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Frâncio: o segundo elemento natural mais raro da Terra que existe em quantidades de poucas dezenas de gramas

O frâncio é o segundo elemento natural mais raro da Terra. Símbolo Fr, número atômico 87, massa atômica de 223 unidades. Estima-se que existam apenas algumas dezenas de gramas dele em todo o planeta, em qualquer momento. Foi descoberto em 1939 pela cientista francesa Marguerite Perey, no Instituto Curie, em Paris.

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Marguerite Perey e a descoberta

Marguerite Perey iniciou a carreira como assistente de Marie Curie aos 19 anos, em 1929. Trabalhou em pesquisas sobre actínio, elemento radioativo descoberto pela própria Curie. Em 1939, identificou um novo elemento entre os produtos de decaimento do actínio, e o batizou de frâncio em homenagem à França, sua pátria.

Foi a primeira mulher eleita para a Academia Francesa de Ciências, em 1962, mais de duas décadas após a descoberta. Perey trabalhou com substâncias radioativas em condições de proteção limitadas, prática comum no início da pesquisa nuclear, e desenvolveu câncer ao longo da vida, possivelmente relacionado à exposição ocupacional. Faleceu em 1975.

Por que o frâncio é tão raro

O frâncio é radioativo com meia-vida muito curta. O isótopo mais estável, o frâncio-223, tem meia-vida de 22 minutos. Isso significa que metade dos átomos se desintegra em vinte minutos, transformando-se em outros elementos. Praticamente todo frâncio formado em rochas terrestres pelo decaimento de outros elementos se desintegra continuamente.

Estimativas indicam que, somando todo o frâncio produzido naturalmente em qualquer momento, existem apenas algumas dezenas de gramas dele na crosta terrestre inteira. Por comparação, o astato é considerado o elemento natural mais raro, com quantidades ainda menores. O frâncio fica logo atrás na lista de raridade absoluta.

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O frâncio em laboratório

Apesar da raridade, cientistas conseguem produzir átomos de frâncio em laboratório bombardeando alvos de tório ou ouro com partículas aceleradas. Os átomos são confinados em armadilhas magneto-ópticas para serem estudados antes de se desintegrarem. A pesquisa busca entender propriedades atômicas em condições extremas e testar modelos teóricos da física.

Como metal alcalino, o frâncio teoricamente deveria ser o mais reativo do grupo, mais até do que césio e rubídio. Na prática, a raridade impede experimentos químicos clássicos. Quase tudo o que se conhece do comportamento do frâncio vem de cálculos teóricos e medidas em poucos átomos isolados.

O que isso significa para a ciência

O frâncio é fronteira do que pode ser estudado experimentalmente. Cada átomo isolado em laboratório oferece dados raros sobre estrutura atômica e interações fundamentais. Pesquisas em frâncio contribuem para testes de modelo padrão da física, busca por violações de simetria e compreensão profunda da matéria.

Em medicina, há interesse em isótopos do frâncio para terapias específicas de câncer, embora a complexidade de produção limite aplicações comerciais. Por enquanto, o elemento é principalmente curiosidade científica, símbolo de quão dominamos a química mesmo em escala atômica individual. Marguerite Perey, em 1939, jamais imaginaria os experimentos que o seu elemento permitiria décadas depois.

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Frâncio além da raridadeMarguerite Perey nunca conseguiu uma amostra macroscópica do elemento que descobriu. Toda a sua pesquisa foi com quantidades imperceptíveis ao olho. Hoje, armadilhas magneto-ópticas em laboratórios da Universidade de Stony Brook (EUA) e outros centros conseguem isolar até cerca de mil átomos por vez, conquista experimental notável. Cada átomo dura minutos antes de se desintegrar, mas durante esses minutos, dados preciosos sobre física atômica podem ser obtidos.

Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia

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