Clima de 2015 a 2025 indica mais calor, mais desastres e um chamado à ação

Reprodução
Reprodução

Emergência Planetária: A Década Mais Quente da História (2015-2025)

O relatório Estado do Clima Global 2025, divulgado nesta segunda-feira (23) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO), consolidou um dado alarmante: a humanidade acaba de atravessar os 11 anos mais quentes já registrados desde 1850. O ano de 2025 fixou-se na marca de 1,43°C acima dos níveis pré-industriais, aproximando o planeta perigosamente do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris. Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, os indicadores climáticos estão em “alerta máximo”, evidenciando que o caos climático não é mais uma projeção futura, mas uma realidade acelerada que exige ação imediata.

A crise é impulsionada pela concentração recorde de gases de efeito estufa — dióxido de carbono, metano e óxido nitroso — que geraram um desequilíbrio energético sem precedentes. O sistema terrestre está retendo muito mais energia do que irradia para o espaço. Este excesso de calor não permanece apenas na atmosfera; ele é absorvido majoritariamente pelos oceanos, que funcionam como um amortecedor térmico, mas que agora atingiram seus níveis de aquecimento mais altos desde 1960. As consequências são irreversíveis em escalas de séculos, afetando o pH das águas e acelerando o derretimento das geleiras polares.

O Oceano como Depósito de Calor e o Colapso dos Ecossistemas

Os dados da WMO revelam que 91% do excesso de energia gerado pelo efeito estufa está armazenado nos oceanos, até uma profundidade de 2 mil metros. Em 2025, esse calor atingiu o ápice histórico, superando o recorde de 2024. Este aquecimento das águas gera um efeito dominó: a expansão térmica e o degelo continental impulsionam a elevação do nível do mar, ameaçando cidades costeiras e ecossistemas marinhos. A perda de biodiversidade e a redução da capacidade do oceano de atuar como sumidouro de carbono criam um ciclo de retroalimentação que dificulta ainda mais a estabilização do clima.

Durante a COP 30, Belém terá calor de até 39 °C, alta umidade e chuvas rápidas no fim da tarde. Veja dicas para se preparar em novembro.

Além dos impactos hídricos, cerca de 5% do excesso de calor fica armazenado nas massas continentais e 1% na atmosfera. Embora pareça uma porcentagem pequena, esse 1% é suficiente para tornar o clima cotidiano muito mais extremo. Celeste Saulo, Secretária-Geral da WMO, destacou que 2025 foi marcado por ondas de calor devastadoras, incêndios florestais e inundações que geraram bilhões em prejuízos econômicos e milhares de mortes, provando que a dependência de combustíveis fósseis desestabiliza tanto o ambiente quanto a segurança global.

a3a74210 cf47 11ef 9fd6 0be88a764111

SAIBA MAIS: Turfeiras tropicais são cruciais para a mitigação das mudanças climáticas

Riscos à Saúde Humana e Produtividade Global

O relatório dedica uma seção crítica aos impactos sociais e sanitários da crise climática. A exposição ao calor extremo tornou-se um risco ocupacional direto para 1,2 bilhão de pessoas — mais de um terço da força de trabalho global — concentradas principalmente nos setores de agricultura e construção civil. O estresse térmico não apenas reduz a produtividade, mas aumenta a mortalidade e sobrecarrega os sistemas de saúde com doenças transmitidas por vetores e problemas de saúde mental, especialmente em populações vulneráveis.

Diante deste cenário, a WMO enfatiza a necessidade de migrar de ações reativas para medidas preventivas. A integração de dados meteorológicos de alta precisão aos sistemas de informação em saúde é vista como uma estratégia vital para salvar vidas. António Guterres reforçou que a “demora é fatal” e que a interconexão das economias modernas torna todos os países vulneráveis aos impactos em cascata, como a insegurança alimentar e o deslocamento forçado de populações atingidas por desastres naturais.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA