacionado sobre a região metropolitana.

Santa Cruz, conhecida por suas temperaturas frequentemente acima da média, refletiu de forma dramática o impacto do calor extremo: ruas fervilhando sob o sol, fachadas que pareciam irradiar calor e pessoas buscando sombra onde fosse possível. Esse episódio remete a um verão que já vinha registrando dias escaldantes e prenuncia um fim de estação persistente e exigente para a população carioca.
Previsão instável e persistente calorão
O calor intenso não chegou de forma isolada. Depois desse recorde, o próprio Sistema Alerta Rio emitiu previsões que sinalizam a continuidade de temperaturas elevadas ao longo da semana. Enquanto a noite de 12 de janeiro permaneceu com céu claro a parcialmente nublado e sem chuva significativa, os próximos dias trarão variações no clima. Segundo as projeções, entre terça-feira (13) e sexta-feira (16), áreas de instabilidade ligadas ao calor poderão desencadear pancadas isoladas de chuva no fim da tarde ou à noite, embora as máximas continuem altas.
A previsão aponta máximas em torno de 39 °C na terça-feira, com leve recuo nas temperaturas nos dias seguintes — entre 36 °C e 37 °C. Mesmo assim, esses números permanecem muito acima do que seria considerado confortável para grande parte da população, refletindo uma sequência de dias quentes que não tende a ceder rapidamente.

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Impactos na saúde e resposta das autoridades
A onda de calor tem repercussões muito além do desconforto térmico. Segundo o Centro de Inteligência em Saúde do Estado do RJ, sete dos 92 municípios fluminenses entraram em nível Laranja – Severo de alerta por excesso de calor. A própria cidade do Rio de Janeiro está nessa classificação e permanece sob condição de risco por pelo menos mais um dia. Em Guapimirim, na região metropolitana, os níveis chegaram ao nível Vermelho – Extremo, indicando ameaça elevada à saúde da população.
Diante desse quadro, a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro intensificou ações estratégicas para proteger grupos mais vulneráveis, como idosos e crianças. Foram instalados pontos de hidratação externa em 27 unidades de Pronto Atendimento (UPA), onde profissionais orientam sobre a ingestão de líquidos e oferecem sais de reidratação quando necessário.
Ao mesmo tempo, o Samu 192 reforçou sua capacidade operacional com motolâncias e veículos de intervenção rápida posicionados em pontos estratégicos da capital. As unidades de saúde adotaram protocolos específicos de classificação de risco para atender a possíveis casos de insolação, desidratação e outras complicações relacionadas ao calor extremo.
Uma cidade adaptando-se ao clima quente
Esse episódio caloroso em pleno janeiro reforça uma tendência já sentida pelos cariocas: verões progressivamente mais intensos e duradouros. Em dias assim, a rotina da população muda rapidamente — horários de atividades ao ar livre são repensados, consumo de água aumenta, e a busca por espaços climatizados torna-se prioridade.
Além disso, a infraestrutura da cidade é desafiada. Hospitais e serviços de emergência precisam preparar suas equipes para um volume maior de atendimentos; sistemas de transporte público enfrentam a tensão do uso contínuo por pessoas expostas ao sol; e serviços sociais ampliam campanhas de prevenção para reduzir riscos de saúde pública.
O calor que ardia nas ruas do Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 2026 não foi apenas um fenômeno meteorológico — foi um evento que testou a resiliência urbana, a capacidade de resposta das instituições públicas e a adaptação diária de milhões de moradores e visitantes da Cidade Maravilhosa.






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