Geladeiras, máquinas de lavar, televisores e outros eletrodomésticos fazem parte da rotina das famílias brasileiras e, muitas vezes, passam despercebidos como agentes de impacto ambiental. Funcionando diariamente e, em alguns casos, de forma contínua, esses equipamentos são responsáveis por uma parcela significativa do consumo de energia elétrica residencial e, consequentemente, das emissões indiretas de gases de efeito estufa associadas à geração dessa energia.

Entre eles, a geladeira ocupa posição central. Presente em praticamente todos os lares, o equipamento funciona 24 horas por dia e pode representar um dos maiores pesos na conta de luz. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) alerta que o consumo elevado nem sempre está relacionado à idade do aparelho, mas, muitas vezes, ao uso inadequado e à falta de manutenção básica.
Pequenos hábitos cotidianos, como abrir a porta repetidas vezes ou mantê-la aberta por longos períodos, provocam a entrada de ar quente e forçam o sistema de refrigeração a trabalhar mais. Esse esforço extra resulta em maior gasto de energia e acelera o desgaste do equipamento, reduzindo sua vida útil.
Uso consciente reduz consumo e prolonga a vida dos aparelhos
Segundo o Inmetro, a instalação correta da geladeira é um dos fatores mais negligenciados pelos consumidores. O aparelho precisa de espaço para dissipar o calor gerado pelo compressor e pelo condensador. Quando instalado colado à parede ou em locais muito estreitos, a ventilação é prejudicada, o motor trabalha sob maior esforço e o consumo aumenta. A recomendação geral é manter uma distância mínima de cerca de 15 centímetros das paredes.
Outro ponto crítico é a manutenção. A limpeza periódica da serpentina, localizada na parte traseira da maioria dos modelos, evita o acúmulo de poeira e gordura, que dificultam a liberação de calor. Também é essencial verificar o estado da borracha de vedação da porta, já que frestas e desgastes comprometem a eficiência térmica.
Hábitos comuns, como secar roupas atrás da geladeira, são apontados como práticas inadequadas. Além de bloquear a saída de calor, esse costume prejudica o funcionamento do aparelho e aumenta o consumo de energia. Para o Inmetro, a adoção de cuidados simples pode representar economia significativa ao longo do ano e reduzir impactos ambientais associados à geração de eletricidade.

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Eficiência energética e escolhas que fazem diferença
A decisão de compra também tem peso ambiental. Ao adquirir um eletrodoméstico novo, o Inmetro orienta que o consumidor observe atentamente a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, que indica o consumo mensal e a classificação de eficiência. Modelos mais eficientes, especialmente os classificados com selo A do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), consomem até 30% menos energia do que equipamentos de categorias inferiores.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) aponta que o mercado de eletrônicos sustentáveis vem crescendo, impulsionado tanto pela inovação tecnológica quanto pela maior conscientização dos consumidores. Esses produtos são desenvolvidos para consumir menos energia, durar mais e facilitar a reciclagem ao fim da vida útil.
Além da economia mensal na conta de luz, a durabilidade reduz a necessidade de substituições frequentes, diminuindo a geração de resíduos eletrônicos. Estudos indicam que aparelhos projetados com foco em eficiência e qualidade exigem menos manutenção ao longo do tempo, o que representa economia financeira e menor pressão sobre os recursos naturais.
Descarte correto fecha o ciclo da sustentabilidade
Mesmo com uso consciente e manutenção adequada, todo eletrodoméstico chega ao fim de sua vida útil. O descarte incorreto de equipamentos eletrônicos ainda é um dos grandes desafios ambientais no Brasil. Muitos aparelhos acabam no lixo comum ou ficam armazenados em residências, contribuindo para a poluição do solo e da água devido à presença de metais pesados e outros componentes nocivos.
Desde 2020, a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE) atua na implementação da logística reversa, conforme previsto no Decreto Federal nº 10.240/2020, que integra a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A entidade mantém mais de 5 mil pontos de recebimento em cerca de 1,4 mil municípios brasileiros, permitindo que consumidores façam o descarte ambientalmente adequado de seus equipamentos.
A reciclagem correta possibilita a reinserção de materiais valiosos em novas cadeias produtivas, reduz a extração de recursos naturais e gera emprego e renda. Para o consumidor, o descarte consciente também pode trazer vantagens econômicas, já que algumas empresas oferecem bônus ou descontos na compra de novos produtos mediante a entrega do aparelho antigo.
Especialistas apontam que a informação é peça-chave nesse processo. Consumidores bem informados tendem a repensar hábitos de consumo, evitar compras por impulso e priorizar produtos duráveis e eficientes. Pesquisas da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que o consumo excessivo está entre as principais causas do endividamento das famílias, reforçando que sustentabilidade e economia doméstica caminham juntas.
Ao adotar práticas simples no uso diário dos eletrodomésticos, escolher produtos eficientes e descartar corretamente os equipamentos antigos, o consumidor contribui não apenas para a redução da conta de energia, mas também para a preservação ambiental. Em um cenário de desafios climáticos e pressão sobre os recursos naturais, a sustentabilidade começa dentro de casa.






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