196 países e a União Europeia abrem a COP17 na Arménia com plano de 23 metas, subsídios de 2,6 biliões em disputa e prazo curto

196 países e a União Europeia abrem a COP17 na Arménia com plano de 23 metas, subsídios de 2,6 biliões em disputa e prazo curto
Foto: Vahram Baghdasaryan/PHOTOLURE vi - Vahram Baghdasar

Conferência da ONU em Erevan testa, quase quatro anos depois do acordo de Kunming-Montreal, se a promessa de proteger a natureza sai do papel.

Quem cobra a conta da destruição da natureza também a financia. É esse o nó que 196 países e a União Europeia tentam desatar a partir de segunda-feira, 19 de outubro, em Erevan, na Arménia, na COP17 sobre a biodiversidade, a conferência da ONU que deve durar duas semanas.

O objetivo declarado é melhorar a proteção da Terra e dos oceanos, restaurar ecossistemas degradados e combater os pesticidas e a poluição. O caminho passa por transformar metas já aprovadas em medidas que possam ser medidas.

O dinheiro que alimenta o problema

O ponto mais sensível é o dos subsídios a atividades prejudiciais ao planeta, entre elas os combustíveis fósseis. Segundo a ONU, esses subsídios somam 2,6 biliões de dólares por ano (na escala brasileira, 2,6 trilhões).

O plano “Kunming-Montreal”, aprovado em 2022 na COP15, prevê cortar pelo menos 500 mil milhões de dólares anuais desse total. O documento tem 23 metas e é considerado o equivalente, para a biodiversidade, ao Acordo de Paris para o clima.

O presidente do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Adil Najam, que está em Erevan, explicou à agência AFP a lógica por trás dessas políticas: “Em geral, a lógica económica subjacente a estas medidas é a seguinte: queremos criar meios de subsistência, criar postos de trabalho e promover o crescimento económico.”

E completou: “Mas, à medida que aprendemos mais, apercebemo-nos de que têm efeitos nefastos, por vezes muito maiores do que os efeitos positivos para os quais foram inicialmente concebidas.”

Recado de Guterres antes da abertura

Na sexta-feira, 16 de outubro, numa cimeira de líderes que antecedeu a conferência, o secretário-geral da ONU, António Guterres, foi direto: “Subsidiar os combustíveis fósseis equivale a subsidiar o suicídio.” Ele acrescentou: “Precisamos de mais acção, mais rapidez e mais vontade.”

Segundo a RFI, a COP17 começa em 19 de outubro de 2026, em Erevan, sob a égide da ONU, com 196 países e a União Europeia à mesa.

Metas, povos indígenas e financiamento

Além dos subsídios, o plano trata da proteção de áreas terrestres e marítimas e dos direitos dos povos indígenas. Os compromissos financeiros também estão na pauta, sobretudo a ajuda dos Estados ricos aos países em desenvolvimento.

Esse deve ser um dos grandes temas da cúpula. As dificuldades orçamentais e a crise nas instituições multilaterais, porém, tendem a complicar as negociações.

O presidente da COP17 e ministro do Ambiente da Arménia, Hambardzum Matevosyan, definiu o critério de sucesso na sexta-feira: a conferência será bem-sucedida se conseguir “traduzir os compromissos políticos em medidas concretas e avanços quantificáveis”.

O que isso significa para a Amazônia

A pauta toca a região de forma direta, ainda que o material da conferência não cite a floresta. Metas de proteção de áreas terrestres e de povos indígenas dizem respeito a um território onde ficam milhões de hectares de terras indígenas e unidades de conservação. Já o financiamento de países ricos a países em desenvolvimento é o tipo de recurso que sustenta ações de conservação nos estados amazônicos.

Os subsídios a combustíveis fósseis também importam para quem vive na região, que sente de perto os efeitos da crise climática e da pressão sobre os ecossistemas.

Uma sequência de conferências

A COP17 vem depois da conferência sobre desertificação, realizada em agosto, e antes da COP31 sobre o clima, marcada para novembro, na Turquia, cerca de três semanas após o início do encontro de Erevan. A RFI lembra que a edição anterior de biodiversidade, a COP16, terminou sem acordo sobre financiamentos, um precedente que pesa sobre as expectativas.

Os negociadores têm agora duas semanas para mostrar se a COP17 consegue destravar o dinheiro e fixar metas verificáveis, um resultado que servirá de ponto de partida para a COP31, em novembro.

Com informações de RFI.

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