
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que começa nesta segunda-feira (10) em Belém, já nasce marcada por uma convocação simbólica: transformar a Amazônia em ponto de virada para uma nova fase da ação climática global. Em sua décima e última carta à comunidade internacional, o presidente-designado da cúpula, o diplomata André Corrêa do Lago, convidou as nações a fazer da conferência “um ciclo de ação”, substituindo discursos por compromissos concretos e cooperativos.
A mensagem encerra um percurso iniciado meses antes, quando Corrêa do Lago — que já foi negociador do Acordo de Paris — começou a publicar cartas abertas com reflexões sobre o papel das negociações multilaterais em um mundo cada vez mais pressionado por crises ambientais e sociais. Nesta última, ele reforça a ideia de que o tempo do diagnóstico já passou. Agora, diz, é hora de restaurar “a aliança entre o planeta e as gerações humanas”.
O embaixador vê na COP30 a chance de retomar o espírito cooperativo que marcou a ECO-92, também realizada no Brasil, e que deu origem à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). “Em Belém, honraremos essa continuidade: a capacidade de nossa espécie de cooperar, renovar-se e agir em conjunto diante da incerteza”, escreveu.
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A preservação dos sistemas fluviais e a proteção do Rio Amazonas são fundamentais para garantir a sobrevivência da fauna silvestrePara Corrêa do Lago, o desafio central é transformar o formato tradicional das conferências — frequentemente dominado por disputas políticas — em um “laboratório de soluções” capaz de unir quase 200 países sob uma agenda comum. “Mais do que negociar, precisamos agir como uma equipe global, canalizando nossa inteligência coletiva em prol da proteção das pessoas, das economias e dos ecossistemas”, declarou.
O diplomata propõe que Belém simbolize o início de um novo ciclo — um pacto moral e prático entre o Norte e o Sul globais. A carta destaca que o Brasil, ao sediar o encontro no coração da Amazônia, assume o papel de anfitrião de uma transição histórica, na qual o desenvolvimento sustentável e a justiça climática precisam caminhar lado a lado.

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Entre as prioridades da conferência estão a implementação plena do Acordo de Paris, o reforço do multilateralismo e a conexão do regime climático à vida cotidiana das pessoas. Corrêa do Lago afirma que “a COP da Verdade”, como definiu o encontro, deve ser um marco entre a escolha e a imposição: “Ou decidimos mudar por escolha, juntos, ou seremos forçados a mudar pela tragédia.”
As negociações de Belém terão como foco principal a revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — os compromissos de cada país para reduzir emissões de gases de efeito estufa. O Brasil anunciou sua meta revisada: cortar entre 59% e 67% das emissões até 2035, incluindo todos os gases e setores da economia. Segundo dados da Agência Brasil, 79 países já apresentaram suas novas metas, representando 64% das emissões globais. Os 118 restantes, responsáveis pelos outros 36%, ainda não oficializaram seus compromissos.
Além das NDCs, a COP30 discutirá mecanismos de financiamento climático — ponto sensível para países em desenvolvimento, que cobram dos mais ricos o cumprimento de promessas feitas em cúpulas anteriores. A meta de mobilizar US$ 100 bilhões anuais em apoio à transição ecológica e à adaptação ainda está distante de ser atingida.
Para Corrêa do Lago, a superação dessas lacunas depende da capacidade de os países reconhecerem o que está em jogo. “Mais importante do que o que fazemos e como fazemos é termos clareza sobre por que o fazemos”, afirmou. A COP30, diz ele, deve ser o espaço em que o mundo decide agir não apenas por sobrevivência, mas por um sentido de responsabilidade compartilhada.
Ao fim da carta, o diplomata resume o espírito que espera ver florescer nas negociações de Belém: “Com esta décima carta, concluo um ciclo de palavras para que o mundo abra um ciclo de ação.”
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