Hospital do Baixo Amazonas vira referência nacional em sustentabilidade

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Hospital do Baixo Amazonas encerra 2025 como referência nacional em sustentabilidade

Ao completar 19 anos de funcionamento, o Hospital Regional do Baixo Amazonas Dr. Waldemar Penna (HRBA), em Santarém, fecha 2025 com um reconhecimento que ultrapassa as fronteiras do Pará e projeta a Amazônia no centro do debate nacional sobre sustentabilidade em saúde pública. Referência em média e alta complexidade para cerca de 1,4 milhão de pessoas de 29 municípios do oeste paraense, a unidade consolidou um modelo de gestão ambiental que lhe rendeu o principal reconhecimento do setor no país: o Selo Brasil Saúde, na categoria ouro.

Divulgação - Agência Pará

Mais do que um prêmio simbólico, o reconhecimento sinaliza uma mudança estrutural na forma como hospitais públicos podem integrar cuidado assistencial, responsabilidade ambiental e eficiência operacional. No caso do HRBA, sustentabilidade deixou de ser um discurso periférico para se tornar eixo estratégico de gestão, com impactos mensuráveis no território amazônico, na rotina hospitalar e na qualidade do atendimento aos pacientes.

Um modelo ambiental que nasce dentro do hospital

Os resultados que colocaram o HRBA em evidência nacional são fruto de um conjunto de projetos que transformaram práticas cotidianas em soluções ambientais de grande escala. Um dos exemplos mais emblemáticos é a horta orgânica instalada dentro da unidade. Em uma área cultivada de aproximadamente 400 metros quadrados, o hospital produziu quase uma tonelada de alimentos orgânicos ao longo de 2025, utilizados diretamente na alimentação de pacientes e colaboradores. A iniciativa fortalece a autonomia alimentar, melhora a qualidade nutricional das refeições e reduz custos logísticos e impactos ambientais associados ao transporte de alimentos.

Outro destaque é o projeto de compostagem interna, que reaproveitou mais de 45 mil quilos de resíduos orgânicos que, em condições convencionais, seriam destinados a aterros sanitários. Esse processo fecha um ciclo virtuoso: os resíduos retornam ao solo como adubo, alimentam a horta e reduzem significativamente a pegada ambiental da unidade.

A matriz energética também passou por transformação. Atualmente, cerca de 60% da energia utilizada pelo hospital provém de fontes limpas, o que resultou em redução de custos operacionais e diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Paralelamente, mais de 65 ações de educação ambiental foram realizadas ao longo do ano, envolvendo profissionais de diferentes áreas e consolidando uma cultura institucional voltada à sustentabilidade.

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Divulgação – Agência Pará

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Reconhecimento nacional e alinhamento aos ODS

Esse conjunto de ações levou o HRBA a conquistar 24,20 pontos na avaliação do Grupo de Apoio a Práticas Ambientais em Saúde, o GAPAS, responsável pelo Selo Brasil Saúde. O hospital foi o único do país a alcançar a categoria ouro no ciclo 2025, liderando a classificação entre as instituições participantes.

A avaliação considerou cinco pilares fundamentais: educação ambiental, gerenciamento de resíduos, biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa e impacto social. Todas as iniciativas estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, a ONU, reforçando a conexão entre saúde pública, preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

O protagonismo do HRBA também se estendeu a outras premiações. Em outubro, a unidade figurou entre os 15 melhores projetos do Prêmio Amigo do Meio Ambiente, entre 233 iniciativas inscritas, sendo o único hospital das regiões Norte e Nordeste a receber o reconhecimento. O projeto premiado tratou da gestão sustentável de contratos de higiene e limpeza hospitalar, integrando os ODS à estruturação dos serviços de facilities em um hospital público amazônico.

Impacto social, mobilidade e cuidado ampliado

A sustentabilidade no HRBA não se limita à gestão de resíduos ou à eficiência energética. Ela se traduz também em políticas de mobilidade e bem-estar. O hospital oferece transporte para 122 dos 192 pacientes em tratamento de hemodiálise, o que faz com que mais de 63% desse público contribua diretamente para a redução da emissão de poluentes associados ao deslocamento individual.

Além disso, a unidade mantém áreas arborizadas integradas ao ambiente hospitalar, utilizadas em atividades terapêuticas, sensoriais e integrativas. Esses espaços promovem benefícios físicos e emocionais, ampliando a noção de cuidado para além dos procedimentos clínicos tradicionais.

Administrado pelo Instituto Social Mais Saúde, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, o HRBA integra a rede do Governo do Pará e opera com atendimento 100% referenciado, a partir da Central de Regulação do Estado. Essa estrutura garante que as práticas sustentáveis estejam incorporadas a um serviço público de alta complexidade, demonstrando que eficiência ambiental e atendimento de qualidade podem caminhar juntos.

Ao final de 2025, o Hospital Regional do Baixo Amazonas consolida-se como exemplo concreto de que cuidar da saúde também é cuidar do planeta. Em plena Amazônia, a unidade prova que inovação, sustentabilidade e serviço público podem formar uma equação virtuosa, capaz de inspirar outras instituições de saúde em todo o país.