
No nordeste paraense, a educação ambiental deixou as páginas dos livros para ganhar as margens do Rio Bacabal. Em Primavera, o projeto “Trilha das Águas”, da Escola Estadual Manoel Lobato, alcançou sua sétima edição consolidando-se como uma das iniciativas de restauração ecológica mais resilientes da região. Unindo teoria de sala de aula e prática de campo, professores e alunos já garantiram o plantio de mais de 1.500 mudas de árvores nativas, enfrentando desafios severos para proteger o berço das águas que abastecem a comunidade do Patrimônio.
Fundado em 2017 pelos professores João Rodrigues (Biologia) e Sabas Mescouto (Geografia), o projeto nasceu de uma necessidade urgente: das 33 nascentes localizadas pela equipe no município, cinco apresentavam alto risco de extinção devido à degradação ambiental. O foco atual da iniciativa é a recuperação de três dessas nascentes críticas, utilizando uma metodologia rigorosa baseada no Programa Especial de Proteção de Nascentes (CNA/SENAR), que combina a limpeza técnica da área com o plantio direto.

Plantando água: a resiliência contra o fogo
O lema do projeto — “Nascentes Protegidas, Água e Vida em Abundância” — resume a filosofia aplicada pelos educadores. Para o professor João Rodrigues, a maior vitória é ver os estudantes compreendendo que a saúde do ecossistema é o que garante a qualidade de vida humana. “É extremamente importante repassar a ideia para nossos alunos que, plantando árvores, nós também estamos plantando água”, enfatiza o biólogo.
A trajetória do “Trilha das Águas”, contudo, não foi isenta de obstáculos. Entre 2020 e 2024, a área de recuperação sofreu com incêndios recorrentes durante cinco anos consecutivos, o que resultou na perda de grande parte do que havia sido plantado anteriormente. Longe de desistirem, o grupo transformou a perda em motivação, mantendo a média anual de 250 mudas plantadas e reforçando o monitoramento das áreas frágeis. Essa persistência demonstra o papel da escola não apenas como centro de ensino, mas como um agente de transformação social e ambiental permanente.

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Formação de cidadãos e multiplicadores ambientais
Para os alunos do 3º ano do Ensino Médio, como Lailson de Oliveira e Samara Oliveira, o projeto é um divisor de águas na formação pessoal. Lailson destaca que a vivência prática ensinou sobre responsabilidade e trabalho em equipe, reforçando que pequenas ações individuais geram grandes impactos coletivos. Já Samara pontua como o contato direto com a terra ajudou a entender a influência das nascentes no microclima local e na preservação da fauna.
O sucesso da iniciativa em Primavera é potencializado por uma rede de parcerias sólidas. A execução das atividades conta com o suporte técnico e logístico de órgãos como:
Emater-PA e Sedap: Orientação técnica e manejo agropecuário.
Semma e Semed: Limpeza das áreas e viabilização educacional.
Prefeitura de Primavera: Apoio no transporte dos estudantes e insumos.
Para a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o “Trilha das Águas” é um modelo de como a educação pública pode liderar soluções para crises climáticas locais. Ao envolver a comunidade e o poder público, a Escola Manoel Lobato prova que a restauração de um rio começa, antes de tudo, pela restauração da consciência ambiental das novas gerações.











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