
O Arquipélago do Marajó, situado na foz do Rio Amazonas, no estado do Pará, é um território de superlativos e singularidades. Considerado o maior arquipélago fluviomarítimo do mundo, o Marajó é um mosaico de ecossistemas onde florestas densas, campos alagados, savanas e praias de rio e mar coexistem sob a influência pulsante das marés. No entanto, sua característica mais marcante e que define sua identidade cultural e econômica é a presença imponente do búfalo d’água ( Bubalus bubalis). Segundo pesquisas, o Marajó abriga o maior rebanho de búfalos do Brasil, com centenas de milhares de cabeças. Essa simbiose entre o animal e o território moldou não apenas a paisagem, mas também um modelo de turismo rural sustentável que atrai visitantes em busca de autenticidade, contato com a natureza e sabores ancestrais.
O encontro entre a tradição e o turismo rural
As fazendas de búfalos do Marajó são os pilares desse modelo de turismo. Muitas delas abriram suas portas para o visitante, oferecendo uma imersão na rotina pantaneira da região. O turismo rural no Marajó não é apenas contemplativo; é uma experiência vivencial. O búfalo, longe de ser apenas um animal de carga ou de produção de carne e leite, é o protagonista de diversas atividades. É comum ver os “vaqueiros marajoaras” – figuras emblemáticas com seu gibão de couro e chapéu de palha – montados em búfalos para conduzir o rebanho pelos campos alagados, um espetáculo de força e habilidade que remonta a séculos de adaptação.
Para os turistas, a experiência inclui passeios montados, permitindo uma perspectiva única e segura para atravessar as áreas inundadas onde veículos motorizados não chegam. No entanto, o turismo nas fazendas marajoaras expandiu-se muito além da montaria. Hoje, ele se integra a uma proposta mais ampla de ecoturismo, valorizando a biodiversidade do arquipélago e oferecendo alternativas de renda que incentivam a preservação dos campos e florestas.
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Uma das atividades mais procuradas nas fazendas é o passeio de canoa pelos igarapés e canais que serpenteiam os campos alagados. Em silêncio, apenas ao som dos remos na água, os visitantes podem explorar a rica flora aquática e a vida selvagem que habita as margens. Esses passeios são portas de entrada para outro nicho do turismo que vem crescendo na região: a observação de aves, ou birdwatching.
O Marajó é um santuário para as aves. A diversidade de habitats atrai uma infinidade de espécies, tanto residentes quanto migratórias. Segundo estudos ornitológicos, a região é um dos melhores locais do Brasil para avistar espécies como o guará-vermelho (Eudocimus ruber), com sua plumagem de um vermelho vibrante, a colhereira (Platalea ajaja), com seu bico em formato de colher, e diversas espécies de garças, martins-pescadores e rapinas, como o gavião-belo (Busarellus nigricollis). As fazendas, ao preservarem suas áreas de campo e mata, tornam-se refúgios essenciais para essas populações aladas, transformando o turismo de observação em uma ferramenta de conservação.
O ouro branco do Marajó: O queijo artesanal de búfala
Se o búfalo é a alma do turismo marajoara, o queijo artesanal é o sabor que o eterniza. A gastronomia local é rica e variada, mas o queijo do Marajó, feito exclusivamente com leite de búfala, é uma iguaria que conquistou o Brasil e o mundo. Esse queijo possui características únicas, que o diferenciam de qualquer outro queijo de búfala produzido no país. Segundo pesquisas sobre patrimônio alimentar, o método de produção, transmitido de geração em geração, é um dos mais antigos do Brasil, remontando ao século XIX.
O leite de búfala é mais rico em gordura e proteína do que o leite de vaca, o que resulta em um queijo de sabor mais intenso e textura extremamente cremosa. O autêntico queijo do Marajó possui duas variedades principais: o tipo “Creme”, de textura macia e untuosa, que derrete na boca, e o tipo “Manteiga”, que leva manteiga de garrafa no preparo, conferindo um sabor mais amanteigado e uma cor mais amarelada. Em 2021, o queijo do Marajó recebeu a Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, um reconhecimento oficial que valoriza a história, a tradição e o terroir da região. Visitar as fazendas e as queijarias artesanais, acompanhar a produção e degustar o queijo fresquinho é uma parte indispensável da experiência no arquipélago.
Sustentabilidade e o futuro do Marajó
O turismo rural sustentável nas fazendas de búfalos é um modelo promissor para o futuro do Marajó. Ao unir a valorização da cultura local, a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento econômico, ele cria um ciclo virtuoso de benefícios. No entanto, esse modelo enfrenta desafios, como a necessidade de infraestrutura adequada, a qualificação profissional e a gestão equilibrada do fluxo de visitantes para evitar impactos negativos nos ecossistemas e nas comunidades locais.
A preservação do Arquipélago do Marajó depende de entendermos que a natureza e a cultura são indissociáveis. O turismo que valoriza o búfalo, a observação de aves e o queijo artesanal é uma forma de garantir que as futuras gerações possam continuar vivenciando a magia desse território único.
Para saber mais sobre os peixes da região, acesse o portal do Inpa ou do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Ao visitar o Marajó, o turista não está apenas consumindo um produto, mas apoiando um modelo de vida que resiste e se adapta. O convite que fica é para um olhar mais atento e respeitoso para as complexas relações que ocorrem na foz do Rio Amazonas.
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