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Tecnécio: o primeiro elemento criado em laboratório, sintetizado em Palermo…

Califórnio: o elemento mais caro do mundo, sintetizado em Berkeley em 1950 e raro até para reatores

O califórnio é um dos elementos mais caros do mundo. Símbolo Cf, número atômico 98, massa atômica de 251 unidades. Sintetizado em 1950 na Universidade da Califórnia em Berkeley, o nome do elemento (e do estado) ficou imortalizado na tabela periódica. Um único grama pode custar dezenas de milhões de dólares.

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Como o califórnio foi criado

O califórnio foi sintetizado em 1950 por Stanley Thompson, Glenn Seaborg, Kenneth Street Jr. e Albert Ghiorso, no Lawrence Berkeley National Laboratory. A equipe bombardeou cúrio (elemento 96) com partículas alfa em um cíclotron, produzindo o novo actinídeo. O nome homenageia a Universidade da Califórnia e o estado da Califórnia, reconhecendo a sequência de elementos sintéticos descobertos no laboratório de Seaborg.

É um actinídeo radioativo. Sua produção exige reatores nucleares de fluxo alto que bombardeiam alvos com nêutrons por períodos longos. Apenas alguns laboratórios no mundo têm capacidade para produzir califórnio em quantidades aproveitáveis. Os Estados Unidos e a Rússia detêm os principais centros de produção, com a Oak Ridge National Laboratory como referência.

Aplicações do elemento mais caro

O califórnio-252, isótopo mais usado, é fonte intensa de nêutrons. Essa propriedade o torna útil em iniciadores de reatores nucleares, equipamentos de medição em campos petrolíferos (perfis de poços) e em pesquisa científica básica. Detectores de explosivos e de drogas em portos e aeroportos também podem usar o elemento.

Em medicina, o califórnio aparece em terapias específicas de câncer (braquiterapia), em que pequenas quantidades do material são implantadas próximas a tumores. A aplicação é restrita a casos selecionados, devido ao custo e à complexidade logística do material.

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Por que custa tanto

A produção mundial de califórnio é medida em frações de gramas por ano. Cada grama exige meses de irradiação em reator e processamento químico complexo. Toda a oferta global anual é consumida rapidamente em pesquisa, indústria especializada e medicina. Por isso, o preço por grama atinge níveis astronômicos comparados a metais preciosos comuns.

O ouro custa cerca de cem mil dólares o quilo. O ouro é abundante comparado ao califórnio. Para colocar em perspectiva, o estoque mundial total de califórnio cabe em uma colher de chá. É um dos materiais mais raros e valiosos jamais manipulados pela humanidade.

O que isso significa para o mundo

O califórnio é elemento que conecta ciência básica a aplicações industriais nichadas. A pesquisa em fontes de nêutrons busca alternativas mais baratas e seguras, mas o californio-252 segue sendo padrão em vários cenários. A escassez é desafio constante para laboratórios que dependem do material.

Para o público geral, o elemento é também janela para o mundo da química experimental dos transurânicos. Cada elemento sintético criado em Berkeley nos anos 1940-60 é parte da expansão da tabela periódica para além dos limites naturais. O califórnio é um dos últimos com aplicações comerciais relevantes nessa série.

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Califórnio além da raridadeAstrônomos detectaram traços de californio em supernovas, indicando que o elemento pode ser produzido naturalmente em explosões estelares de altíssima energia. Em escala terrestre, isso é apenas curiosidade científica: o californio cósmico não chega à Terra em quantidades detectáveis. O laboratório de Berkeley, contudo, já produziu mais califórnio na Terra do que o planeta jamais teve em sua história natural.

Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia

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