53 cientistas registram 3,2 °C a mais na estação seca do centro-norte da Amazônia longe do arco do desmatamento

53 cientistas registram 3,2 °C a mais na estação seca do centro-norte da Amazônia longe do arco do desmatamento
Ilustração: Revista Amazônia

Estudo publicado em setembro aponta aumento de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas máximas da estação seca desde 1981 em uma área de floresta distante do desmatamento.

O calor aumentou onde a floresta parecia mais protegida

As temperaturas máximas da estação seca subiram pelo menos 3,2 °C em uma vasta área do centro-norte da Amazônia desde 1981. O registro foi feito por um estudo conduzido por 53 cientistas brasileiros e estrangeiros, que analisaram a evolução do calor em uma região de floresta distante do chamado arco do desmatamento. A elevação aparece justamente em um território onde se esperava encontrar maior proteção contra o aquecimento associado às mudanças na cobertura da terra.

O resultado desloca a atenção para uma parte da Amazônia que não costuma ser definida pela proximidade com áreas de derrubada. A floresta do centro-norte aparece no estudo como um território que também experimentou uma mudança térmica expressiva durante a estação mais seca. O número de 3,2 °C se refere ao aumento mínimo registrado nas temperaturas máximas, e não a uma média geral de todos os dias ou meses. Essa distinção é importante porque descreve o comportamento dos picos de calor no período analisado.

O que os cientistas mediram desde 1981

A comparação cobre o intervalo iniciado em 1981 e alcança os dados usados no estudo publicado em 2026. Ao longo desse período, os pesquisadores identificaram uma elevação de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas máximas da estação seca em uma área extensa do centro-norte amazônico. A pesquisa reuniu 53 autores de diferentes origens, brasileiros e estrangeiros, e foi publicada na revista científica Communications Earth & Environment.

O recorte temporal permite observar uma transformação acumulada, e não apenas um episódio isolado de calor. A estação seca funciona como referência para comparar o comportamento das temperaturas máximas entre o começo da série e o período mais recente estudado. O resultado também evita uma leitura limitada a pontos próximos de cidades ou de frentes de desmatamento. A área analisada está entre as porções de floresta mais distantes do arco do desmatamento, o que torna o registro relevante para compreender a dimensão regional do aquecimento.

Por que a localização muda a leitura do resultado

O dado chama atenção porque a distância das áreas mais pressionadas pelo desmatamento poderia levar à expectativa de uma condição térmica mais protegida. A floresta, entretanto, não aparece isolada das mudanças observadas em escala amazônica. Mesmo em uma área remota em relação ao arco do desmatamento, as temperaturas máximas da estação seca avançaram de forma acentuada no período analisado.

Essa constatação não transforma o estudo em uma prova de que uma única causa explique toda a elevação. O resultado apresentado mede a mudança de temperatura e mostra onde ela ocorreu, mas a interpretação completa de seus mecanismos depende da análise científica do conjunto de fatores envolvidos. Entre eles podem estar processos ligados ao clima regional e às condições da própria estação seca, mas a informação central do trabalho é a medição do aquecimento. A prudência também impede transformar o número em uma previsão automática sobre o futuro de cada trecho da floresta.

Um sinal para a floresta e para o Brasil

Temperaturas máximas mais altas na estação seca alteram o contexto físico em que a floresta atravessa o período de menor umidade. O registro não significa que toda a Amazônia tenha aquecido exatamente 3,2 °C, nem que todos os pontos da região apresentem a mesma variação. Ele indica uma alta de pelo menos esse valor em uma área vasta do centro-norte amazônico, segundo o estudo. A escala regional é o aspecto que dá peso ao achado.

A pesquisa foi publicada na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, na Communications Earth & Environment, e a história foi divulgada pelo HiperNotícias. A conexão brasileira está no próprio desenho do trabalho, conduzido por cientistas brasileiros e estrangeiros e concentrado em uma das grandes áreas de floresta do país. O resultado lembra que a distância do desmatamento não equivale a isolamento climático. Para a Amazônia, proteger a mata continua sendo essencial, mas compreender como o calor se move além das áreas diretamente alteradas também se tornou parte da defesa de seu futuro.

Com informações do HiperNotícias.

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