Pará integra desenvolvimento econômico, clima e produção rural em nova estratégia


Um novo ciclo de desenvolvimento ganha forma nos municípios paraenses

O Pará inicia 2026 com uma estratégia mais integrada para impulsionar o desenvolvimento econômico em seus municípios. A atuação do Governo do Estado avança simultaneamente em frentes que combinam planejamento territorial, política industrial, economia circular e fortalecimento da produção rural sustentável. No centro dessa articulação está a ampliação das ações da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), que passa a executar uma programação estruturada em parceria direta com prefeituras de todas as regiões do estado.

Foto: ascom Codec

Alinhadas ao Plano Plurianual, as ações da Codec envolvem a formalização de protocolos de intenções com governos municipais, a construção de agendas conjuntas e o apoio técnico ao planejamento econômico local. A proposta é respeitar as vocações produtivas de cada território, criando condições reais para a geração de emprego e renda. Em 2026, estão previstas mais de 60 ações distribuídas em 26 municípios, alcançando desde o nordeste paraense até o oeste do estado, passando pela Região Metropolitana e pelo Baixo Amazonas.

Planejamento, indústria e atração de investimentos como eixo estruturante

A atuação da Codec tem como um de seus pilares o fortalecimento dos distritos industriais, considerados ferramentas estratégicas para atrair empreendimentos de médio e grande porte. Além da implantação e gestão dessas áreas, a Companhia desenvolve estudos técnicos, organiza informações territoriais e orienta os municípios na preparação para novos investimentos.

Entre as entregas previstas estão Guias do Investidor, seminários regionais de desenvolvimento econômico e ações de prospecção e articulação institucional. Segundo a direção da Codec, esse trabalho contínuo permite que municípios, muitas vezes sem estrutura técnica própria, avancem no planejamento e na organização do ambiente de negócios.

Esse esforço ganha escala a partir dos resultados obtidos em 2025, quando a Codec intensificou a articulação com as prefeituras, realizou diagnósticos socioeconômicos e apoiou a construção de planejamentos estratégicos locais. Um marco desse processo foi a aprovação da Zona de Processamento de Exportação de Barcarena, que reforça a política industrial do Pará e amplia sua inserção nas cadeias globais de produção.

Foto: ascom Codec
Foto: ascom Codec

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Economia circular e clima entram no centro da agenda estadual

Paralelamente ao fortalecimento industrial, o Pará também avança na construção de um novo modelo de desenvolvimento alinhado à transição climática. Durante a COP30, em Belém, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), apresentou a economia circular como eixo estratégico para a descarbonização e a inclusão social.

Em painéis realizados na Green Zone, a Semas defendeu uma abordagem que vai além da reciclagem tradicional, incorporando redução, reuso e novos ciclos produtivos desde a geração até o descarte dos resíduos. A proposta é consolidar uma política estadual de economia circular integrada às metas de mitigação de carbono, com protagonismo das cooperativas e forte participação social.

Iniciativas já em curso incluem a implantação de estruturas de reciclagem e reaproveitamento de materiais, como trituradores de vidro e unidades de manejo sustentável, em municípios como Salinópolis e Castanhal, com expansão prevista para outras regiões. A estratégia busca conectar regulação ambiental, inovação tecnológica e educação ambiental, transformando resíduos em oportunidades econômicas e sociais.

A participação de cooperativas como a Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis (Concaves) reforça a dimensão inclusiva da política. Para os catadores, a economia circular representa reconhecimento, geração de renda e inserção em um modelo produtivo de baixo carbono.

Territórios Sustentáveis e o fortalecimento da produção rural

No campo, a transição para uma economia de baixas emissões ganha materialidade por meio do Programa Territórios Sustentáveis, gerido pela Semas e integrado ao Plano Estadual Amazônia Agora. A iniciativa atende mais de 2 mil produtores rurais em 43 municípios, com foco especial em áreas historicamente pressionadas pelo desmatamento.

O programa articula regularização fundiária, acesso a crédito e seguro rural, assistência técnica e garantia de acesso a mercados. Órgãos como a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater), o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e o Banco do Estado do Pará (Banpará) atuam de forma integrada.

Um dos principais instrumentos do Territórios Sustentáveis é a implantação de Sistemas Agroflorestais em áreas degradadas, aliando recuperação ambiental à geração de renda. O programa já beneficiou milhares de famílias e prevê alcançar até 100 municípios até 2026, com impactos diretos na preservação de mais de 400 km².

Relatos de produtores mostram que a combinação de assistência técnica, insumos de qualidade e acesso a políticas públicas transforma realidades locais, recupera áreas degradadas e fortalece cadeias produtivas sustentáveis.