Encontrar um gambá no quintal à noite pode ser uma surpresa para muitos, mas é uma situação mais comum do que se imagina, especialmente em áreas urbanas próximas a matas, terrenos baldios ou jardins bem arborizados. Esses animais são nativos das Américas e têm hábitos noturnos, o que significa que é justamente quando a casa silencia e escurece que eles saem em busca de comida.
Apesar da fama de “fedorentos”, os gambás são animais inofensivos e cumprem um papel ecológico importante. Ainda assim, é fundamental saber como agir para evitar riscos e manter o equilíbrio entre o bem-estar humano e o respeito à fauna.
O gambá, também conhecido como saruê, pertence à família dos marsupiais, assim como os cangurus. Ele é um animal solitário, omnívoro e oportunista: alimenta-se de frutas, insetos, restos de comida, pequenos roedores e até escorpiões. Por isso, sua presença pode indicar que há algum atrativo no quintal — como lixeiras expostas, restos de alimentos ou abrigo em áreas de vegetação densa.
Ao se deparar com um gambá, é importante manter a calma. Eles não são agressivos e, quando se sentem ameaçados, tendem a fugir, se fingir de mortos ou liberar um líquido com odor forte como mecanismo de defesa.
O primeiro passo é manter distância. O gambá, mesmo sendo dócil, pode ficar estressado com a presença humana e adotar comportamentos defensivos. Não tente tocá-lo, pegá-lo com as mãos ou encurralá-lo. Deixe-o livre para seguir seu caminho.
Evite gritar ou usar objetos para espantá-lo com violência. Isso pode fazer com que o animal se sinta acuado, aumentando a chance de liberação do famoso “spray fedorento”, que, aliás, pode impregnar roupas e móveis por vários dias.
Verifique se o gambá parece saudável: se está caminhando normalmente, se tem boa coordenação motora e se não está ferido. Caso ele pareça doente, com comportamento estranho ou ferimentos visíveis, o ideal é não interferir e acionar órgãos competentes, como o centro de zoonoses ou a guarda ambiental da sua cidade.
Gambás também podem ser vítimas de atropelamentos ou ataques de cães. Nesses casos, se possível, tire fotos à distância e envie junto com a localização para as autoridades responsáveis pelo resgate de animais silvestres.
Se o gambá apareceu mais de uma vez no seu quintal, provavelmente encontrou algo que o atraiu — geralmente restos de comida. Mantenha lixeiras bem tampadas, evite deixar frutas caídas no chão e não deixe ração de animais domésticos exposta à noite.
Também é importante verificar se há possíveis tocas ou esconderijos onde ele possa se abrigar, como pilhas de madeira, entulhos ou vãos sob escadas. Mantenha esses espaços limpos e, se necessário, vede-os com telas para evitar o retorno do animal.
Como os gambás são noturnos e preferem ambientes escuros e silenciosos, uma maneira simples de espantá-los sem agressividade é manter o quintal bem iluminado. Luzes com sensores de presença podem ser muito eficazes.
Além disso, sons suaves como rádio ligado ou barulhos leves e contínuos durante a noite ajudam a desencorajar a aproximação. Evite sons altos repentinos para não assustar o animal de forma extrema.
É importante lembrar que o uso de venenos, armadilhas e outros métodos cruéis contra gambás é crime ambiental no Brasil, conforme previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98). Eles são protegidos por lei, e a interferência inadequada pode trazer consequências legais.
Se o gambá passou a frequentar sua casa com frequência e está causando transtornos, procure ajuda especializada. Biólogos, ONGs de proteção animal e órgãos ambientais possuem protocolos corretos para o manejo e realocação segura desses animais.
Por mais estranho que pareça, a visita de um gambá pode indicar que seu quintal está oferecendo um ecossistema saudável: com árvores, frutas, insetos e pouca presença de agrotóxicos. Esses animais ajudam no controle de pragas, como baratas e escorpiões, e ainda contribuem para a dispersão de sementes.
Portanto, em vez de enxergar o gambá como um intruso, veja-o como parte da biodiversidade que resiste nos espaços urbanos. Promover o convívio pacífico com a fauna silvestre é uma forma inteligente e sensível de manter o ambiente equilibrado.
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