
Enquanto líderes mundiais debatem acordos e metas na COP30, em Belém, uma rede de iniciativas comunitárias vem mostrando que a resposta à crise climática pode começar no quintal, nas hortas coletivas e nas ecovilas que resgatam modos de vida mais conectados à natureza.
No dia 12 de novembro, o evento O Poder das Comunidades será realizado na sede do Instituto Via Amazônia, em Belém (PA), reunindo representantes de ecovilas, Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSAs) e organizações parceiras. A proposta é simples, mas transformadora: fortalecer as conexões entre pessoas e territórios que vêm regenerando o solo, promovendo alimentação saudável e construindo economias solidárias em meio à emergência climática.
O encontro é uma realização da Ecovila Iandê e da CSA Iandê, ambas sediadas em Santa Bárbara do Pará, com apoio do Instituto Via Amazônia, da Rede Global de Ecovilas, da CSA Brasil e da ABRASCA (Associação Brasileira de Comunidades que Sustentam a Agricultura).
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Lindsay Levin diz que Brasil conduziu COP30 com habilidade em cenário tensoA atividade ocorrerá das 15h às 20h, com entrada gratuita mediante inscrição prévia, disponível neste formulário.
A força que nasce da terra
O evento surge num momento em que a Amazônia se torna palco da maior conferência climática do planeta, e o protagonismo das comunidades locais ganha visibilidade global. Mais do que um encontro, O Poder das Comunidades é um convite para repensar a relação entre pessoas, alimento e território.
As CSAs (Comunidades que Sustentam a Agricultura) são modelos colaborativos que unem agricultores e consumidores em uma relação direta, sem intermediação. As famílias participantes compartilham os custos e benefícios da produção agrícola, garantindo estabilidade financeira para os produtores e alimentos frescos e agroecológicos para quem consome.
Já as ecovilas são experiências de convivência baseadas na sustentabilidade, na cooperação e no respeito aos ciclos naturais. Em um mundo que enfrenta eventos climáticos extremos e colapsos ambientais, elas oferecem uma alternativa real de reorganização social e ecológica — pequenas comunidades que funcionam como laboratórios vivos de regeneração.
A ecologia das relações
“Cuidar da terra, cuidar da vida” é o lema do encontro, que se traduz em práticas cotidianas. Ao promover a troca de saberes e fortalecer redes locais, o evento propõe uma visão de resiliência comunitária — a capacidade das pessoas de se adaptarem e reagirem aos impactos do clima sem perder seus vínculos com o território.
Os debates e oficinas previstos buscam inspirar a criação de novas CSAs, ampliar o diálogo entre ecovilas e políticas públicas e mostrar que soluções sustentáveis podem nascer da união entre agricultura, espiritualidade e inovação social.
Segundo os organizadores, O Poder das Comunidades pretende ampliar a consciência sobre o papel das pequenas ações locais na grande transformação global. “Cada horta, cada comunidade, cada grupo que se organiza para produzir e partilhar alimentos está desenhando uma nova economia do cuidado, que valoriza o território e o bem viver”, resume um dos idealizadores da Ecovila Iandê.

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Comunidades como agentes da transição
À medida que governos e corporações discutem descarbonização e energias limpas, experiências como as CSAs mostram que a transição ecológica também precisa ser social. Elas fortalecem a economia regional, reduzem a dependência de cadeias longas e poluentes e promovem o reencantamento das relações humanas com a terra.
Na COP30, que transformou Belém em centro do debate climático global, o evento simboliza uma virada de perspectiva: olhar para a base da sociedade e reconhecer que as comunidades são as verdadeiras guardiãs da sustentabilidade.
“Nosso poder está na união”, dizem os organizadores — e a frase ganha um novo significado diante da urgência planetária. Quando as políticas públicas ainda caminham devagar, a mobilização social cria os atalhos necessários para um futuro possível.
Mais do que um evento, O Poder das Comunidades é um manifesto vivo sobre a força das pessoas que decidem plantar o amanhã, uma semente de esperança lançada em meio à COP30, sob as árvores da Amazônia.
Local: Sede do instituto Via Amazônia – passagem Santos Dumont, Bairro da Sacramenta, Belém/PA
Dias: 12 de novembro (quarta-feira)
Horário: de 15h às 20h
Inscreva-se aqui: https://forms.gle/s2yWb3kYvKgPAYVu6
















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