
Belém se prepara para receber, entre 30 de setembro e 2 de outubro de 2025, a Casa do Saneamento, iniciativa acolhida pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). O encontro acontece poucos dias antes da COP30, em um momento em que o Brasil se mobiliza para apresentar ao mundo caminhos concretos de adaptação e mitigação diante da crise climática.
A Casa do Saneamento nasce com um propósito claro: ser um espaço de diálogo e convergência para discutir como o saneamento básico e a saúde ambiental podem se tornar eixos estruturantes de desenvolvimento sustentável. Empresas públicas, gestores municipais, especialistas e organizações do setor se reunirão em Belém para debater soluções e construir propostas conjuntas que terão como ponto alto a elaboração da Carta do Saneamento, documento que será entregue oficialmente aos negociadores da COP30.
A proposta vai além de um evento pontual. O conceito de “Casa do Saneamento” carrega a ideia de acolhimento e pertencimento: cada município, comunidade ou instituição pode se tornar uma dessas casas, funcionando como ponto permanente de troca de experiências e fortalecimento institucional. A intenção é multiplicar essa rede, especialmente junto às cidades de pequeno porte — aquelas com até 50 mil habitantes — além de áreas rurais e populações vulneráveis, que historicamente enfrentam maiores dificuldades de acesso a serviços essenciais.
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Lindsay Levin diz que Brasil conduziu COP30 com habilidade em cenário tensoO presidente da FUNASA, Alexandre Motta, participará ativamente dos três dias de programação, reforçando o papel da fundação como articuladora de soluções para o setor. Para ele, tratar do saneamento no contexto da COP30 é mostrar ao mundo que o Brasil compreende a urgência de integrar políticas de infraestrutura básica às estratégias de combate às mudanças climáticas.

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“O saneamento é uma agenda estruturante para o Brasil. A Casa do Saneamento nasce como um espaço aberto, onde todos podem contribuir para soluções que enfrentem a crise climática e melhorem a qualidade de vida da população”, afirmou Motta ao destacar o caráter inclusivo da iniciativa.
Os debates programados não se restringirão a diagnósticos. A ideia é avançar em propostas viáveis e ações práticas, capazes de inspirar tanto políticas públicas quanto investimentos privados. O foco será o fortalecimento de modelos que aliem eficiência, equidade social e sustentabilidade ambiental.
Nesse sentido, a Casa do Saneamento pretende também valorizar experiências locais que já demonstram resultados positivos. Muitos municípios amazônicos e do interior do país têm desenvolvido soluções criativas para lidar com os desafios de abastecimento de água, tratamento de esgoto e destinação correta de resíduos sólidos. Essas iniciativas podem ganhar visibilidade e servir como modelos replicáveis em outras regiões.
Outro eixo central do encontro é a saúde ambiental. A relação entre saneamento e saúde pública é direta: falta de água potável e de coleta adequada de esgoto contribui para a propagação de doenças e compromete a qualidade de vida, sobretudo em comunidades mais pobres. Ao trazer esse debate para o centro da agenda climática, a FUNASA reforça que enfrentar a crise do saneamento é também enfrentar a vulnerabilidade social e fortalecer a resiliência das populações.
A realização da Casa do Saneamento às vésperas da COP30 tem um valor simbólico. O evento não apenas prepara o setor para se posicionar em Belém, mas também marca um compromisso nacional de que a universalização do saneamento é parte indissociável da resposta brasileira às mudanças climáticas. A Carta do Saneamento será um registro dessa mobilização coletiva, reunindo diagnósticos, propostas e compromissos que poderão nortear políticas públicas e negociações internacionais.
Belém, que se prepara para receber chefes de Estado, negociadores e representantes da sociedade civil de todo o mundo durante a COP30, será também cenário de um diálogo essencial: como garantir que água limpa, esgotamento sanitário e gestão de resíduos não sejam apenas promessas, mas direitos efetivos de toda a população.
Ao abrir as portas da Casa do Saneamento, a FUNASA sinaliza que o Brasil não trata o saneamento como um tema técnico isolado, mas como uma base para o futuro do país. É uma convocação para que gestores, especialistas, empresas e comunidades se unam em torno de uma agenda comum: transformar o saneamento em vetor de desenvolvimento, saúde e justiça climática.
Serviço
Casa do Saneamento – Pré-COP30
Data: 30 de setembro a 2 de outubro de 2025
Local: Unidade da FUNASA no Pará – SUEST/PA
Endereço: Av. Visconde de Souza Franco, 616 – Reduto, Belém/PA
















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