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PMs do Amazonas recebem treinamento do Ibama para fiscalizar transporte de produtos perigosos

Capacitação ocorreu no Batalhão Ambiental da PMAM, em Manaus
Capacitação ocorreu no Batalhão Ambiental da PMAM, em Manaus

No coração da Amazônia, onde a logística depende tanto de estradas quanto de rios, o transporte de produtos perigosos é uma realidade que exige atenção redobrada. Em agosto, policiais militares do Amazonas participaram de uma capacitação inédita promovida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), voltada para reforçar a fiscalização desse tipo de atividade no estado.

O curso foi conduzido pela Equipe Técnica de Prevenção e Atendimento às Emergências Ambientais (Nupaem), núcleo especializado do Ibama, e realizado no Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), em Manaus. Ao todo, 29 policiais, entre oficiais e praças, participaram da formação, que trouxe tanto o embasamento jurídico quanto a prática necessária para lidar com situações de risco.

Novas atribuições para a PMAM

Até então, a corporação atuava como parceira em operações conjuntas, acompanhando técnicos ambientais em campo, mas não possuía competência para aplicar autos de infração. Essa realidade está prestes a mudar. Com um convênio em andamento com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a PMAM passará a ter poder administrativo para autuar irregularidades relacionadas ao transporte de produtos perigosos, tanto nas rodovias quanto nas vias fluviais que cortam o estado.

Esse passo representa um avanço importante na descentralização da fiscalização ambiental. Com a imensidão territorial do Amazonas e a multiplicidade de rotas usadas para o transporte de cargas químicas e inflamáveis, contar com mais atores habilitados para atuar é estratégico.

Equipe do Ibama instrui policiais militares do AM sobre fiscalização ambiental - Foto: PMAM
Equipe do Ibama instrui policiais militares do AM sobre fiscalização ambiental – Foto: PMAM

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A importância do treinamento

Durante o curso, os policiais receberam orientações sobre normas nacionais e internacionais que regulam o transporte de substâncias perigosas, desde combustíveis até defensivos agrícolas. O foco não foi apenas o aspecto técnico da legislação, mas também a compreensão dos riscos envolvidos e das consequências ambientais e sociais em caso de acidentes.

Esse tipo de capacitação responde a um desafio concreto: o estado é cortado por estradas federais e estaduais que servem de rota para caminhões-tanque, enquanto rios como o Negro, o Solimões e o Madeira recebem embarcações que transportam combustíveis para municípios isolados. Uma falha na fiscalização pode ter efeitos devastadores para comunidades ribeirinhas, para a biodiversidade e para a própria segurança dos trabalhadores envolvidos.

Do aprendizado à prática

A etapa teórica, realizada em sala de aula no Batalhão Ambiental, será complementada por um exercício de campo. Está prevista a realização de uma operação de fiscalização conjunta, na qual os policiais colocarão em prática o que aprenderam. Esse momento será decisivo para consolidar a autonomia da PMAM e fortalecer a cooperação com o Ibama.

Mais do que repassar conhecimento técnico, a formação buscou construir uma nova dinâmica de atuação integrada. Ao compartilhar protocolos e metodologias, o Ibama amplia a rede de proteção ambiental no estado e prepara as forças de segurança para lidar com situações de emergência, como derramamentos químicos ou acidentes em áreas sensíveis.

Cooperação como estratégia

A iniciativa reflete uma tendência cada vez mais presente no Brasil: ampliar a capilaridade da fiscalização ambiental por meio de parcerias institucionais. A presença da PMAM nas operações de transporte de produtos perigosos não significa substituir o trabalho dos órgãos ambientais, mas somar forças.

Essa cooperação é crucial em um território onde os desafios logísticos são tão grandes quanto a riqueza natural. No Amazonas, os riscos não estão apenas nas áreas desmatadas ou em queimadas, mas também no fluxo diário de cargas perigosas que atravessam comunidades e ecossistemas frágeis.

Ao formar policiais militares para lidar com esse tema, o Ibama reforça que a defesa ambiental não é exclusividade dos órgãos ambientais, mas um compromisso coletivo que exige articulação entre diferentes instituições.

No futuro, a expectativa é que esse modelo de cooperação seja replicado em outros estados da Amazônia e em regiões que enfrentam problemas semelhantes, criando uma rede mais robusta de fiscalização preventiva.

O treinamento em Manaus, portanto, não é apenas uma capacitação técnica: é um marco na integração entre segurança pública e proteção ambiental. E, em uma região onde as duas dimensões se entrelaçam a cada dia, essa convergência pode ser a chave para evitar tragédias e preservar vidas e florestas.