A Jornada da Comunidade Quilombola de Santa Fé na Resistência à Reforma Agrária

A comunidade quilombola de Santa Fé, localizada no município de Costa Marques, em Rondônia, é um exemplo vivo de resistência e perseverança. Fundada por volta de 1888, após a publicação da Lei Áurea, a comunidade foi formada por grupos de escravizados libertos de uma usina em Cáceres, Mato Grosso. Eles migraram para a margem direita do Rio Guaporé, na divisa do Brasil e da Bolívia, onde estabeleceram suas tradições e formas de subsistência.

Ao longo dos anos, as famílias que ali resistiram enfrentaram uma série de conflitos por não possuírem a posse definitiva das terras. Foram expulsos por grileiros e sofreram invasões para especulação fundiária, o que resultou na redução do território tradicionalmente ocupado.

No entanto, a comunidade de Santa Fé nunca desistiu. Reconhecida pela Fundação Cultural Palmares como comunidade com ancestralidade na população que resistiu ao sistema escravocrata existente no Brasil em fevereiro de 2007, Santa Fé só teve suas terras tituladas quase 10 anos depois, em dezembro de 2016. Os títulos só chegaram a ser entregues em agosto de 2017, marcando um momento histórico para a comunidade.

Recentemente, em uma vitória significativa para a comunidade, 74 famílias foram incluídas no Plano Nacional de Reforma Agrária. A medida, publicada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Diário Oficial da União, permite que os beneficiários tenham acesso às políticas públicas voltadas à posse e uso da terra, associadas ao desenvolvimento rural sustentável e à promoção social.

A inclusão dessas famílias no Sistema de Informações de Projetos de Reforma Agrária (Sipra) é um passo importante para garantir seus direitos e promover seu bem-estar. A comunidade de Santa Fé é um testemunho da força e resiliência do povo quilombola, e sua história continua a inspirar a luta pela justiça social e pelo direito à terra no Brasil.

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