Brasil observa diminuição de 8% nas liberações de gases de efeito estufa em 2022

Desafios Climáticos: Brasil Registra Queda nas Emissões de Gases de Efeito Estufa

O Brasil presenciou uma diminuição de 8% nas liberações de gases de efeito estufa em 2022, conforme o relatório do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG), publicado na quinta-feira (23). Apesar da diminuição, os números representam a terceira maior marca desde 2005, ultrapassada apenas pelos anos de 2019 e 2021.

A queda na taxa de desflorestamento da Amazônia no ano passado e o grande volume de chuvas, que resultaram em uma redução recorde na ativação de termelétricas fósseis, foram os principais fatores que contribuíram para esse resultado.

No entanto, o relatório aponta que o aumento das liberações nos últimos quatro anos representa um desafio para o Brasil cumprir a meta de redução estabelecida no Acordo de Paris. Para atingir essa meta, é necessário reduzir em 49% as liberações provenientes do desflorestamento na Amazônia até 2025.

Os setores mais poluentes foram as mudanças no uso da terra, responsáveis por 48% das liberações totais, e a agropecuária, com 27% das liberações nacionais. Apesar disso, a redução de 11% no desflorestamento na Amazônia em 2022 contribuiu para a diminuição no total de gases liberados.

O setor energético, o terceiro mais poluente, viu uma queda de 5% na liberação de gases. Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente, atribuiu o resultado positivo às condições climáticas favoráveis para a geração de energia hidrelétrica.

O SEEG também analisou a possibilidade de cumprimento das novas metas de redução de liberação estabelecidas pelo governo federal. Com base no histórico de liberações de 1990 a 2022, avalia-se que os objetivos estabelecidos para 2025 e 2030 podem ser cumpridos. No caso da meta de 2025, é necessário reduzir o desflorestamento na região amazônica em 33%.

David Tsai, coordenador do SEEG, afirmou que os dados mostram que há muito espaço para aumentar a ambição climática do Brasil. Ele ressaltou que, se o governo estiver falando sério sobre ser o grande defensor da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima da média pré-industrial, terá de aumentar a ambição da NDC atual já para 2030.