
Transformação digital redefine gestão florestal
A Romênia deu um passo decisivo rumo à digitalização do setor ambiental ao implantar um Sistema Informático Integrado voltado à supervisão, controle e monitoramento de suas florestas. A iniciativa, conduzida pelo Ministério do Ambiente, Águas e Florestas da Romênia, integra o Plano Nacional de Recuperação e Resiliência e representa um investimento estratégico na modernização da governança florestal.
Com aproximadamente 70 mil quilômetros quadrados de território florestal mapeados, o país passa a contar com uma infraestrutura tecnológica capaz de produzir informações detalhadas, precisas e atualizadas sobre cobertura vegetal, exploração madeireira e regeneração natural. O sistema substitui estimativas baseadas em amostragens limitadas por dados concretos, obtidos por sensores avançados e processados em larga escala.
Mais do que um projeto pontual, a solução foi concebida como modelo replicável para entidades públicas e privadas envolvidas no manejo florestal. A proposta é transformar a maneira como os recursos florestais são monitorados, reduzindo margem para irregularidades e ampliando transparência.
LiDAR, nuvens de pontos e modelo tridimensional
O desenvolvimento tecnológico ficou a cargo de um consórcio liderado pela empresa polonesa Dephos Group, responsável por estruturar a arquitetura técnica da plataforma. O coração do sistema está na coleta intensiva de dados geoespaciais por meio de sensores LiDAR aéreos e móveis.
A tecnologia LiDAR permite emitir pulsos de laser que retornam ao sensor após atingir a superfície terrestre e a vegetação. A partir desse retorno, é possível construir uma nuvem de pontos tridimensional extremamente detalhada. No caso romeno, essa base permitiu a criação de um modelo 3D abrangente de todo o território florestal nacional.
O processamento dessas informações ocorre por meio de algoritmos avançados executados em arquitetura baseada em GPUs e infraestrutura em nuvem escalável. O uso de tecnologias como Kubernetes, Apache Spark e bibliotecas CUDA possibilita análises distribuídas em grande escala, reduzindo o tempo entre coleta e disponibilização de resultados.
O software realiza de forma automática tarefas que antes demandavam meses de trabalho manual: importação, limpeza, classificação e análise das nuvens de pontos LiDAR. A partir disso, gera modelos digitais de terreno e superfície, calcula altura das árvores, identifica áreas regeneradas ou desmatadas e estima parâmetros estruturais das florestas.
O sistema também fornece métricas detalhadas para cada árvore individualmente, como altura, diâmetro à altura do peito, volume estimado e delimitação de copas. Além disso, produz estatísticas agregadas por polígono florestal, incluindo área, altura média e máxima, volume de estoque e indicadores de produtividade.

Integração de bases de dados e rastreabilidade
Um dos diferenciais do sistema romeno é a integração automática com bases de dados nacionais já existentes. Entre elas estão o SUMAL, sistema integrado de rastreamento de materiais lenhosos, o eTerra, voltado a dados cadastrais, e o Inventário Florestal Nacional.
Ao cruzar informações geoespaciais com registros administrativos e dados históricos, a plataforma permite verificar conformidade com planos de manejo, estimar produção madeireira e comparar campanhas de monitoramento ao longo do tempo. Essa capacidade de auditoria digital fortalece o combate a irregularidades e amplia a transparência na cadeia florestal.
A visualização dos resultados ocorre por meio do módulo LiMON, que conta com 60 licenças perpétuas e permite exploração acelerada por GPU em ambientes 2D e 3D. Usuários autorizados podem navegar por nuvens de pontos, modelos raster, TINs e camadas geográficas diversas.
Todas as informações consolidadas são disponibilizadas em uma interface WebGIS integrada, centralizando dados e facilitando o acesso por órgãos responsáveis. Essa arquitetura reduz fragmentação institucional e promove tomada de decisão baseada em evidências.

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Referência internacional em governança ambiental
A implantação do sistema fortalece de maneira significativa a capacidade do Estado romeno de supervisionar e gerenciar seus recursos florestais. Ao substituir extrapolações por medições concretas, o país passa a dispor de informações detalhadas sobre número de árvores, estrutura das copas, volume de estoque e parâmetros individuais e coletivos.
Esse nível de detalhamento tem implicações diretas na formulação de políticas públicas, no planejamento de concessões, na definição de áreas de preservação e na fiscalização de atividades madeireiras. Também amplia credibilidade internacional em um contexto em que cadeias produtivas enfrentam crescente exigência de rastreabilidade.
A solução é considerada totalmente replicável em outras jurisdições. Países com grandes áreas florestais e desafios de fiscalização podem adotar arquitetura semelhante para integrar sensoriamento remoto, processamento em nuvem e sistemas de informação geográfica.
A experiência romena dialoga com um movimento global de digitalização ambiental, no qual tecnologias de geointeligência, computação em nuvem e análise de dados massivos tornam-se pilares da governança sustentável. Ao investir nesse caminho, a Romênia se posiciona como referência em transformação digital aplicada às florestas.
Além do impacto direto na gestão pública, o sistema pode beneficiar empresas privadas envolvidas no manejo florestal, que passam a operar com base em dados mais precisos e auditáveis. A combinação de tecnologia, integração institucional e transparência cria ambiente mais robusto para conciliar exploração econômica e conservação.
Em um momento em que florestas ocupam papel central nas estratégias climáticas globais, iniciativas como essa demonstram que inovação tecnológica pode ser aliada da sustentabilidade. O desafio agora será manter atualização contínua da base de dados e garantir que a informação produzida se traduza em políticas eficazes.












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