Nova estratégia nacional pretende impulsionar a bioeconomia até o ano de 2035

Governo apresenta plano para desenvolver bioeconomia no país O PNDBio foi lançado pelos ministros Marina Silva e Geraldo Alckmin Fabíola Sinimbú - Repórter da Agência Brasil Publicado em 01/04/2026 - 12:58 Brasília Cachoeiras de Macacu (RJ) 25/11/2024 - Reflorestamento com mudas variadas do Projeto Guapiaçu na Fazenda Escola da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal Fluminense, para restauração da Mata Atlântica. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil© Fernando Frazão/Agência Brasil Versão em áudio O governo apresentou, nesta quarta-feira (1º), uma nova estratégia para tornar a biodiversidade um dos principais ativos econômicos de desenvolvimento no país até 2035. O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) deve abranger desde extrativistas até a indústria. Entre as metas estão a ampliação do pagamento por serviços ambientais, incorporação de novos fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e a concessão de novas Unidades de Conservação para promoção de ecoturismo.O PNDBio está organizado em três eixos: Sociobioeconomia e ativos ambientais; Bioindustrialização competitiva e Produção sustentável de biomassa. A secretária nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Carina Pimenta, explicou que se trata de uma estratégia de desenvolvimento nacional que olha para os ativos ambientais não apenas do ponto de vista da conservação, mas de como fazer o uso deles dentro das atividades econômicas, "gerando um novo ciclo de prosperidade"Brasília (DF), 01/04/2026 - A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participam do lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que marca uma virada na estratégia de desenvolvimento do país ao posicionar a biodiversidade como ativo econômico. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, a bioeconomia pensada para o Brasil é para todos.“Há lugar para extrativista, para industrial do cosmético, dos fármacos. É uma bioeconomia para um novo ciclo de prosperidade”, acrescenta.>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsAppIndústria No eixo de bioindustrialização, o plano pretende atuar especialmente nos setores de saúde e bem-estar, a partir do uso sustentável do patrimônio genético. Estão previstas a incorporação de novos fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e um aumento 5% da participação desse tipo de medicamento no faturamento da indústria farmacêutica do país.Serviços ambientais O primeiro eixo prevê a estruturação de um ecossistema de negócios comunitários da sociobioeconomia. Entre as ações estão o apoio a 6 mil empreendimentos, o aumento de 20% nos contratos da linha de financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) destinada a produtores de baixa renda, além da duplicação do valor bruto produzido ao ano a partir da sociobiodiversidade.Também estão previstos a valorização de serviços ambientais e socioculturais promovidos por povos e comunidades tradicionais, a partir do pagamento a 300 mil beneficiários. Também foi proposto o aumento em 50%, até 2035, no número de organizações que podem receber benefícios a partir da repartição de benefícios do patrimônio genético. O patrimônio genético é o conjunto de informações contidas nas plantas, animais e microrganismos que são utilizados na indústria cosmética, farmacêutica e de outros ramos. A legislação já prevê que as comunidades tradicionais, como povos indígenas, recebam parte desse lucro. A meta é ampliar essa repartição.O PNDBio tem como meta a recuperação de vegetação nativa de 2,3 milhões de hectares integrados às cadeias da bioeconomia, além da consolidação de 30 territórios de restauração no país. Também estão previstas a concessão de 60 Unidades de Conservação para promoção de ecoturismo e do aumento das áreas para manejo florestal para 5,28 milhões de hectares.Economia circular Brasília (DF), 01/04/2026 - A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participam do lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que marca uma virada na estratégia de desenvolvimento do país ao posicionar a biodiversidade como ativo econômico. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin - Marcelo Camargo/Agência Brasil O Plano Nacional destaca ainda, no terceiro eixo, o aproveitamento da biomassa na indústria nacional, com origem em produtos agrícolas e florestais. Biomassa é todo material orgânico de origem vegetal ou animal que pode ser utilizado como fonte de energia. Também está incluso o desenvolvimento da indústria bioquímica de renováveis, à exemplo da produção de biocombustíveis como o etanol.“Inovadora, competitiva, exportadora e verde. Então temos uma indústria sustentável”, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.O PNDBio é resultado do trabalho desenvolvido ao logo de dois anos com a participação de 16 ministérios, organizações da sociedade civil, da academia e do setor privado que atuaram na Comissão Nacional de Bioeconomia (CNBio).Após ser submetido a consulta pública, com mais de 900 contribuições, a política pública foi concluída e aprovada pela CNBio em 5 de março de 2026, com a definição de 185 ações estratégicas para o país.

O Brasil desenha uma nova rota para o seu futuro econômico ao colocar a riqueza natural no centro de sua estratégia de crescimento. Em um movimento que busca unir a preservação ambiental ao avanço industrial, o governo federal lançou oficialmente uma política pública que pretende transformar a imensa biodiversidade do país em um motor de riqueza sustentável até o ano de 2035. Batizado de Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, o projeto propõe uma mudança profunda na forma como a sociedade lida com suas florestas e ecossistemas, integrando desde as comunidades tradicionais que vivem da coleta na mata até os laboratórios de tecnologia de ponta.

