
A comunicação entre células de diferentes tecidos é uma das maravilhas da biologia, permitindo que nosso corpo funcione como um todo integrado. Uma dessas formas de comunicação é a troca de moléculas de RNA, um fenômeno que tem sido objeto de estudo intenso nos últimos anos.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizaram experimentos com vermes da espécie Caenorhabditis elegans e descobriram que quando essa via de comunicação é desregulada, a longevidade do organismo é reduzida. Este achado, divulgado na revista Gene, traz uma nova compreensão sobre o processo de envelhecimento e as doenças associadas.
A Conversa das Células
Estudos anteriores já haviam demonstrado que alguns tipos de RNA podem ser transferidos de uma célula para outra, mediando uma comunicação intertecidual. Isso é considerado um mecanismo de sinalização entre órgãos ou entre células vizinhas e participa de processos de várias doenças e do funcionamento normal do organismo.
Leia também
A nova era da vigilância: China planeja mobilizar 10 mil robôs humanoides em suas fronteiras
A bioeconomia do futuro já começou e ela depende dos mistérios da física quântica aplicados à nossa floresta
5 detalhes técnicos sobre a descoberta de descargas elétricas em Marte que podem mudar o planejamento de futuras colônias humanas no planeta vermelho.O que não estava claro até agora, e que os pesquisadores da Unicamp conseguiram provar, é que alterações no padrão dessa ‘conversa’ que ocorre por meio das moléculas de RNA podem afetar o envelhecimento.
O Impacto na Longevidade
O professor do Instituto de Biologia da Unicamp, Marcelo Mori, coautor do artigo, explica que esse mecanismo de comunicação precisa estar bem ajustado para conferir ao organismo um tempo de vida adequado. Se algum tecido aumenta a sua capacidade de absorver alguns tipos de RNA do meio extracelular, isso acaba tendo um impacto na longevidade do organismo.
Quebrando as Regras
A investigação sobre o mecanismo de transporte de RNA entre células foi inspirada pela descoberta do fenômeno de RNA de interferência (RNAi), que rendeu o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina aos cientistas norte-americanos Andrew Fire e Craig Mello em 2006. Eles conseguiram, usando o RNA de interferência, “desligar” genes de forma precisa.
A descoberta do RNAi relativizou um dogma central da biologia molecular. Até então, acreditava-se que o fluxo de informações do código genético seria uma via de mão única, partindo do DNA, passando pelo RNA e culminando em proteínas. No entanto, ficou claro que o RNA também pode ter uma função regulatória sobre o genoma.
Este estudo traz uma nova luz sobre o complexo processo de envelhecimento e abre caminho para futuras pesquisas sobre doenças associadas ao envelhecimento. Ainda há muito a ser descoberto sobre a comunicação celular e seu impacto em nossa saúde e longevidade.
Nunca perca uma notícia da AmazôniaControle o que você vê no Google
O Google lançou as Fontes Preferenciais: agora você pode escolher os veículos que aparecem com prioridade na sua busca. Adicione a Revista Amazônia e garanta cobertura exclusiva da Amazônia sempre em destaque.
Adicionar Revista Amazônia como Fonte Preferencial1. Pesquise qualquer assunto no Google
2. Toque no ⭐ ao lado de "Principais Notícias"
3. Busque Revista Amazônia e marque a caixa — pronto!















