
Para quem vive às margens dos rios amazônicos, o barulho do motor “rabeta” é o som da vida se movimentando. É o transporte para a escola, o caminho para o roçado e a ferramenta de sustento do pescador. No entanto, um invasor silencioso e minúsculo está silenciando esses motores e pesando no bolso das famílias: o mexilhão-dourado.
Diferente das espécies nativas, esse molusco asiático tem uma “cola” natural tão potente que se fixa em qualquer superfície dura. O resultado? Motores superaquecidos, redes de pesca destruídas e um aumento inesperado no custo de manutenção que muitas famílias não podem pagar.
O pesadelo do motor “rabeta” e da pesca
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Como o osso hioide permite que o guariba, o macaco mais barulhento do mundo, projete seu som pela AmazôniaO problema começa de forma invisível. As larvas do mexilhão, microscópicas, são sugadas para dentro do sistema de refrigeração dos motores. Lá dentro, elas se fixam e crescem rapidamente, bloqueando a passagem da água. Sem refrigeração, o motor “fuma” e para no meio do rio.
Pescadores de municípios como Igarapé-Miri e Abaetetuba já começam a sentir o impacto. Além do dano mecânico, o mexilhão-dourado adora se instalar nas malhas das redes de pesca. Ao tentar retirá-los, as conchas afiadas como navalhas cortam o nylon, inutilizando equipamentos que custam caro para serem repostos.

SAIBA MAIS: O invasor silencioso que ameaça a economia e a natureza da Amazônia
De praga no rio a entupimento nas torneiras
A invasão já atravessou a porta das casas. Nas comunidades que dependem de captação direta de água do rio, o mexilhão-dourado está colonizando o interior das tubulações. Onde antes a água corria livre, hoje o fluxo é interrompido por colônias sólidas de moluscos.
Isso obriga o morador a realizar limpezas constantes em caixas d’água e encanamentos. “É um trabalho que não acaba mais. A gente limpa hoje e, em poucos meses, o cano está entupido de novo”, relatam moradores das áreas afetadas no Baixo Tocantins.

Como proteger seu barco e sua casa
Especialistas alertam que, sem a possibilidade de erradicar o invasor agora, a prevenção é a única saída para evitar prejuízos maiores. Confira algumas orientações práticas:
- Inspeção constante: Verifique a entrada de água do motor após cada viagem, especialmente se navegou por áreas com muitas rochas ou troncos.
- Limpeza a seco: Se retirar o barco da água, deixe-o secar ao sol por pelo menos cinco dias. O mexilhão-dourado não sobrevive ao calor intenso sem umidade.
- Cuidado com a “carona”: Nunca transporte água de um rio para outro em baldes ou viveiros de peixes. Você pode estar levando milhares de larvas invisíveis para uma área ainda limpa.
O mexilhão-dourado não é apenas um problema ambiental nos livros; é uma praga doméstica que exige atenção redobrada de quem faz do rio a sua estrada e o seu sustento.
















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