Essa estratégia nacional foi detalhada e apresentada de forma conjunta pelos ministros Marina Silva e Geraldo Alckmin. O documento final não nasceu do dia para a noite; ele é o fruto maduro de uma construção coletiva que levou dois anos de debates intensos. Ao todo, dezesseis ministérios uniram forças com representantes do setor privado, cientistas da academia e organizações da sociedade civil dentro da chamada Comissão Nacional de Bioeconomia para dar vida às cento e oitenta e cinco ações estratégicas que compõem o plano.

Uma nova arquitetura para os negócios da floresta

A espinha dorsal dessa iniciativa repousa sobre três grandes pilares que buscam organizar o caos produtivo e dar escala às práticas que já dão certo isoladamente. O primeiro desses eixos foca diretamente na sociobioeconomia e na valorização dos ativos ambientais. A ideia central aqui é estruturar um verdadeiro ecossistema de negócios comunitários que consiga gerar renda sem derrubar uma única árvore. Para que isso saia do papel, a meta estabelecida pretende apoiar diretamente seis mil empreendimentos locais.

Além disso, o governo planeja dar um fôlego financeiro expressivo aos pequenos produtores por meio de um acréscimo de vinte por cento nos contratos de crédito voltados para a agricultura familiar de baixa renda. O resultado esperado para essa cadeia produtiva é ambicioso: duplicar o valor bruto que a sociobiodiversidade gera anualmente. Paralelamente a esse movimento de mercado, o projeto prevê uma compensação financeira direta para trezentas mil pessoas que atuam como verdadeiras guardiãs da floresta, por meio do pagamento por serviços ambientais e socioculturais.

O salto tecnológico da indústria farmacêutica e o turismo

O segundo pilar do plano mira na bioindustrialização competitiva, um campo onde a ciência brasileira pode brilhar ao usar de forma inteligente as informações contidas no patrimônio genético de nossa fauna e flora. O foco principal dessa frente está voltado para os setores de saúde e bem-estar. Como reflexo prático dessa política, a população começará a perceber mudanças diretamente no balcão de atendimento médico.

O governo planeja incorporar novos medicamentos fitoterápicos na rede do Sistema Único de Saúde, ampliando o leque de tratamentos naturais e acessíveis para a população. Para a iniciativa privada, a meta estabelecida é ousada: fazer com que a participação desses remédios derivados de plantas cresça cinco por cento no faturamento total de toda a indústria farmacêutica instalada no território nacional.

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

Para além dos laboratórios, a preservação também vai gerar recursos através da contemplação da natureza. O plano estabelece a concessão de sessenta Unidades de Conservação federais para a iniciativa privada com o objetivo específico de estruturar e promover o ecoturismo. Ao mesmo tempo, para garantir que haja matéria-prima sustentável sem pressões de desmatamento, as áreas destinadas ao manejo florestal controlado devem ser expandidas para mais de cinco milhões de hectares.

A força da biomassa e a inteligência da economia circular

O terceiro e último pilar da nova estratégia governamental se debruça sobre a produção sustentável de biomassa e o conceito de economia circular. A proposta aqui é aproveitar todo e qualquer resíduo de origem vegetal ou animal gerado pelas atividades agrícolas e florestais para transformá-los em matérias-primas nobres e fontes de energia limpa para as fábricas do país.

Esse movimento pretende impulsionar a chamada indústria bioquímica de renováveis. O foco está no desenvolvimento e no aperfeiçoamento de biocombustíveis avançados, a exemplo do etanol, que já possui uma cadeia consolidada no país, mas que agora ganha novas perspectivas tecnológicas. Ao criar esse ciclo fechado onde o resíduo de uma cadeia vira o alimento produtivo de outra, o país tenta desenhar uma indústria que seja, ao mesmo tempo, inovadora, exportadora e profundamente verde..

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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Um pacto social construído a muitas mãos

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, fez questão de enfatizar que essa guinada em direção à bioeconomia não foi desenhada para beneficiar apenas um grupo seleto de empresários ou corporações. Segundo a visão apresentada pela pasta, há espaço de sobra para a convivência pacífica e sinérgica entre o extrativista que coleta castanhas na floresta e o grande industrial que fabrica cosméticos ou remédios de alta tecnologia nos centros urbanos.

Antes de virar decreto e ser devidamente aprovado pela comissão responsável em março, o texto passou pelo crivo da população através de um processo de consulta pública que recolheu mais de novecentas sugestões e contribuições da sociedade. Agora, com as diretrizes traçadas e as metas estipuladas para os próximos anos, o grande desafio reside na execução prática e na fiscalização dessas cento e oitenta e cinco ações para garantir que o ciclo de prosperidade prometido realmente alcance as comunidades da floresta.

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