
O irídio é o elemento que registra a extinção dos dinossauros. Símbolo Ir, número atômico 77, massa atômica de 192,2 unidades. Em 1980, geólogos identificaram uma camada anormalmente rica em irídio na crosta terrestre, exatamente no limite geológico Cretáceo-Paleogeno (K-Pg). Essa descoberta foi peça central da teoria que atribui a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos a um impacto de meteorito.
O irídio como elemento
O irídio foi descoberto em 1803 pelo químico britânico Smithson Tennant, junto com o ósmio. O nome vem da deusa grega Íris, do arco-íris, em referência à variedade de cores dos sais do elemento. É um metal de transição extremamente denso (segundo mais denso depois do ósmio) e muito resistente à corrosão.
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Frâncio: o segundo elemento natural mais raro da Terra que existe em quantidades de poucas dezenas de gramasNa crosta terrestre, o irídio é raro. Aparece em concentrações muito baixas, e a maior parte está confinada ao núcleo do planeta, onde elementos densos se acumularam quando a Terra se formou e estava parcialmente fundida. Em meteoritos, contudo, o irídio aparece em concentrações relativamente mais altas, porque esses corpos celestes não passaram pela mesma diferenciação química.
A camada de irídio e os dinossauros
Em 1980, o físico Luis Alvarez, o filho geólogo Walter Alvarez e a equipe deles publicaram pesquisa que mudou a paleontologia. Em depósitos sedimentares na Itália, Dinamarca e outros lugares, identificaram uma fina camada de argila no limite Cretáceo-Paleogeno (K-Pg), datado em 66 milhões de anos. Essa camada continha quantidades anormalmente altas de irídio.
A explicação proposta foi inovadora: um asteroide gigante atingiu a Terra na época, espalhando irídio cósmico pela atmosfera global e depositando-o em sedimentos por toda parte. O impacto teria causado mudanças climáticas catastróficas que extinguiram dinossauros não-aviários e cerca de 75% das espécies do planeta. A descoberta de Chicxulub, cratera de impacto de 180 km na península de Yucatán (México), nos anos 1990 confirmou a teoria.
Por que o irídio é traçador cósmico
Quando a Terra se formou há 4,5 bilhões de anos, ainda em estado parcialmente fundido, elementos densos como o irídio afundaram para o núcleo. A crosta terrestre é, portanto, pobre em irídio. Asteroides e cometas, contudo, mantêm a composição original do sistema solar primitivo, mais homogênea, com irídio em concentrações maiores.
Por isso, qualquer camada terrestre com irídio elevado provavelmente registra contribuição extraterrestre, seja de impactos grandes ou de poeira cósmica acumulada ao longo do tempo. Em sedimentos do fundo do oceano, o irídio é usado como cronômetro geológico, ajudando a datar eventos e medir a taxa de deposição de material extraterrestre.
Aplicações industriais do irídio
Apesar da raridade, o irídio tem usos importantes. Velas de ignição de motores a combustão, especialmente em motocicletas e veículos de alta performance, usam pontas de irídio que duram muito mais que as convencionais. Cadinhos de irídio em laboratórios suportam temperaturas extremas, tradição que vem desde o Quilo padrão internacional, feito de uma liga platina-irídio.
Catalisadores com irídio são essenciais na produção industrial de ácido acético, processo desenvolvido pela BP que substituiu métodos mais caros e poluentes. Marca-passos cardíacos e implantes médicos podem usar ligas com irídio pela biocompatibilidade e resistência. Os principais produtores são África do Sul, Rússia e Zimbábue, geralmente como subproduto da mineração de platina.
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