
Um avanço científico sem precedentes está transformando o conhecimento sobre os rios da Amazônia. Pela primeira vez, o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) utiliza tecnologia de sonar multifeixe para produzir um mapeamento tridimensional de alta resolução do leito de rios amazônicos. O projeto, que combina geofísica, navegação de precisão e inteligência de dados, promete revolucionar desde a segurança da navegação ribeirinha até a compreensão dos processos geológicos da maior bacia hidrográfica do planeta.
“Estamos criando um ‘raio-X’ do fundo dos nossos rios. É como se, pela primeira vez, pudéssemos enxergar com clareza o que sempre esteve escondido sob as águas turvas da Amazônia”, explica o geólogo Marcelo Fonseca, coordenador técnico do projeto no SGB.
Como funciona a tecnologia que “enxerga” debaixo d’água
O coração do projeto é o sonar multifeixe (MBES), um sistema acústico que emite centenas de feixes de som em formato de leque, varrendo uma faixa ampla do fundo do rio a cada instante. Ao medir o tempo que o som leva para voltar após atingir o leito, o equipamento calcula a profundidade com precisão centimétrica.

Mas o MBES não trabalha sozinho. Ele é integrado a:
- Sistema de navegação GPS/INS: garante posicionamento exato da embarcação, corrigindo movimentos de onda e correnteza;
- Sonar de varredura lateral (SSS): gera imagens acústicas de alta resolução da textura do fundo, identificando objetos como troncos, rochas e estruturas artificiais;
- Perfilador de subfundo (SBP): “enxerga” camadas geológicas abaixo dos sedimentos recentes, revelando a estrutura profunda do leito.
A fusão desses dados em um Sistema de Informação Geográfica (SIG) produz um modelo digital 3D dinâmico, onde cada ponto do rio tem coordenada, profundidade, textura e contexto geológico associados.
O que o mapeamento já revelou (e o que ainda pode descobrir)
| Tipo de descoberta | Exemplo identificado | Impacto potencial |
|---|---|---|
| Variações batimétricas | Canais secundários não cartografados | Melhoria nas rotas de navegação comercial |
| Estruturas submersas | Remanescentes de antigas pontes e atracadouros | Preservação do patrimônio histórico fluvial |
| Anomalias geológicas | Falhas e dobras em camadas sedimentares | Base para estudos de riscos geológicos |
| Habitats bênticos | Áreas de substrato rochoso com alta biodiversidade | Subsídio para políticas de conservação |
“Não se trata apenas de ‘mapear por mapear’. Cada metro cúbico de dado gerado pode ajudar uma comunidade ribeirinha a navegar com mais segurança, um pesquisador a entender a dinâmica dos sedimentos, ou um gestor público a planejar infraestrutura com menor impacto ambiental”, destaca a oceanógrafa Ana Clara Mendes, parceira do projeto pela :Veja como o mapeamento 3D pode tornar a navegação fluvial mais segura
Por que isso importa para a Amazônia — e para o Brasil
A bacia Amazônica concentra cerca de 20% da água doce superficial do planeta e conecta mais de 30 milhões de pessoas, muitas delas dependentes exclusivamente do transporte fluvial. No entanto, grande parte dos rios da região ainda possui cartografia batimétrica desatualizada ou inexistente.
O novo mapeamento 3D do SGB preenche essa lacuna estratégica com três benefícios imediatos:
- Segurança pública: Redução de acidentes com embarcações ao identificar bancos de areia móveis, troncos submersos e variações bruscas de profundidade;
- Gestão ambiental: Monitoramento preciso de processos erosivos e de deposição de sedimentos, essenciais para prever impactos de mudanças climáticas;
- Soberania de dados: Produção de informação geocientífica nacional, reduzindo a dependência de tecnologias e bases de dados estrangeiras.
Entenda a diferença entre sonar, LiDAR e satélite no monitoramento da Amazônia
Perguntas frequentes sobre o projeto
O mapeamento vai identificar reservas de petróleo?
Não diretamente. O perfilador de subfundo pode revelar estruturas geológicas potencialmente associadas a hidrocarbonetos, mas a confirmação de reservatórios exige perfuração e análises específicas — atribuição da Petrobras, não do SGB.

Os dados serão públicos?
Sim. Seguindo a política de dados abertos do SGB, os produtos finais (modelos 3D, mapas batimétricos e metadados) serão disponibilizados gratuitamente na Plataforma de Dados Geocientíficos do Brasil, após validação técnica.
Como as comunidades ribeirinhas podem acessar essas informações?
O SGB planeja lançar, ainda em 2026, um aplicativo móvel simplificado com alertas de navegação e mapas offline para áreas com conectividade limitada.
Próximos passos e como acompanhar
- Portal oficial do SGB/CPRM
- Siga a hashtag #Amazônia3D nas redes sociais da Revista Amazônia
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Você é pesquisador, gestor público ou membro de comunidade ribeirinha? Conte para a gente: qual informação sobre os rios da Amazônia seria mais útil para o seu trabalho? Deixe seu comentário abaixo ou envie sua sugestão para [email protected].






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