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Níquel de Onça Puma: a mina amazônica da Vale que alimenta a transição para carros elétricos

Onça Puma é uma das principais minas de níquel do Brasil e fica na Amazônia. Símbolo Ni, número atômico 28, massa atômica de 58,69 unidades. Esse metal de transição, descoberto em 1751, está no centro da revolução das baterias para carros elétricos. Operada pela Vale no sudeste do Pará, Onça Puma alimenta cadeias industriais globais que apostam num futuro de mobilidade limpa.

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O níquel como elemento

O níquel foi isolado em 1751 pelo mineralogista sueco Axel Cronstedt. O nome vem do alemão Kupfernickel, expressão usada por mineiros que confundiam o minério de níquel com o de cobre, mas não conseguiam extrair o metal esperado. A palavra Nickel referia-se a duendes da mitologia germânica que supostamente atrapalhavam a mineração.

Como elemento industrial, o níquel é fundamental em aços inoxidáveis (combinado com ferro e cromo), em ligas resistentes a altas temperaturas e em baterias recarregáveis. As baterias de íons de lítio modernas usam óxidos de níquel como material catódico, e quanto maior a fração de níquel, maior a densidade energética. Isso explica por que carros elétricos com baterias de alta autonomia carregam dezenas de quilos do metal.

O níquel também é hipoalergênico em algumas ligas e biocompatível em outras, sendo usado em próteses médicas, talheres, moedas e estruturas de prédios.

Onça Puma: o níquel amazônico da Vale

A mina de Onça Puma fica em Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará, próxima ao complexo mineral de Carajás. Operada pela Vale, é uma das maiores produtoras nacionais de níquel laterítico, tipo de minério que se forma pelo intemperismo de rochas ultramáficas em climas tropicais úmidos.

O processamento de minério laterítico é mais complexo que o de minério sulfetado, comum em outras regiões do mundo. Exige técnicas como lixiviação ácida sob pressão e altas temperaturas. A Vale domina essa tecnologia em Onça Puma, e o níquel produzido é exportado para indústrias siderúrgicas e fabricantes de catodos de bateria em diversos países.

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Níquel e a transição energética

A demanda mundial por níquel vem crescendo aceleradamente, impulsionada pela eletrificação dos transportes. Cada carro elétrico contém dezenas de quilos do metal, dependendo do modelo e da química da bateria. Tesla, BMW, Volkswagen e outras montadoras assinaram contratos de longo prazo com mineradoras para garantir fornecimento estável.

Analistas projetam que a demanda por níquel para baterias pode triplicar nas próximas décadas, se as metas climáticas globais forem cumpridas. Isso coloca países produtores, incluindo Brasil, em posição estratégica. Além de Onça Puma, o Brasil tem outras operações de níquel em Goiás e em outras regiões. A Amazônia, por meio do Pará, faz parte desse mapa.

O que isso significa para a Amazônia

A produção de níquel em Onça Puma representa uma oportunidade econômica importante para o Pará e para o Brasil. Cada tonelada exportada significa receita, empregos e participação na transição energética global. Mas como toda mineração de larga escala na Amazônia, exige licenciamento ambiental rigoroso, monitoramento de águas e solos, e diálogo com comunidades locais.

O dilema é estrutural. A descarbonização global precisa de níquel, e o Brasil pode ser um fornecedor responsável. Mas isso exige modelos de extração que minimizem impactos ambientais e maximizem benefícios sociais. Onça Puma, como qualquer grande mina amazônica, é um teste contínuo de como conciliar economia mineral e preservação ambiental.

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Níquel além de Onça Puma
Moedas de muitos países contêm níquel. A liga cuproníquel é usada em moedas brasileiras de circulação. Talheres e panelas de aço inoxidável, equipamentos hospitalares e até instrumentos cirúrgicos dependem do metal. Em ligas com titânio (nitinol), o níquel forma materiais com memória de forma usados em próteses dentárias e implantes médicos.

Conheça os outros 117 elementos na Tabela Periódica da Amazônia

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