Manaus sediará, em 9 de setembro, a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, iniciativa que reunirá países da região no combate ao garimpo ilegal, narcotráfico e contrabando de armas. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro regional amazônico nesta quinta-feira (21), que integrou a quinta cúpula de presidentes dos países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

O presidente afirmou que pretende convidar pessoalmente os chefes de Estado da região para a inauguração e destacou que o centro simboliza uma resposta prática aos crimes que ameaçam a floresta. “É uma coisa muito importante para combater o garimpo ilegal, o narcotráfico, o contrabando de armas e qualquer outra coisa que nos perturbe”, disse.
COP30 como “COP da verdade”
Ao lado de chanceleres, ministros, povos indígenas e representantes da sociedade civil, Lula reforçou que a Conferência do Clima de 2025, marcada para Belém, não pode repetir o roteiro de promessas descumpridas das edições anteriores.
“Queremos fazer da COP a mais séria já realizada. Uma COP da verdade, onde cada país diga claramente qual é o compromisso que vai assumir até 2035”, afirmou. Para ele, os encontros climáticos têm sido marcados por discursos vazios, decisões não executadas e promessas de financiamento nunca cumpridas.
Lula lembrou que compromissos como o Protocolo de Kyoto, o Acordo de Paris e a promessa de US$ 100 bilhões anuais para preservação das florestas não foram efetivados. “De promessa nós estamos cheios”, ironizou.

Amazônia como palco estratégico
O presidente defendeu a escolha da Amazônia como sede da COP30, contrapondo o evento a edições realizadas em cidades ricas e cosmopolitas. “Não vai ser como Paris ou Dubai. É a Amazônia. Queremos que os líderes vejam de perto a realidade da floresta e dos povos que nela vivem”, disse, lembrando que cerca de 50 milhões de pessoas habitam os oito países amazônicos.
Segundo ele, manter a floresta em pé depende também de reconhecer o papel de indígenas, ribeirinhos, seringueiros e pequenos agricultores. “Quem acha que é preciso manter a floresta em pé tem que ajudar a pagar para que possamos mantê-la”, afirmou.
Governança global do clima
Lula criticou a ausência de mecanismos eficazes para obrigar os países a cumprirem metas climáticas. Defendeu a criação de uma nova governança mundial, com autoridade para garantir que decisões não fiquem apenas no papel. “Se não, a COP vira um Fórum Social Mundial: todo mundo fala, mas ninguém sai com compromisso de fazer nada.”
Ao citar exemplos de resistência de países ricos em assumir responsabilidades, Lula afirmou que a transição energética e a descarbonização não são mais escolhas, mas necessidades. “O Brasil tem tudo para liderar essa agenda. Temos território, sol, vento, água e conhecimento para avançar em hidrogênio verde, biomassa, solar e eólica.”
Encerrando o discurso, Lula reforçou que pretende enviar convites pessoais a todos os presidentes, incluindo o norte-americano Donald Trump, para medir o grau real de compromisso global com o clima. “Se não tratarem com seriedade, teremos que pensar em como cuidar do planeta sem esperar pelas promessas que nunca chegam.”
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