
A comunidade quilombola de Santa Fé, localizada no município de Costa Marques, em Rondônia, é um exemplo vivo de resistência e perseverança. Fundada por volta de 1888, após a publicação da Lei Áurea, a comunidade foi formada por grupos de escravizados libertos de uma usina em Cáceres, Mato Grosso. Eles migraram para a margem direita do Rio Guaporé, na divisa do Brasil e da Bolívia, onde estabeleceram suas tradições e formas de subsistência.
Ao longo dos anos, as famílias que ali resistiram enfrentaram uma série de conflitos por não possuírem a posse definitiva das terras. Foram expulsos por grileiros e sofreram invasões para especulação fundiária, o que resultou na redução do território tradicionalmente ocupado.
No entanto, a comunidade de Santa Fé nunca desistiu. Reconhecida pela Fundação Cultural Palmares como comunidade com ancestralidade na população que resistiu ao sistema escravocrata existente no Brasil em fevereiro de 2007, Santa Fé só teve suas terras tituladas quase 10 anos depois, em dezembro de 2016. Os títulos só chegaram a ser entregues em agosto de 2017, marcando um momento histórico para a comunidade.
Leia também
Figura humana sobre leopardo é achada em escultura de 11 mil anos na Turquia e reabre debate sobre rituais
Paleontólogos encontram quatro dentes e um osso de 11 milhões de anos no Acre e descobrem duas novas espécies de macacos, revelando que ancestrais do muriqui – o maior primata das Américas e hoje ameaçado – já habitavam a Amazônia brasileira
Florestas em terras indígenas de oito países amazônicos reduzem a propagação de 27 doenças (incluindo zoonoses transmitidas por animais) ao longo de 20 anos de dados em 1.733 municípios e protegem a saúde de 33 milhões de pessoasRecentemente, em uma vitória significativa para a comunidade, 74 famílias foram incluídas no Plano Nacional de Reforma Agrária. A medida, publicada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Diário Oficial da União, permite que os beneficiários tenham acesso às políticas públicas voltadas à posse e uso da terra, associadas ao desenvolvimento rural sustentável e à promoção social.
A inclusão dessas famílias no Sistema de Informações de Projetos de Reforma Agrária (Sipra) é um passo importante para garantir seus direitos e promover seu bem-estar. A comunidade de Santa Fé é um testemunho da força e resiliência do povo quilombola, e sua história continua a inspirar a luta pela justiça social e pelo direito à terra no Brasil.
Gostou desta reportagem?
Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.













