Segurança operacional consolida a base do gás natural no Pará
O Sistema de Distribuição de Gás Natural em Barcarena, no nordeste do Pará, alcançou um marco simbólico e técnico ao completar 750 dias de operação sem registrar qualquer tipo de acidente. A marca, atingida pela Gás do Pará, reflete um padrão de segurança raro em operações que lidam com infraestrutura pesada, combustíveis inflamáveis e sistemas de alta pressão. Desde o início das atividades, ainda durante a fase de construção, não houve ocorrências envolvendo pessoas, meio ambiente ou patrimônio.

O sistema, localizado no Porto de Vila do Conde, funciona como o coração da distribuição de gás natural no estado. Por ele passa todo o volume que abastece clientes industriais e energéticos, o que exige protocolos rigorosos, monitoramento contínuo e equipes altamente treinadas. Aquecedores, gasodutos, estações de regulagem de pressão, sistemas de medição e de odorização operam de forma integrada, sob planos de emergência e contingência permanentemente atualizados.
Segundo a gestão operacional, a segurança não é tratada como meta pontual, mas como prática cotidiana. Treinamentos frequentes, simulados de emergência e reuniões mensais reforçam procedimentos e preparam as equipes para cenários críticos. A estratégia inclui capacitações alinhadas às normas do Ministério do Trabalho, como as que regulam atividades com eletricidade, inflamáveis e espaços confinados, além de treinamentos em combate a incêndio, primeiros socorros e mitigação ambiental.
Para a direção da companhia, o resultado não é fruto do acaso. Ele expressa uma cultura organizacional que coloca a prevenção no centro das decisões, algo decisivo para a consolidação do gás natural como alternativa energética segura e confiável no estado.
Expansão do mercado e mudança da matriz energética
A operação segura do sistema em Barcarena ocorre em paralelo à expansão do mercado de gás natural no Pará. Desde 2024, o estado vem avançando na diversificação da sua matriz energética, substituindo fontes mais poluentes por gás natural em setores estratégicos da economia. Essa transição já apresenta impactos mensuráveis: apenas uma grande operação conectada ao sistema representa a redução estimada de cerca de 700 mil toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.
O avanço é resultado de uma articulação entre a Gás do Pará, o Governo do Estado e órgãos reguladores e ambientais. A consolidação do sistema abriu caminho para a atração de novas indústrias e para o aumento da competitividade das empresas já instaladas, especialmente nos setores de mineração, energia, fertilizantes, vidro e cerâmica fina.
O planejamento inclui novas demandas relevantes. Contratos já firmados preveem o início da operação de duas termelétricas conectadas ao sistema de Barcarena, ampliando o consumo de gás natural nos próximos anos. Além disso, a companhia se prepara para fornecer gás comprimido a estabelecimentos hoteleiros em Belém, impulsionados pela demanda associada à realização da COP30, e estuda a interiorização do fornecimento para polos industriais em municípios como Marabá, Oriximiná e Juruti.
Para o governo estadual, a chegada do gás natural representa mais do que uma solução energética: trata-se de um instrumento de desenvolvimento econômico com menor impacto ambiental, capaz de gerar empregos, reduzir custos produtivos e ampliar a atratividade do Pará no cenário nacional e internacional.

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Regulação, confiança e responsabilidade ambiental
A expansão do setor ocorre sob regulação da Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Estado do Pará, responsável por estabelecer normas, fiscalizar operações e garantir equilíbrio entre viabilidade econômica, qualidade do serviço e segurança ambiental. O acompanhamento próximo do crescimento do mercado busca evitar riscos associados à rápida expansão e assegurar que os benefícios do gás natural não venham acompanhados de passivos ambientais ou sociais.
Essa abordagem ganha relevância em um contexto nacional marcado por debates sobre o uso de fontes não convencionais de gás, como o gás de xisto. A experiência internacional mostra que a exploração desse tipo de recurso envolve riscos ambientais significativos, incluindo consumo intensivo de água, possibilidade de contaminação de aquíferos e indução de abalos sísmicos. No Brasil, essas preocupações alimentam resistências sociais e legais, com estados e municípios adotando restrições à técnica de fraturamento hidráulico.
Nesse cenário, o modelo adotado no Pará, baseado em infraestrutura segura, gás convencional e regulação ativa, surge como alternativa mais alinhada aos compromissos ambientais e climáticos do país. Ao priorizar a segurança operacional e a redução de emissões, o estado constrói um caminho de transição energética menos conflituoso e mais previsível.
Um modelo que projeta o futuro energético do estado
O marco de 750 dias sem acidentes sintetiza mais do que um número. Ele simboliza a maturidade de um sistema que sustenta a expansão do gás natural no Pará e reforça a confiança de investidores, indústrias e da sociedade. Em um setor onde falhas podem ter consequências graves, a ausência de ocorrências se transforma em ativo estratégico.
A experiência de Barcarena demonstra que é possível conciliar crescimento econômico, segurança do trabalho e responsabilidade ambiental. Ao mesmo tempo em que amplia sua capacidade energética, o estado constrói uma narrativa própria de transição, baseada em planejamento, regulação e prevenção de riscos.
À medida que novas demandas se conectam ao sistema e o gás natural avança como vetor de desenvolvimento, o desafio passa a ser manter o mesmo nível de rigor em um cenário de expansão acelerada. Se conseguir repetir o padrão alcançado até aqui, o Pará poderá se consolidar como referência nacional em operação segura de gás natural e em transição energética responsável.












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