
Mesmo que a maioria dos brasileiros conheça um dos 569 parques naturais espalhados pelo Brasil, dados recentes revelam que quase um terço nunca teve a experiência de visitá-los. A pesquisa “Parques do Brasil – Percepções da População”, conduzida pelo Instituto Semeia em colaboração com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Ekos Brasil, lançou luz sobre essas questões e explorou as complexidades do relacionamento da população com esses espaços preciosos.
Entre julho e agosto de 2023, o estudo ouviu 1.539 pessoas em dez regiões metropolitanas do país, buscando entender como os brasileiros percebem, interagem e refletem sobre os parques naturais e urbanos. Os resultados apontam para uma série de desafios e oportunidades.
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Como a revolta da Cabanagem no Pará, em 1835, mobilizou a maior coalizão de caboclos indígenas e negros e mudou a história do BrasilEmbora todas as regiões metropolitanas pesquisadas possuam parques urbanos, 20% dos entrevistados não mencionaram conhecer nenhum desses espaços. Mariana Haddad, coordenadora de Conhecimento do Instituto Semeia, destaca: “Este cenário expressa o desafio de impulsionar a visitação nos parques brasileiros junto à opinião pública, enfrentado por gestores e especialistas dessas áreas.”
A pesquisa também revelou que as preocupações ambientais não ocupam o topo da lista das principais preocupações dos brasileiros. Crimes e violência contra pessoas lideram com 53%, seguidos pela qualidade da educação e saúde, com 47%. A proteção ambiental, poluição e mudanças climáticas, apesar de importantes, ocupam posições inferiores, com 21%, 18% e 16%, respectivamente.
No entanto, há um interesse significativo em temas ambientais específicos. A poluição das águas, estilo de vida saudável e conservação da fauna e flora foram citados por 81%, 76% e 73% dos entrevistados, respectivamente. Isso sugere uma oportunidade para mobilizar o público em torno da agenda ambiental.
No que diz respeito aos parques naturais, a pesquisa identificou um aumento nas visitas em comparação ao ano anterior, possivelmente devido ao período pós-pandemia. Motivações para visitas incluem o contato direto com a natureza, mostrar esses espaços aos filhos e recomendações de familiares e amigos. No entanto, barreiras como custo de deslocamento, distância e falta de informações ainda são desafios a serem superados.
Quanto aos parques urbanos, 82% dos entrevistados afirmaram já terem visitado um, destacando sua importância como locais de lazer e recreação. Sentimentos como liberdade, paz e conexão com a natureza predominam entre os visitantes, apesar de desafios como distância e preferência por ficar em casa ainda serem mencionados.
A pesquisa também abordou questões relacionadas às políticas públicas e gestão dos parques. A favorabilidade da população a parcerias público-privadas (PPP) na gestão desses espaços foi observada, indicando uma oportunidade para melhorar a eficiência e oferta de serviços.
Em suma, a pesquisa destaca a importância dos parques naturais e urbanos para a população brasileira, assim como os desafios que enfrentam. É essencial que gestores públicos, sociedade civil e iniciativa privada trabalhem em conjunto para promover a visitação, conservação e uso sustentável desses preciosos recursos naturais. A pesquisa completa está disponível para download no site do Instituto Semeia, uma organização dedicada ao desenvolvimento sustentável de parques e unidades de conservação no Brasil.
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