
O Banco Mundial está introduzindo no Brasil uma nova ferramenta financeira destinada a viabilizar o reflorestamento de áreas degradadas na Amazônia, transformando essa atividade em um investimento atraente para o setor privado. Através do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que faz parte do Grupo Banco Mundial, foram emitidos US$ 225 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) em títulos de dívida com vencimento em julho de 2033.
Esses títulos, com uma taxa de retorno garantida de 1,745% ao ano, têm a possibilidade de um incremento que pode chegar a 4,362%, dependendo do sucesso de uma venda de créditos de carbono pela Mombak à Microsoft. A Mombak, uma startup que busca escalar a restauração de áreas degradadas, é uma das beneficiárias desta iniciativa.
Gabriel Haddad Silva, cofundador e CFO da Mombak, elogia o modelo financeiro inovador criado pelo Banco Mundial, que, segundo ele, abre portas para investidores que a empresa normalmente não conseguiria alcançar e a um custo mais baixo do que os financiamentos tradicionais. A operação foi estruturada pelo HSBC, que já havia utilizado instrumentos similares em projetos anteriores em outros países.
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A Mombak poderá receber até US$ 36 milhões através do HSBC para financiar seus projetos de reflorestamento na Amazônia, com desembolsos previstos entre agosto de 2024 e o final de 2026, à medida que metas de hectares reflorestados e toneladas de carbono removidas sejam alcançadas.
Um dos desafios na emissão desses bonds é definir as métricas para dividir o risco e o potencial de retorno entre os investidores. Para a operação na Amazônia, essas métricas foram adaptadas às necessidades dos projetos da Mombak e vinculadas à remoção de carbono. A Microsoft já se comprometeu a comprar 1,5 milhão de créditos de carbono gerados pelo reflorestamento, um fator chave para o sucesso da iniciativa.
A operação atraiu grandes investidores, como a gestora americana Nuveen, que possui mais de US$ 1,1 trilhão sob gestão, além de Mackenzie Investments do Canadá, fundos do grupo britânico Rathbones, e o fundo de pensão dinamarquês Velliv. Esses investidores, além de focados no retorno financeiro, também demonstraram interesse no impacto social e na biodiversidade dos projetos financiados.
Embora os investidores estejam protegidos contra a volatilidade dos preços dos créditos de carbono, há riscos associados ao cumprimento das metas pela Mombak e pela Microsoft, bem como às responsabilidades do HSBC na transação. Caso essas metas não sejam atingidas, o retorno dos investidores pode ser inferior ao de um título tradicional do BIRD.
Essa iniciativa representa um passo significativo no uso de finanças sustentáveis para enfrentar desafios ambientais globais, com o potencial de transformar o reflorestamento da Amazônia em um modelo econômico viável e escalável.
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