
Em uma decisão histórica, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a validade de R$ 29,1 bilhões em multas ambientais aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Esta decisão, tomada pela 2ª Turma da Corte no último dia 21, reafirma a legalidade da notificação por edital para infratores ambientais apresentarem alegações finais nos processos administrativos do Ibama.
O Contexto
O procedimento de notificação por edital foi usado em 183 mil processos, correspondendo a 84% das autuações contra infrações ambientais. No entanto, um despacho do governo federal anterior a 2023 havia criado uma brecha para anular as punições por prescrição. Em 2022, o então presidente do Ibama assinou um documento indicando que a notificação por edital para a apresentação de alegações finais seria inválida para penalidades aplicadas de 2008 a 2019. Isso significava que as punições prescreveriam e, portanto, os infratores ficariam isentos de pagar as multas.
A Decisão do STJ
O STJ acolheu um recurso movido pela Advocacia-Geral da União (AGU) contra um acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). A AGU demonstrou que a notificação por edital está prevista no art. 122 do Decreto nº 6.514/2008, que regulamentou a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). Nas outras etapas do processo, as notificações são feitas pessoalmente ou por via postal com aviso de recebimento.
Impacto da Decisão
A decisão do STJ representa uma vitória significativa para o Ibama e para a proteção ambiental no Brasil. A mudança de entendimento pelo novo presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, que foi ratificada pela Procuradoria Federal Especializada Ibama, pela Procuradoria Geral Federal e pela Advocacia-Geral da União e, agora, pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça fez com que os processos retornassem ao seu curso regular.
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Nova rota marítima Brasil-China fortalece Amazônia e reduz custosMariana Barbosa Cirne, procuradora nacional de Defesa do Clima e do Meio Ambiente, afirmou que a decisão “consagra o compromisso da AGU de conferir segurança jurídica ao poder de polícia ambiental. E o STJ, ao reconhecer a validade da fiscalização ambiental, contribuiu com o combate ao desmatamento”.
Resultados Positivos
Nos últimos dez meses, a intensificação das ações de comando e controle resultou na queda de 49,7% do desmatamento na Amazônia em relação aos dez primeiros meses de 2022. No mesmo período, os autos de infração emitidos pelo Ibama na Amazônia aumentaram 130%. Esses resultados demonstram o impacto positivo que a aplicação efetiva das leis ambientais pode ter na proteção do meio ambiente.
A decisão do STJ é um marco importante na luta pela proteção ambiental no Brasil. Ela reafirma a importância do cumprimento das leis ambientais e o papel crucial do Ibama na aplicação dessas leis. Além disso, destaca a necessidade de segurança jurídica para garantir a eficácia da fiscalização ambiental. Com a validade das multas ambientais confirmada, o Brasil pode continuar a avançar em seus esforços para combater o desmatamento e proteger seu precioso ecossistema.















