×
Próxima ▸
Urânio brasileiro: as minas de Caetité que sustentam a energia…

Plutônio: o elemento sintético que alimenta as sondas Voyager há quase cinco décadas no espaço profundo

O plutônio é um dos elementos mais polêmicos e estratégicos da era atômica. Símbolo Pu, número atômico 94, massa atômica de 244 unidades. Sintetizado em Berkeley em 1940 por Glenn Seaborg e equipe, foi peça central do Projeto Manhattan. Hoje, o isótopo plutônio-238 alimenta sondas espaciais como as Voyager há quase cinco décadas.

Publicidade


O plutônio como elemento

O plutônio foi sintetizado em 1940 nos laboratórios da Universidade da Califórnia, em Berkeley. A equipe liderada por Glenn Seaborg bombardeou urânio com nêutrons e identificou o novo elemento. O nome vem do planeta-anão Plutão, descoberto dez anos antes, e seguia a sequência neptúnio (planeta Netuno) que vinha logo antes na tabela.

É um actinídeo radioativo. Aparece em quantidades ínfimas na natureza, em traços formados pelo decaimento de outros elementos, mas para todos os fins práticos é considerado sintético. Existe em diferentes isótopos, cada um com aplicações e meias-vidas distintas. O plutônio-239 é físsil e usado em armas e reatores. O plutônio-238 é fonte de calor radioativo aproveitada em sondas espaciais.

O Projeto Manhattan e Nagasaki

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Projeto Manhattan americano desenvolveu armas nucleares com base em duas tecnologias paralelas: urânio enriquecido e plutônio sintetizado. A bomba Fat Man, lançada sobre Nagasaki em agosto de 1945, era de plutônio. A bomba Little Boy, lançada três dias antes sobre Hiroshima, era de urânio.

O legado do plutônio na história é, portanto, simultaneamente científico e trágico. A capacidade de fissão nuclear que abriu caminho para usinas de energia também viabilizou a destruição em massa. Acordos internacionais como o Tratado de Não Proliferação Nuclear (1968) buscam restringir a expansão do uso militar do material.

Publicidade


As Voyager e o plutônio-238

As sondas Voyager 1 e Voyager 2 foram lançadas em 1977 com missão de explorar planetas externos do sistema solar. Quase cinco décadas depois, ambas continuam transmitindo dados de regiões além da heliopausa, fronteira do sistema solar com o espaço interestelar. O segredo dessa longevidade é o plutônio-238.

O isótopo libera calor de forma constante por décadas, calor que é convertido em eletricidade por geradores termoelétricos de radioisótopos (RTG). Sem o plutônio, as sondas teriam ficado sem energia há muito tempo. Outras missões espaciais que dependeram da mesma tecnologia incluem Cassini (Saturno), New Horizons (Plutão e além) e Curiosity (Marte).

O que isso significa para o mundo

O plutônio-238 é recurso escasso. Sua produção foi praticamente interrompida nos anos 1990, e estoques mundiais estão em níveis preocupantes para a comunidade espacial. Os Estados Unidos retomaram a produção em escala limitada nos últimos anos, em parceria entre laboratórios nacionais e a NASA.

Para missões futuras de exploração espacial profunda, o plutônio-238 é insubstituível em algumas aplicações. Energia solar não funciona em regiões muito distantes do Sol, e baterias químicas perdem capacidade rápido. O elemento sintetizado para armas há oito décadas hoje move robôs científicos pelos confins do sistema solar, num giro histórico curioso.

Publicidade


Plutônio além do espaçoOs Estados Unidos têm o maior estoque mundial de plutônio militar, herança da Guerra Fria, e enfrentam o desafio de descomissionar parte desse material. Plantas de reciclagem transformam plutônio antigo em combustível MOX para reatores civis, num programa internacional de desarmamento parcial. A logística e a segurança envolvem custos bilionários e debates políticos contínuos.

Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA