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Tecnécio: o primeiro elemento criado em laboratório, sintetizado em Palermo na Itália em 1937

O tecnécio é o primeiro elemento da tabela periódica criado em laboratório. Símbolo Tc, número atômico 43, massa atômica de 98 unidades. Foi sintetizado em 1937 pelos cientistas Carlo Perrier e Emilio Segrè na Universidade de Palermo, na Itália. Hoje, é o radiotraçador mais usado em medicina nuclear no mundo.

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Como o tecnécio entrou para a história

O elemento 43 era uma das lacunas previstas na tabela periódica de Mendeleev. Cientistas procuraram por décadas em minerais e rochas, mas nada apareceu em quantidades verificáveis. A explicação é que o tecnécio é radioativo e seus isótopos têm meia-vida muito curta em escala geológica, o que significa que praticamente todo o tecnécio formado nos primórdios da Terra já se desintegrou.

Em 1937, Perrier e Segrè analisaram amostras de molibdênio que tinha sido bombardeado com deutério em um cíclotron americano. Identificaram um novo elemento, o primeiro produzido artificialmente em quantidade detectável. O nome vem do grego technetos, que significa artificial, em referência à origem em laboratório.

Tecnécio-99m: o radiotraçador da medicina

O isótopo metaestável tecnécio-99m é o radiofármaco mais usado em diagnóstico por imagem no mundo. Cintilografias ósseas, cardíacas, tireoidianas e outras dependem do material. A meia-vida de cerca de seis horas é ideal: tempo suficiente para o exame ser realizado, mas curto o bastante para o paciente não receber dose excessiva de radiação.

O tecnécio-99m é produzido em geradores chamados vacas de molibdênio, dispositivos que extraem o isótopo a partir do molibdênio-99 ao longo de dias. Hospitais brasileiros e do mundo inteiro recebem esses geradores periodicamente, e a logística envolve transporte cuidadoso de material radioativo em cadeia coordenada de fornecimento global.

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O tecnécio em estrelas e a confirmação cósmica

Em 1952, o astrônomo americano Paul Merrill identificou linhas espectrais de tecnécio em estrelas gigantes vermelhas. A descoberta foi notável: como o tecnécio tem meia-vida curta em escala estelar, sua presença confirmou que estrelas continuam produzindo elementos pesados em seus interiores via processos nucleares. Foi prova astronômica direta da nucleossíntese estelar.

Por isso, embora o tecnécio seja considerado sintético na Terra, ele existe naturalmente em estrelas. A história do elemento conecta a química experimental do século XX à astrofísica que explica a origem dos elementos do universo.

O que isso significa para o mundo

A produção mundial de tecnécio-99m depende de poucos reatores nucleares antigos no Canadá, Holanda e outros países. Episódios de manutenção ou desligamento desses reatores já causaram crises de fornecimento que afetaram hospitais globalmente. Há esforços para diversificar a produção e criar alternativas tecnológicas.

O tecnécio é, em essência, prova de que a química é construção contínua. Cinquenta anos depois da tabela de Mendeleev prever a lacuna, o ser humano preencheu o espaço com um elemento criado pela própria ciência. Hoje, o mesmo elemento salva vidas em milhões de exames todo ano, do diagnóstico de câncer ao acompanhamento cardíaco.

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Tecnécio além da medicinaCompostos de tecnécio são usados como inibidores de corrosão em aplicações industriais especializadas, embora a radioatividade limite seu uso em larga escala. Em pesquisa básica, o elemento serve como modelo para estudos de química de elementos transurânicos e da família dos metais de transição. Cientistas usam o comportamento do tecnécio para inferir propriedades de elementos ainda mais raros.

Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia

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