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Tucumã supera cenoura em betacaroteno e move toneladas do fruto nas feiras de Belém

O tucumã apresenta uma concentração de betacaroteno três vezes superior à encontrada na cenoura comercial, consolidando-se como uma das maiores fontes vegetais de pró-vitamina A na biodiversidade das Américas. Esse pigmento natural confere à polpa do fruto a sua coloração alaranjada característica e atua diretamente como precursor da vitamina A no organismo humano, desempenhando papel central na manutenção da saúde ocular e no fortalecimento do sistema imunológico. Os dados analíticos de composição nutricional revelam que o consumo de pequenas porções diárias da polpa atende plenamente às necessidades biológicas dessa vitamina para um indivíduo adulto.

O comércio desse fruto movimenta toneladas anuais nas feiras livres de Belém, com destaque para o Mercado do Ver-o-Peso e a feira da 25 de Setembro. Os feirantes realizam o descascamento manual com facas afiadas, retirando finas lascas da polpa firme que envolve o caroço lenhoso e escuro. Esse manejo artesanal garante o frescor do produto, que é comercializado em sacos plásticos transparentes ou potes, prontos para o consumo imediato pela população local. A cadeia produtiva envolve famílias de extrativistas de diversos municípios ribeirinhos que fazem o transporte fluvial dos paneiros carregados até as docas da capital.

A espécie encontrada em abundância nos mercados paraenses é a Astrocaryum vulgare, uma palmeira que cresce em áreas de capoeira e terra firme, diferindo do tucumã-do-amazonas (Astrocaryum aculeatum) no tamanho e na espessura da polpa. O fruto paraense possui casca que varia do verde ao amarelo quando maduro, com uma camada comestível ligeiramente mais compacta e fibrosa. Além do elevado teor de vitamina A, a polpa é composta por ácidos graxos insaturados, predominantemente o ácido oleico, semelhante ao perfil lipídico do azeite de oliva, o que contribui para o equilíbrio dos níveis de colesterol no sangue.

A sazonalidade do tucumã dita o ritmo de oferta e oscilação de preços ao longo do ano no mercado paraense. O período de maior safra ocorre durante os meses de inverno amazônico, que compreende a época de chuvas mais intensas na região, quando a maturação dos cachos atinge o ápice e os preços nas feiras sofrem reduções significativas devido à alta oferta. Nos meses de entressafra, a escassez do produto eleva o valor do quilo da polpa descascada, exigindo que os batedores e feirantes busquem frutos em áreas mais distantes para suprir a demanda contínua dos consumidores urbanos.

Na culinária de Belém, o fruto é consumido de forma tradicional acompanhado de farinha de mandioca d’água grossa no café da manhã ou no lanche da tarde. O contraste entre a textura oleosa da polpa e a crocância da farinha faz parte do hábito alimentar consolidado na região. Nos últimos anos, as sorveterias artesanais da capital integraram o tucumã ao cardápio fixo, transformando a polpa congelada em sorvetes cremosos que preservam o sabor ligeiramente adocicado e o aroma marcante do fruto natural, atraindo tanto moradores quanto visitantes interessados na gastronomia local.

A valorização do tucumã nas feiras urbanas reforça a viabilidade econômica do extrativismo sustentável como alternativa ao desmatamento de áreas de floresta secundária. Como a palmeira se regenera com facilidade em solos degradados e pastagens abandonadas, a coleta dos frutos gera renda para as comunidades tradicionais sem a necessidade de supressão da vegetação nativa. Compreender o valor nutricional e econômico dessas espécies locais ajuda a consolidar o papel da floresta em pé na segurança alimentar e no desenvolvimento socioambiental da região amazônica.

Tucumã supera cenoura | O tucumã possui o triplo do betacaroteno da cenoura, destacando-se como fonte de pró-vitamina A. Comercializado em toneladas nas feiras de Belém, o fruto da palmeira Astrocaryum vulgare é consumido com farinha de mandioca ou em sorvetes artesanais. Sua produção sazonal movimenta a economia de comunidades extrativistas, mostrando como o uso sustentável dos recursos florestais garante renda e preservação ambiental na Amazônia.

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