Embrapa apresenta nova nectarina adaptada ao clima brasileiro


Uma nova fruta para ampliar o calendário da fruticultura nacional

O lançamento da BRS Carina marca um novo capítulo no esforço brasileiro para fortalecer a produção de frutas de clima temperado e reduzir a dependência externa no abastecimento de nectarinas. Desenvolvida pela Embrapa, a nova cultivar chega ao mercado como uma opção de ciclo médio, posicionando-se estrategicamente entre variedades já conhecidas pelos produtores. Mais do que uma novidade estética, a BRS Carina representa um avanço técnico pensado para responder às demandas do campo, do mercado e do consumidor.

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Com colheita iniciada, em geral, na última semana de novembro no Sul do país, a BRS Carina ocupa um intervalo importante no calendário produtivo. Ela amadurece depois das cultivares BRS Cathy e BRS Dani e antes da BRS Janita, permitindo uma oferta mais contínua de frutas frescas ao longo da primavera e do início do verão. Esse escalonamento reduz riscos climáticos, melhora o planejamento do produtor e amplia as janelas de comercialização.

Visualmente, a nova nectarina se destaca pela casca lisa, brilhante e de vermelho intenso, atributo cada vez mais valorizado no mercado de frutas de mesa. No paladar, apresenta equilíbrio entre doçura e acidez, combinação que atende às preferências do consumidor brasileiro e fortalece o apelo comercial da cultivar.

Melhoramento genético e adaptação ao território brasileiro

A BRS Carina é resultado direto do programa de melhoramento genético de frutas de caroço da Embrapa, um trabalho de longo prazo voltado à adaptação das culturas às condições edafoclimáticas do Brasil. A nova cultivar foi avaliada em diferentes áreas das regiões Sul e Sudeste, onde demonstrou boa adaptação, estabilidade produtiva e qualidade dos frutos.

Segundo o pesquisador e melhorista genético Rodrigo Franzon, da Embrapa Clima Temperado, a BRS Carina vem preencher uma lacuna histórica da fruticultura nacional. Durante décadas, o cultivo de nectarina no Brasil dependeu majoritariamente de variedades estrangeiras, nem sempre bem adaptadas às condições locais. Isso resultava em menor produtividade, maior custo de manejo e frutas com qualidade variável.

A nova cultivar se soma a outras desenvolvidas recentemente pela Empresa, formando um conjunto de opções nacionais mais modernas, atrativas e alinhadas às exigências do mercado. Além de maior coloração e melhor sabor, essas variedades apresentam desempenho agronômico mais consistente em território brasileiro, o que tende a estimular a expansão da área plantada.

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Produção, mercado e oportunidade de reduzir importações

Apesar do crescimento do interesse pela fruta, a produção brasileira de nectarina ainda está longe de atender à demanda interna. Rio Grande do Sul e Santa Catarina lideram o cultivo, mas em escala bastante inferior à observada no pêssego. Entre 2020 e 2024, o Brasil importou, em média, mais de 5 mil toneladas de nectarinas por ano, chegando a ultrapassar 10 mil toneladas em períodos anteriores.

Um dos principais entraves históricos foi justamente a ausência de cultivares adaptadas, produtivas e capazes de entregar frutas com padrão visual e sensorial competitivo. A chegada da BRS Carina, somada a outras cultivares nacionais, sinaliza uma mudança nesse cenário. A expectativa é que a ampliação do portfólio estimule novos plantios, fortaleça a cadeia produtiva e reduza gradualmente a dependência de importações.

A nectarina é uma fruta sazonal, com produção concentrada entre novembro e janeiro, período em que o consumo aumenta. O interesse crescente do mercado indica oportunidades claras para produtores que buscam diversificação, agregação de valor e geração de renda. Ao mesmo tempo, o avanço da pesquisa agropecuária é essencial para enfrentar desafios climáticos, logísticos e fitossanitários que impactam a sustentabilidade do setor.

Da genética ao pomar: características agronômicas e valor nutricional

Do ponto de vista técnico, a BRS Carina foi inicialmente identificada como Necta 508 e obtida a partir do cruzamento das cultivares Sunred e Rayon. Ela é indicada para as regiões Sul e Sudeste do Brasil e necessita de 200 a 300 horas de frio, com temperaturas iguais ou inferiores a 7,2 °C. As plantas apresentam vigor médio, floração entre o fim de julho e o início de agosto e colheita a partir do fim de novembro, com variações conforme a região.

Os frutos pesam, em média, entre 80 e 110 gramas, têm diâmetro de 5,5 a 6,5 centímetros e boa firmeza. O teor de açúcares, medido em graus Brix, varia de 11 a 17, o que confere sabor equilibrado e agradável. A produtividade supera 20 toneladas por hectare, podendo ultrapassar 30 toneladas, dependendo do manejo e das condições locais.

Nutricionalmente, a nectarina se destaca como fruta de baixo valor calórico e baixo índice glicêmico, rica em vitaminas, minerais e compostos antioxidantes. Sem a pilosidade presente no pêssego, é de consumo mais prático, dispensando o descascamento. Essas características reforçam seu potencial tanto para o consumo in natura quanto para dietas equilibradas.

O lançamento oficial da cultivar ocorreu durante um dia de campo realizado em novembro, na propriedade do produtor José Nichetti, em Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul. O evento reuniu pesquisadores, produtores e representantes do setor, em uma parceria entre a Embrapa, a Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira e a empresa Silvestrin Frutas, consolidando a BRS Carina como uma nova aposta para o futuro da fruticultura brasileira.